"Meu celular?"

‘O que Bolsonaro quer esconder de tão grave do povo?’, questiona Gleisi

STF pede que PGR analise pedidos de perícia em celulares de Jair e Carlos Bolsonaro. Para Orlando Silva, ‘crise é grave e desenrolar dos acontecimentos é imprevisível’. Bolsonaro ‘comete crimes e protege criminosos’, diz Freixo

Agência Câmara
Oposição cobra posição do procurador-geral da República, Augusto Aras

São Paulo – A notícia-crime encaminhada pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal repercute nos perfis das redes sociais de parlamentares da oposição. Eventual decisão depende do procurador-geral, Augusto Aras. “Aceite o pedido, Aras. É preciso saber se a família cometeu crime. Se Bolsonaro e seu filho são inocentes, como alegam, não têm nada a temer”, publicou no Facebook a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Entre as medidas solicitadas pelo decano do Supremo, está a busca e apreensão do celular de Bolsonaro e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro para perícia. A parlamentar lembrou que o presidente se defendeu afirmando que a divulgação de reunião seria “constrangimento”. “O que tem ali que o presidente tanto teme? O que Bolsonaro quer esconder de tão grave do povo?”, questionou Gleisi.

Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), a “reputação inatacável” do ministro do STF é indicativa da importância da decisão. “Se (Celso de Mello) adotou tal determinação é porque deve ter visto fundamentos que motivassem a medida. A crise é grave e o desenrolar dos acontecimentos é imprevisível”, anotou no Twitter. “A ficha vai caindo e nosso povo vai percebendo a verdadeira face de Bolsonaro, o mensageiro da morte”, acrescentou.

Para Marcelo Freixo (Psol-RJ), “Bolsonaro está usando a presidência da República para cometer crimes e proteger criminosos”.

Crises sem fim

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que é dever do Estado “promover apuração das denúncias contra Bolsonaro sobre interferência na PF”. O parlamentar acrescenta que, “se Bolsonaro não tem o que temer, que entregue! (o conteúdo de seu celular)”. E continuamos ansiosos p/ divulgação do vídeo da reunião de ministros. Pedimos ao STF! O povo tem direito de ver!”, postou Randolfe.

O também senador Jaques Wagner (PT-BA) lamenta o fato de o Brasil passar pelas graves crises sanitária e institucional enquanto o chefe do governo brinca com a realidade. “O estilo do presidente é de fazer da sociedade um circo”, escreveu o senador no Twitter. “Mas é um circo de terror, o tempo todo arrumando confusão em vez de tranquilidade para enfrentar a pandemia.”

O senador Humberto Humberto Costa (PT-PE), em post de ontem (21), antes da informação do pedido de Celso de Mello, disse que “Bolsonaro perdeu as condições políticas, jurídicas e morais de ser presidente da República”. Para ele, “a economia brasileira está destruída e o governo segue à deriva”.

Na opinião do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, um processo de impeachment contra Bolsonaro “se impõe”, diante de, no mínimo, três crimes de responsabilidade claramente configurados em atos do presidente.

Também pelas redes sociais, Carlos Bolsonaro se manifestou com ironia simulada. “Meu celular? Enquanto isso os do ex-piçóu (sic) Adélio protegidos há mais de um ano, processos contra Botafogo, Calheiros e outros sentados em cima há anos”, escreveu. “Que crime teria cometido para tamanha velocidade e abuso? Nenhum. A narrativa do sistema continua em pleno vapor!”, protestou Carlos.