Articulista português compara Bolsonaro a um criminoso de guerra

Em artigo em jornal de Portugal, professor e político Francisco Assis, do Partido Socialista, chama de criminosa a maneira de Bolsonaro enfrentar a pandemia do novo coronavírus

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Assis: Bolsonaro formou governo à sua imagem, cheio de militares, fanáticos religiosos e representantes da Escola de Chicago. Para ministro da Justiça escolheu Sérgio Moro, uma das personagens mais sinistras do Brasil atual

São Paulo – Em artigo assinado na edição de hoje (28) do jornal português Público, o professor e político Francisco Assis, do Partido Socialista (PS), diz que não causa espanto a maneira como Bolsonaro tem conduzido a pandemia do novo coronavírus no Brasil. “O seu comportamento só pode ser apodado de criminoso. Recorrendo a um discurso anti-racionalista e anti-científico formulado num tom jocoso, o presidente brasileiro lançou uma mensagem pública e optou por uma linha de actuação política que, se não for rapidamente contrariada, poderá condenar milhares, senão milhões, de brasileiros à morte. O seu comportamento é imperdoável – considero-o equiparável ao de alguns criminosos de guerra que acabaram por cair na alçada da jurisdição penal internacional.”

Assis chama atenção para as desigualdades que marcam o Brasil, com grande parte da população vivendo em situação de carência absoluta, precariedade habitacional e escassez de infra estrutura básica – o que favorece a rápida propagação de uma doença altamente contagiosa e com uma elevada taxa de letalidade.

“Como sempre, será a população mais desfavorecida, esses milhões e milhões de brasileiros que procuram escapar diariamente à miséria e à fome, quem constituirá a principal vítima de tão criminosos desmandos presidenciais. Basta pensar nas favelas do Rio de Janeiro, nos subúrbios de São Paulo, na imensa pobreza nordestina, para antecipar a dimensão trágica do que poderá vir a suceder.”

Previsível, Bolsonaro está longe de ser um “canalha acidental”, na concepção do articulista. “A ausência dos mais leves vestígios de integridade moral constitui a essência da sua personalidade, tal como ela publicamente sempre se manifestou. Só assim se compreende, entre outras coisas, a sua sórdida declaração aquando da votação da destituição da Presidente Dilma Rousseff. Convirá recordar que nessa ocasião o sacripanta não teve pejo algum em declarar o seguinte: “Dedico o meu voto à memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff.” Este Coronel Ustra foi um dos maiores torcionários no tempo da ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Dificilmente se conceberia acto mais vil. .

“O medíocre capitão”, segundo Assis, afastado do Exército, dirige o país com o mesmo grau de estupidez que sempre caracterizou a sua intervenção política: Tudo no domínio da fraude, da fancaria, da pura indigência mental. Tem como “referência ‘intelectual’ um tal Olavo de Carvalho, figura semi-anedótica que se pretende passar por filósofo, depois de ter dedicado parte da sua vida à prática da astrologia, essa ciência ultra-sofisticada que, como todos sabemos, permite antever o futuro. Formou um Governo à sua imagem, repleto de militares e integrado por fanáticos religiosos e serôdios representantes da Escola de Chicago. Para ministro da Justiça escolheu o justicialista Sérgio Moro, uma das personagens mais sinistras do Brasil actual.”

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