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‘Laranja’ do PSL, partido de Bolsonaro, é convocada a depor pela Polícia Federal

Candidata a deputada federal em Pernambuco recebeu R$ 400 mil em dinheiro público do fundo partidário, para campanha, apenas quatro dias antes da eleição em 2018
Publicado por Redação RBA
18:42
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José Cruz/Agência Brasil
jair bolsonaro

Sob suspeita, ‘laranja’ do partido de Bolsonaro é intimada a depor na PF em Pernambuco

São Paulo – Maria de Lourdes Paixão, candidata a deputada federal, pelo PSL em Pernambuco, não se elegeu. Mas ficou famosa como a mais nova laranja do partido do presidente Jair Bolsonaro. Agora, foi intimada a prestar depoimento na superintendência da Polícia Federal, em Recife, às 11h desta quinta-feira (14). Ela será ouvida em Registro Especial, um mecanismo formal para obter informações antes mesmo da abertura do inquérito policial. Na Procuradoria Regional Eleitoral do estado, o caso está sendo analisado.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada no domingo (10), o grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar, recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou essa candidata laranja em Pernambuco. Maria de Lourdes recebeu do fundo partidário do PSL, enviado pela direção nacional da sigla, R$ 400 mil de dinheiro público. O hoje ministro da Secretária-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, era o presidente da legenda, além de coordenador da campanha de Bolsonaro que tinha como foco o discurso de ética, combate à corrupção e antissistema.

O dinheiro entrou na conta da candidata a deputada federal em 3 de outubro, apenas quatro dias antes da eleição da eleição de 2018. Maria de Lourdes teve só 274 votos, mas foi a terceira maior beneficiada com verba do partido de Bolsonaro em todo o país, mais do que o próprio eleito a presidente e a deputada Joice Hasselmann (SP), que recebeu 1,079 milhão de votos.

A laranja do partido de Bolsonaro

O fato de receber tanta verba pública do PSL poucos dias antes da eleição e ter uma votação inexpressiva representam indícios de candidatura de fachada “em que há simulação de atos de campanha, mas não empenho efetivo na busca de votos”, explica a reportagem da Folha que tentou contato com a Maria de Lourdes, sem sucesso.

Dos R$ 400 mil de verba pública repassados pelo PSL, a candidata afirma ter gastado R$ 380 mil em uma gráfica que o jornal visitou, mas não existe.

O presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o assunto.