último debate

Na segunda metade do debate, Ciro, Marina e Meirelles atacam Bolsonaro

Candidato do PSL 'amarelou', disse candidata da Rede. Ciro lembrou que campanha do ex-capitão do Exército propõe o fim do 13° salário e outros direitos. Candidato do MDB afirmou que ele 'se escondeu'

Eduardo Anizelli/Folhapress
Debate da Globo

Sete candidatos participaram do último debate antes do primeiro turno, realizado pela TV Globo

São Paulo – Enquanto na primeira metade do debate da TV Globo os candidatos Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (Psol) alertaram para o risco da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), na segunda metade, os terceiro e quarto blocos, Ciro Gomes (PDT) insistiu na ausência do candidato líder nas pesquisas eleitorais, Jair Bolsonaro. Perguntando a Henrique Meirelles (MDB), afirmou que gostaria de perguntar ao ausente. “Ele deu entrevista longa (à TV Record, do bispo Edir Macedo) e fugiu. É correto que não se submeta ao debate?”

O ex-ministro da Fazenda foi objetivo. Disse que, mais do que fugir, Bolsonaro “está fugindo do seu compromisso”. “O eleitor merece respeito. Se alguém foge do debate, se esconde e só dá uma entrevista em situação amigável, significa que essa pessoa não tem condições de administrar o país”, disse Meirelles.

O debate sobre o “fujão” continuou.  “O candidato que lidera tem seu vice (o general da reserva Hamilton Mourão) dizendo que vai acabar com 13°, ele não entende de economia, e Paulo Guedes (o economista de Bolsonaro) dizendo que vai aumentar imposto dos pobres.” 

Segundo Ciro, o candidato “fujão” mente sobre emprego e direitos, ao afirmar que o trabalhador tem que escolher entre ter direitos ou emprego. “O que assusta não é só a mentira”, disse, mas o fato de que o candidato, seu economista Guedes e Mourão brigam por ideias e não se entendem.

“Vai dar certo?”, perguntou Ciro. “Não, não vai dar certo”, respondeu Meirelles, provocando risos do público no estúdio. O banqueiro afirmou ainda que o Brasil não pode mais embarcar “em mais essa aventura” e completou dizendo que “precisamos de segurança, competência e seriedade”.

Marina Silva (Rede) também bateu em Bolsonaro e quis saber de Haddad por que ele não faz uma autocrítica sobre “os erros” do PT. Haddad respondeu que está em campanha há apenas 22 dias. “O líder das pesquisas (Lula), com 40%, não pôde participar da eleição por uma decisão sem provas e é considerado preso político no mundo inteiro”, disse.  Ela afirmou que “Bolsonaro mais uma vez amarelou, está na Record e não veio aqui”.

“Me apresento porque represento um projeto que deu certo, de um governo parta todos. Vou reabrir o Palácio do Planalto para todos os brasileiros, de preferência  àqueles que mais precisam do Estado”, continuou o petista.

Boulos e Geraldo Alckmin (PSDB) protagonizaram um duelo sobre saneamento básico. “Vocês (tucanos) têm a receita da privatização. Saneamento não é negócio, é direito”, disparou Boulos.

Alckmin ressaltou “a importância do saneamento, essencial para a saúde da população”, e disse que é “absurdo” o governo federal tributar o serviço. Acrescentou que a Sabesp, estatal de São Paulo, é um exemplo de empresa e que irá investir. Boulos lembrou que, durante a gestão tucana em São Paulo, a Sabesp privilegiou lucro de acionistas. “Água é um direito, não deve servir para o lucro”, disse Boulos.

Atacado o tempo todo por Álvaro Dias, Haddad foi perguntado pelo candidato do Podemos como seu governo trataria a operação Lava Jato, que, segundo ele, é alvo de “uma conspiração”. Segundo Dias, Lula está preso graças a “provas cabais”. Haddad respondeu: “A legislação que você elogia, com razão, é toda do nosso período (dos governos Lula e Dilma)”.

 “Vamos fazer o que um governo tem que fazer: fortalecer os órgãos de combate à corrupção, como já fizemos, dar liberdade para investigar e apoio à inteligência.” O candidato do PT disse também que nos governos de Fernando Henrique Cardoso “a sujeira ia para baixo do tapete”.  E que a Justiça “não pode partidarizar”, continuou o petista.

Despedida

Nas considerações finais, Haddad procurou  os votos de religiosos, que são grande  parte dos votos de Bolsonaro. “Sou neto de um líder religioso e filho de agricultor familiar. Aprendi com meu pai que um homem precisa ter aonde ir, com trabalho e educação. Aprendi com Lula que é possível oferecer essa oportunidade para todos, sobretudo a quem mais precisa.”

Ciro destacou a crise: “há quatro anos o pais esta paralisado por uma crise política e pelo ódio e agora parece que esse filme está querendo se repetir”, disse.  “Ganho do Haddad e do Bolsonaro no segundo turno, mas preciso dos votos de todos os brasileiros.”

Boulos agradeceu a militância e afirmou que “domingo é dia de barrar o atraso”. “Não vote no atraso. Não vão estar ali (na cabine de votação) seus amigos do WhatsApp e seu patrão. Não vote com ódio, mas também não vote com medo”, exortou o candidato do Psol.

Alckmin se despediu dizendo que “o melhor produto do Brasil são os brasileiros” e pediu voto: “20% dos votos são decididos nos últimos dias. Radicalismo e ódio não vão levar a nada”, pregou.

Meirelles pediu ao eleitor que “compare competências” e sentenciou: “O Brasil precisa de confiança”.

Marina foi fiel a seu estilo: “agradeço a Deus por não ir à porta larga do caminho da perdição. Sou uma pacificadora que muitas vezes é mal compreendida. O país não precisa de força física, mas de força moral”.

E Álvaro Dias garantiu: “Combati a corrupção durante a minha vida toda. Acabei com meus próprios privilégios”.