eleições 2018

Haddad e Boulos alertam para riscos que candidatura de Bolsonaro representa

Os candidatos à presidência Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (Psol) falaram sobre as ameaças à democracia: Bolsonaro defende regime que mata, tortura e quer tirar 13º salário do trabalhador

reprodução/youtube
boulos e haddad no debate na globo

Boulos: ‘Não quero que minhas filhas cresçam em uma ditadura’

São Paulo – O candidato à presidência Guilherme Boulos (Psol), questionado por Fernando Haddad (PT) no debate na noite desta quinta-feira (4), da Rede Globo sobre a proposta de Jair Bolsonaro (PSL), de cortar direitos trabalhistas como o 13º salário, aproveitou o tempo de sua fala e fez um discurso emocionado sobre os riscos à democracia representado pelo candidato da extrema-direita. “Faz 30 anos que saímos de uma ditadura. Muita gente morreu, foi torturada. Tem mãe que não pôde enterrar seu filho até hoje. Faz 30 anos, mas acho que nunca estivemos tão próximos disso”, afirmou.

Haddad iniciou sua fala para Boulos, no modelo de embates diretos que orienta o debate, afirmando que o escolheu para responder, pois ele é “um candidato sério”. “Há três que apoiam o governo de Michel Temer (MDB). Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro. Só falam em cortar direitos. Bolsonaro tem a ideia de acabar com o 13º salário, com o abono de férias, cobrar Imposto de Renda dos mais pobres, cortar Bolsa Família e introduzir a CPMF”, afirmou.

Boulos disse que a questão é séria e introduziu pontos extremamente graves presentes no discurso de Bolsonaro, que apoia abertamente torturadores reconhecidos pela Justiça como tais e nega as atrocidades da ditadura civil-militar (1964-1985). “Se estamos aqui hoje é porque teve gente que derramou sangue pela democracia. Se você vai votar domingo, pessoas deram suas vidas por isso. Quando nasci, o Brasil estava em uma ditadura. Não quero que minhas filhas cresçam em uma”, completou Boulos.

“Começa assim: arma, resolver na porrada, a vida que não vale nada. Temos que dar um grito e dizer: ditadura nunca mais”, finalizou.

Na réplica, Haddad agradeceu o alerta de Boulos. “Chamo atenção para os riscos. Se foi possível construir direitos, gerar empregos, fazer o jovem trabalhador, filho do pedreiro entrar na universidade, isso tudo é da democracia. É a liberdade que te permite reivindicar, votar, exigir compromisso. O que está acontecendo é um descalabro. Todo dia uma notícia ruim”.

Boulos, em sua tréplica, reforçou que a “turma do ódio do Bolsonaro também é a turma da destruição”. “O ódio que eles propagam nasce da indiferença. Estou há 16 anos lutando do lado do povo que não tem casa. De pessoas que sempre foram acostumadas a entrar pelo elevador de serviço. A baixar a cabeça. Fomos perdendo a capacidade de se indignar, de sentir a dor do outro. Precisamos trazer para a política a solidariedade”.

Bolsonaro não compareceu ao debate, alegando motivos médicos. Em vez disso, gravou uma entrevista exclusiva para a TV Record, que foi ao ar no mesmo horário do debate da Globo e teve duração de meia hora.