tiro no pé

Armar a população aumentará vítimas entre policiais

Para especialista em segurança pública, ao contrário do que prega Bolsonaro, liberação do porte de armas criará a 'síndrome da pequena autoridade', com cidadãos dando 'carteirada' nos agentes da segurança

Marcello Casal Jr.
Desarmamento Bolsonaro

Especialista em Segurança Pública destaca ainda ser “ilusório” acesso às armas devido ao custo que pode ser superior a R$ 10 mil

São Paulo – A proposta do candidato presidente Jair Bolsonaro (PSL) pela reformulação do Estatuto do Desarmamento como um modo de garantir a defesa do cidadão e de sua propriedade pode, na verdade, significar um verdadeiro “tiro no pé”. Apesar de se afirmar pela defesa da vida do policial, para a antropóloga, cientista política e docente em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jaqueline Muniz, o resultado do projeto de Bolsonaro produzirá um efeito totalmente inverso, com o aumento da letalidade e, até mesmo, da vitimização dos profissionais da segurança pública.

“Hoje o policial recebe duas carteiras: uma de trabalho e outra, o atestado de óbito. E e mais, todo mundo odeia a polícia. Não pode. Nós temos que resgatar o sentido de autoridade e isso se faz com profissionalização, não com ‘peito de pombo’, com gritaria, com cara feia e soco na mesa”, ressalta a especialista, em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, nesta segunda-feira (8), à Rádio Brasil Atual.

O sentido de autoridade e a retomada do profissionalismo proposto por Jacqueline, recupera o papel da polícia dentro de uma democracia, que passa pela distinção dos agentes da segurança pública de um “bando armado” e sim como base de estrutura dos direitos dos cidadãos como um todo. A professora afirma ainda que a lógica de armar a população dará base para a “síndrome da pequena autoridade”, com cidadãos comuns “dando carteirada” na própria polícia.

“As propostas do Bolsonaro são um blefe. Basicamente dizem para a população: ‘se vira meu irmão, se vira aí, cata uma arma e vai resolver suas pendências na esquina que o Estado está ali, dando uma banana'”, ironiza Jacqueline. Ela acrescenta que a própria ideia de armamento desconsidera todo o custeio que pode chegar a, no mínimo, R$ 10 mil reais para cada pessoa. “Quem vai gastar ou pegar um empréstimo para comprar uma arma e continuar com péssimas condições de vida e ainda mais inseguro, porque o seu vizinho pode estar mais bem armado que você?”, questiona.

Ouça a íntegra da entrevista: