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Vergonha mundial

‘Bolsonaro é ameaça para o Brasil e América Latina’, afirma ‘The Economist’

Revista britânica lembra que candidato dedicou seu voto no impeachment para destituir Dilma Rousseff ao torturador do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra e diz que eleição é chance de país recomeçar
Publicado por Redação RBA
15:20
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Reprodução
The Economist e Bolsonaro

Artigo de revista britânica é intitulado ‘Jair Bolsonaro, a mais recente ameaça da América Latina’: pavimento do caminho para uma coisa pior

São Paulo – Matéria de capa da revista britânica The Economist, considerada legítima representante do liberalismo econômico, afirma que uma eventual eleição de Jair Bolsonaro no Brasil “poderia colocar em risco a própria sobrevivência da democracia no maior país da América Latina”. Mais do que isso, a publicação, lançada nesta quinta-feira (20), afirma que o candidato “é uma ameaça para o Brasil e para a América Latina”.

A publicação semanal, lida no mundo todo por um público considerado de “alto nível”, começa citando o ditado popular “Deus é brasileiro”, título também de um filme de Cacá Diegues, para dizer na sequência que “hoje em dia os brasileiros devem se perguntar se, como a divindade do filme, Deus saiu de férias”. “A economia é um desastre, as finanças públicas estão sob pressão e a política está completamente podre. O crime de rua está aumentando. Sete cidades brasileiras estão entre as 20 mais violentas do mundo.”

No artigo, intitulado “Jair Bolsonaro, a mais recente ameaça da América Latina”, a The Economist pondera que as eleições nacionais de outubro “dão ao Brasil a chance de começar de novo”.  Porém, destaca também a “autoflagelação e corrupção da elite” que tomam conta do país.

A publicação se refere ao candidato do PSL como um político que tem longa história de ser “grosseiramente agressivo, e ilustra a afirmação lembrando situações como o deputado ter dito “que não iria violentar uma congressista (a deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho) porque ela era ‘feia’”.

Outros exemplos citados são as declarações do candidato de extrema-direita (que o semanário prefere caracterizar como de direita) de que preferiria um filho morto a um que fosse gay e ter sugerido que quilombolas “são gordos e preguiçosos”. Para a população, ele aparece como alguém disposto a quebrar tabus e diferente dos políticos de Brasília, diz a revista.

“Se enfrentar Fernando Haddad, o candidato do Partido dos Trabalhadores de Lula, de esquerda, no segundo turno, no final de outubro, muitos eleitores de classe média e alta, que culpam Lula e o PT acima de tudo pelos problemas do Brasil, poderiam cair em seus braços”, afirma a publicação, em mais uma insinuação, comum em veículos da mídia tradicional neste período pré-eleitoral, que pode favorecer o candidato do PDT, Ciro Gomes

A The Economist lembra que Bolsonaro “dedicou seu voto para destituir Dilma Rousseff ao comandante (coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra) de uma unidade responsável por 500 casos de tortura e 40 assassinatos sob o regime militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985”.

A revista também faz um trocadilho sobre a célebre sentença brasileira sobre corrupção (“rouba, mas faz”), para dizer que, no caso do candidato que lidera as pesquisas eleitorais, a frase poderia ser “eles torturaram, mas agiram”.

“Bolsonaro pode não ser capaz de converter seu populismo em ditadura ao estilo de Pinochet, mesmo que quisesse. Mas a democracia do Brasil ainda é jovem. Até mesmo um flerte com o autoritarismo é preocupante. Todos os presidentes brasileiros precisam de uma coalizão no Congresso. O senhor Bolsonaro tem poucos amigos políticos. Para governar, ele poderia ser levado a degradar ainda mais a política, potencialmente pavimentando o caminho para algo ainda pior”, finaliza a revista britânica.