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Representação

Movimento lança campanha para renovar o Congresso e 'devolver o poder à sociedade'

Ideia é reunir o apoio de amplos setores para pôr fim a grupos parlamentares que se perpetuam no Poder Legislativo, "que está doente" e não representa os interesses da população
por Tiago Pereira, da RBA publicado 06/03/2018 15h28, última modificação 06/03/2018 16h05
Ideia é reunir o apoio de amplos setores para pôr fim a grupos parlamentares que se perpetuam no Poder Legislativo, "que está doente" e não representa os interesses da população
Reprodução
UM NOVO CONGRESSO

Contra a maré da antipolítica, campanha prega a valorização do voto para transformar o Congresso

São Paulo – A campanha Um Novo Congresso, lançada nesta terça-feira (6) em São Paulo, pretende não apenas renovar o Parlamento, mas "requalificá-lo", devolvendo, segundo seus idealizadores, o poder de representação à  população, tirando de cena a influência do poder econômico que faz com que os políticos defendam interesses próprios ou de minorias elitizadas, em flagrante desvio de finalidade. O movimento é encabeçado por organizações como a Rede Nossa São Paulo e do Instituto Ethos, e pretende atrair a adesão de amplos setores da sociedade, e de cada eleitor, individualmente.

A constatação é que o Poder Legislativo – em nível federal composto pelas duas Casas do Congresso, a Câmara e o Senado – passou a ter papel ainda mais preponderante nos últimos anos, como ficou explicitado pela aprovação do impeachment de 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff foi deposta pela maioria entre deputados e senadores

Conselheiro da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades SustentáveisOded Grajew afirmou durante o lançamento da campanha que "o Legislativo está doente, em todas as esferas no Brasil", e destacou que a campanha é "apartidária", mas vai além do simples combate à corrupção, e pretende orientar a orientar a escolha do voto também pelo debate de projetos e ideias dos candidatos sobre os temas mais importantes para a sociedade. 

Segundo o manifesto do movimento, a atual maioria parlamentar "impõe ao país enorme desvio da vontade nacional", expressa através da Constituinte de 1988, e em todas as eleições subsequentes. "Ao mesmo tempo, protege um governo que afunda na corrupção." 

Além do manifesto, a campanha conta com um site e material de divulgação, como adesivos, bottoms, flyers e camisetas que trazem lemas como "Não vai ser na porrada, vai ser pelo voto" e "se você tem vergonha do Congresso Nacional, seja parte da mudança", que tem o sentido de valorizar o poder do voto e da democracia, em momento marcado por ameaças autoritárias e descrença com a política. 

Para a ex-jogadora de voleibol Ana Moser, que atualmente lidera o Instituto Esporte e Educação, que desenvolve ações para democratizar a prática esportiva em áreas carentes, a universalização de práticas como essa só é possível por meio de políticas públicas, que precisam do apoio de parlamentares engajados para tirá-las do papel. Ela também afirmou que é preciso que as pessoas exercitem o diálogo, entre os amigos, família e ambiente de trabalho, para fugir de "esteriótipos" e "superficialidades", e da troca de acusações entre "coxinhas", "petralhas" e "bolsominions". 

O arquiteto Chico Whitaker, cofundador do Fórum Social Mundial, ressaltou que a iniciativa surgiu após sessão do Tribunal Tiradentes, que "condenou" a atual maioria parlamentar. Segundo ele, cabe agora ao povo dar o veredito, para impedir a reeleição de deputados e senadores que representam o poder do dinheiro ou que estão interessados apenas na manutenção dos seus mandatos.

Eles acreditam que a proibição de doação a campanhas por empresas, somada a novos mecanismos legais, como a Lei Anticorrupção de 2013, devem refrear a influência do poder econômico na disputa eleitoral, mas cabe a cada cidadão fiscalizar as campanhas. Segundo Grajew, muitos empresários estão "com as barbas de molho", temendo o envolvimento em escândalos.