Lula pelo Brasil

Ao encerrar caravana, Lula fala em federalizar o ensino médio no Brasil

'Alguns governadores têm pedido para que, se eu voltar, federalize os presídios. Eu digo que não. Os presídios ficam com vocês. O que eu quero federalizar é o ensino médio deste país', disse, na UERJ

Ricardo Stuckert
Lula conclui caravana

“Educação é o investimento mais duradouro que um país pode fazer”

Rio de Janeiro – A terceira etapa da Caravana Lula pelo Brasil foi encerrada nessa sexta-feira (9), na cidade do Rio de Janeiro. Mais de 10 mil pessoas ouviram o discurso do ex-presidente na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) na noite de ontem.

Foi a décima primeira cidade visitada pelo ex-presidente nesta semana. As outras duas etapas da caravana foram realizadas no Nordeste, em agosto, e em Minas Gerais, no mês de outubro.

E o ex-presidente não deve parar. A próxima etapa ainda não foi confirmada nem tem datas, mas provavelmente percorrerá parte da região sul do país. Lula tem dito nas cidades pelas quais passa que pretende rodar por todas as regiões do Brasil.

Ontem, ele chegou com sua comitiva na Baixada Fluminense, mas antes passou por Itaboraí, cidade onde fica o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Lula disse que foi questionado sobre o porquê dessa parada, já que o complexo está praticamente inoperante. A resposta foi que ele queria justamente chamar a atenção para o abandono da estrutura, idealizada por ele em 2008. Ele mostrou indignação sobre o tema e argumentou que, enquanto o povo sofre, empreiteiros responsáveis pelos escândalos de corrupção no local estão livres, beneficiados por acordos de delação premiada.

Após a visita ao polo, a caravana seguiu até a Baixada Fluminense. Lula foi muito bem recebido por moradores entusiasmados com sua passagem. Em Duque de Caxias e Belford Roxo, foi agraciado com títulos de cidadão.

Na manhã de ontem, se encontrou com a reitoria da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no campus de Nova Iguaçu. Acompanharam o ex-presidente, além de integrantes da direção da universidade, o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, a deputada federal Benedita da Silva e o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.

Lá, os alunos que o receberam lamentaram as más condições das universidades no estado. As queixas foram desde melhores salários para professores até melhorias na segurança e no transporte para os estudantes.

A última parada na Baixada Fluminense aconteceu em Nova Iguaçu. Lula encontrou trabalhadores da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do estado, o Cedae, que passa por ameaças de privatização. Recentemente, o governador peemedebista Luiz Fernando Pezão tentou dar início ao processo, mas descartou a efetivação ainda na sua gestão justamente pela proximidade das eleições e pela mobilização contra a entrega de um patrimônio público tão essencial como a água ao setor privado.

Discurso na Uerj

Da Baixada, Lula seguiu para a capital fluminense onde realizou, por volta das 21h30, um ato na concha acústica da UERJ. Concluiu seu discurso às 22h30, falando em especial sobre a educação e o desmonte da universidade, que passa por um processo de sucateamento em decorrência dos problemas fiscais do estado.

Além de tocar no ponto da revitalização da UERJ, Lula falou sobre o panorama da educação no país. “Não existe nenhuma explicação econômica para a situação em que o Brasil está”, disse. “Deveria ser proibido usar a palavra gasto para falar em educação, porque esse é o investimento mais duradouro que um país pode fazer.”

“Alguns governadores têm pedido para que, se eu voltar, federalize os presídios. Eu digo que não. Os presídios ficam com vocês. O que eu quero federalizar, e já pedi pro Haddad (Fernando, ex-ministro da Educação), é o ensino médio deste país”, falou. “Por isso, companheiros, gostaria de agradecer a solidariedade e a compreensão. Não se preocupem com eles me investigando. Porque, com todo o respeito que tenho pelo Judiciário, só quero que eles continuem me investigando. Porque já sabem do Geddel, do Sérgio Cabral, mas achem o meu”, desafiou.