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Janot nega ter vazado lista da Lava Jato: ‘Não tenho atuação midiática’

Denunciado pela PF, Fernando Collor ataca o procurador-geral da República durante sabatina no Senado: 'Nego que eu seja um vazador contumaz', rebate Janot

Geraldo Magela/ Agência Senado
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Procurador negou ter vazado informação da Lava Jato e disse que houve grande agitação da imprensa

São Paulo – Denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato, o senador Fernando Collor (PTB-AL) acusou hoje (26) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de vazar à imprensa informações da operação que tramitavam em segredo de Justiça. Durante sabatina de Janot na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o parlamentar disse que o procurador é “catedrático” em vazar informações e lembrou que essa prática é crime previsto no código Penal. “No Congresso, todos sabem e o ministro do STF, Teori Zavascki, já afirmou que informações foram vazadas pela PGR (…). É o mesmo método que seu antecessor usava e que o senhor vem utilizando”, disse.

O senador alagoano afirmou que o procurador agiu com promiscuidade à frente do Ministério Público, após dizer que o chefe da instituição acolheu contraventores em sua casa de Angra dos Reis (RJ). “Não participarei da exumação pública de um homem que nem sequer pode se defender”, rebateu Janot, depois de afirmar que um dos contraventores a quem Collor se referia era seu irmão morto há cinco anos.

O procurador negou ter vazado qualquer informação e disse que logo que foram concluídas as primeiras delações houve grande agitação da imprensa, com muita especulação. “Não houve vazamento, mas especulação enorme da imprensa. Alguns veículos de comunicação deram o que chamaram de ‘lista do Janot’. Alguns acertaram; outros erraram. O que houve na época foi especulação. Nego portanto que eu seja um vazador contumaz. Sou discreto e não tenho atuação midiática”, afirmou.

O senador também acusou Janot de ter advogado para uma empresa privada enquanto atuava como subprocurador-geral da República e perguntou se o sabatinado considera isso moralmente aceitável. Além disso, Collor questionou o aluguel de uma mansão pela Procuradoria-Geral da República no Lago Sul e colocou sob suspeição contratos sem licitação firmados entre o MP e a empresa de comunicação Oficina da Palavra. O senador também quis saber detalhes sobre a nomeação de uma servidora de nível médio para ocupar cargo de nível superior na Assessoria de Cerimonial do Gabinete do Procurador-Geral da República.

Janot disse sobre o aluguel do imóvel que foi apresentado à PGR era um alvará falso, com informações erradas da planta do imóvel. Logo que isso foi descoberto, foi cancelado o contrato. O sabatinado também negou irregularidade na contratação de sua chefe de cerimonial, visto que não existe no país curso superior específico na área, nem exigência legal para tal contratação.

A respeito da contratação da empresa de comunicação, Janot afirmou que os contratos foram regulares, com posicionamento favorável do Tribunal de Contas da União (TCU), depois que a corte se manifestou sobre a questão a pedido de um deputado. Além disso, trata-se de uma empresa de reconhecida competência, que presta serviços de media training para o Judiciário.

Com informações da Agência Senado e da Agência Brasil


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