Eleições 2014

Alckmin diz que é preciso parar de falar mal da polícia e nega falsificação de provas

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, governador de São Paulo atenua acusações de abuso. Ele afirmou também que vê 'muita exploração política' em torno da crise do abastecimento de água

Alice Vergueiro/Futura Press/Folhapress
Alckmin_Estadão

‘Imagina se iríamos deixar de repassar verbas do governo federal’ para Santa Casa, diz governador

São Paulo – Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo hoje (4), o governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à reeleição em São Paulo, defendeu a polícia estadual, acusada por movimentos sociais e organizações ligadas aos direitos humanos de agir com brutalidade tanto para reprimir manifestações como em sua atuação cotidiana nas regiões mais pobres. “Precisamos parar de falar mal da polícia. A polícia tem agido com absoluto profissionalismo. A orientação é garantir o direito de manifestação, a integridade dos manifestantes, isso é sagrado”, afirmou. “Agora, vandalismo, depredação, pessoas que se escondem atrás de máscara para destruir patrimônio, aí não. Isso é intolerável.”

Sobre o estudante e funcionário da Universidade de São Paulo Fábio Hideki Harano, preso desde 23 de junho sob a acusação de associação criminosa, adeptos da tática black bloc e porte de explosivos, ele disse que a polícia “tem agido com absoluto critério, garantindo o direito de manifestação”. A RBA mostrou hoje que os resultados de duas perícias feitas por órgãos oficiais comprovaram que os materiais apreendidos com ele e com outro manifestante, Rafael Marques Lusvargh, não têm qualquer potencial de ferir.

“Infelizmente há infiltrados que começam a depredação. As pessoas acham que o governo prende e solta. Mas não temos o poder nem de prender nem de soltar. Tanto o trabalho da polícia foi bem feito que a Justiça não soltou”, avaliou. “Por que a polícia plantaria provas contra alguém? Os trabalhos da polícia são documentados. O trabalho da polícia é monitorado.”

Questionado sobre a violência policial, particularmente contra pobres e negros na periferia, o governador deu uma resposta genérica. “Os policiais são preparados, têm aula, respeito aos direitos humanos”, garantiu. “Temos 120 mil policiais. Se alguém comete um abuso vai ser punido, é a minoria, mas a corregedoria é extremamente atuante.”

Segundo balanço da Ouvidoria da própria polícia estadual, o número de denúncias de homicídios cometidos pelas polícias Militar e Civil no primeiro semestre de 2014 é 80,5% maior do que no mesmo período do ano passado. Até junho de 2014, foram 296 denúncias, contra 164 no mesmo período de 2013.

Ao ser indagado sobre as ações policiais contra jornalistas e, especificamente, a respeito das apurações sobre o caso do repórter fotográfico Sérgio Silva, que perdeu um olho ao ser atingido por um tiro de borracha nas manifestações de junho do ano passado, o governador saiu pela tangente. “Posso verificar. Todos os casos são apurados. Qualquer abuso que ocorra é apurado.”

Crise da água e Santa Casa

Alckmin também voltou a negar a gravidade da crise do abastecimento de água no estado e que ela seja decorrente da falta de investimento e planejamento dos sucessivos governos tucanos em São Paulo. “Tenho visto muita exploração política deste assunto. Há um ano atrás, a ouvidoria da Sabesp teve 28 mil reclamações. Em 2014, 15 mil. Reduziu pela metade as reclamações.”

Ele voltou a atribuir o problema a fatores climáticos. “O fato é que estamos em um momento excepcional e que a água está garantida”, afirmou. “Enfrentamos um fato climático atípico, porque tivemos um grande calor e pouca chuva. Substituímos muitas áreas que eram atendidas pelo sistema Cantareira por outros.”

Pela manhã, em visita a Osasco, região Oeste da Grande São Paulo, assegurou o abastecimento. “Temos um cronograma delineado para assegurar água até o período das chuvas novamente. Estamos preparados para a seca”, disse.

Na entrevista ao Estadão, o  governador foi questionado também sobre as declarações do provedor da Santa Casa de São Paulo, Kalil Rocha Abdalla, que há dez dias disse à Folha de S. Paulo que o governo estadual não repassa integralmente as verbas que o governo federal destina à instituição. “Tem peneira e eu sei onde, mas não vou falar mais nada. Quero que façam uma auditoria. O problema não é meu, é deles. Estou falando porque tenho certeza”, denunciou Kalil na ocasião.

Alckmin respondeu: “Imagina se nós iríamos deixar de repassar verbas do governo federal. Não tem briguinha, só a verdade. O problema não é só da Santa Casa de São Paulo, só que há uma crise de financiamento.”