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Líder do PR diz que 90% dos deputados do partido querem sair da base do governo

Sem debandar para a oposição, "apoio crítico" seria saída para a legenda
por Redação da RBA publicado , última modificação 12/08/2011 14h39
Sem debandar para a oposição, "apoio crítico" seria saída para a legenda

São Paulo - Pouco mais de um mês após o início da crise no Ministério dos Transportes, 90% dos 39 deputados federais do PR estão dispostos a deixar a base da presidenta Dilma Rousseff, segundo o líder do partido na Câmara Federal, Lincoln Portela (MG). Em oito dias, a Executiva Nacional da legenda decidirá a postura tomará a decisão a respeito, que significaria um "apoio crítico" ao governo, com liberdade para divergir em temas pontuais.

Portela sugere que, apesar da insatisfação indicar uma "tendência", a definição não está tomada. Segundo ele, na consulta aos colegas, quatro defenderam que o rompimento com o governo signfique ir para as trincheiras da oposição, enquanto apenas dois preferem permanecer na base. 

"Se acontecer, eu não sei se acontecerá, sairemos da base, mas teremos apoio crítico ao governo e aqueles que quiserem fazer uma oposição mais acirrada, por certo, liberaremos esses parlamentares caso isso aconteça", disse Portela. No Senado, o partido deixou o bloco governista e declarou independência.

A base governista possui o apoio de 402 dos 513 deputados federais. Se o PR se afastar, o número de aliados cairia para 363, equivalentes a 70% das cadeiras. Nesse caso, a bancada ficaria liberada para assinar requerimentos de criação de uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar denúncias de corrupção em ministérios e órgãos públicos. O líder do PR deixou claro que apoia a CPMI, para "trazer mais luz para as coisas".

Desde a crise no Ministério dos Transportes, que levou à exoneração de pelo menos 20 servidores da pasta e de órgãos vinculados, PR dá sinais de descontentamento com o governo. A queixa é de tratamento diferente a ministérios que, embora tenham sido alvo de denúncias de corrupção, são controlados por outros partidos.

Apesar disso, a demora na liberação de emendas parlamentares, confirmadas apenas nesta sexta-feira, e as prisões no Ministério do Turismo, cujo titular, Pedro Novais, foi indicado pelo PMDB, ampliou os focos de insatisfação. A pauta de votações na Câmara foi paralisada nesta semana, o que levou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a se mobilizar em busca da liberação de emendas junto à área econômica do governo.

Com informações da Agência Brasil e Reuters