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Debate de candidatos na CNBB é marcado por poucas acusações

por Fabio M Michel, da RBA publicado , última modificação 24/09/2010 12h42

Presidenciáveis no debate organizado pela Igreja, em Brasília (Foto: Thays Cabette/Divulgação)

São Paulo - Sem a presença de jornalistas e sem perguntas entre candidatos, o debate entre presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado na noite da quinta-feira (23), em Brasília, terminou sem trocas de acusações e em tom de ameno.

Plinio foi a primeiro a falar e disse que sua candidatura é a única que faz a opção clara pelos pobres, numa alusão ao mote que orientou parte da igreja católica no Brasil, especialmente nos anos 1980, com a chamada Teologia da Libertação.

Dilma abriu sua participação afirmando representar a continuidade do governo Lula e que em suas políticas públicas vai privilegiar saúde, desenvolvimento econômico e educação.

As questões foram todas formuladas por representantes da Igreja. Por essa razão, a maioria das perguntas exigiram respostas mais teóricas, como como aborto, proteção dos valores familiares etc.

Sobre aborto, Marina Silva (PV) preferiu não marcar posição e defendeu a instauração de um plebiscito popular sobre o tema. Ao comentar a resposta da oponente, Dilma Rousseff (PT) disse que o assunto trata, na verdade, de saúde pública. “Sou pessoalmente contra o aborto e sempre a favor da vida, mas enquanto o aborto for usado como medida contraceptiva, as mulheres pobres estão indefesas no país.”

Depois de se dizer defensor dos valores cristãos, Serra teve três minutos para falar sobre o que pensa da Petrobras e das recentes descobertas acerca do pré-sal. Disse que o assunto ainda carece da mais discussões e que vai investir na formação de mão-de-obra qualificada para área.

Distração

A formulação de uma questão sobre reforma política e financiamento de campanha não teve o devido acompanhamento do candidato José Serra (PSDB), que se mostrou desconcentrado em alguns momentos do debate. Ao solicitar a repetição de parte da pergunta, provocou ainda mais confusão.

A temperatura do debate só subiu um pouco quando Dilma foi questionada sobre corrupção. Respondeu que o governo Lula tomou uma série de medidas de combate ao problema, como fortalecimento da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da União.

“Nós não tivemos a figura do ‘Engavetador Geral da União’ em nosso governo. Ao contrário, reforçamos o papel do Procurador Geral da União”, disse referindo-se a episódios conhecidos do período FHC em que várias denúncias contra aquele governo foram arquivadas.

Novo debate entre presidenciáveis acontece na noite deste domingo (26), organizado pela TV Record, em São Paulo, com transmissão ao vivo.