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Para Emídio, Michel Temer vai apoiar a chapa do PT em SP

Emidio de Souza afirma que acordo com PMDB é difícil por causa de acordo de Quércia com o PSDB e o DEM. Ele critica Ciro Gomes e acusa José Serra de não entrar na discussão real sobre os problemas do estado
por João Peres, da RBA publicado 26/03/2010 15h25, última modificação 26/03/2010 15h26
Emidio de Souza afirma que acordo com PMDB é difícil por causa de acordo de Quércia com o PSDB e o DEM. Ele critica Ciro Gomes e acusa José Serra de não entrar na discussão real sobre os problemas do estado

O prefeito de Osasco Emidio de Souza entende que o cansaço da população paulista com a continuidade pode levar o PT à vitória (Foto: Gerardo Lazzari)

São Paulo - Uma semana depois de desistir oficialmente da candidatura ao governo do Estado, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza (PT), reforça que deseja que seu partido tenha "nome próprio" para a disputa eleitoral em São Paulo. A preocupação é toda voltada ao deputado federal Ciro Gomes (PSB), que ainda não descartou, nas conversas entre lideranças das legendas, a possibilidade de concorrer ao governo do estado.

Apoiador do senador Aloizio Mercadante (PT), ele considera que Ciro inviabilizou o recebimento de apoio petista no estado ao fazer ataques ao governo. Emidio de Souza entende que o PT tem boas chances de vencer em São Paulo devido ao cansaço gerado pelas sucessivas gestões do PSDB e acusa que José Serra foge da discussão real sobre os problemas.

Confira os principais trechos da entrevista à Rede Brasil Atual

RBA - Por que o senhor desistiu de ser candidato a governador?

Tenho um problema de prazo. Eu, diferentemente dos demais pré-candidatos do PT, sou o único que tenho prazo a obedecer, que é 2 de abril. O PT não amadureceu isso ainda, há muitas dúvidas sobre o caminho a seguir. Eu não posso renunciar a Osasco numa incerteza como essas.

Por outro lado, o presidente Lula manifestou que (preferiria que) o candidato fosse Ciro Gomes ou Aloizio Mercadante. Então, não vou criar problema com isso. Não vejo sentido, quero o PT unido, com candidatura própria.  Cresci nesse processo (de pré-candidatura), ganhei muito respeito e projeção no estado. E vou ser militante de primeira hora dessa campanha. Defendo a candidatura do senador Mercadante. Acho que é a melhor para o PT e acho que vai ser o candidato. Tem tudo para promover um acordo, não ter prévia e se lançar.

RBA - O senhor ainda vê possibilidades de Ciro Gomes ser candidato ao governo estadual?

A possibilidade de ele sair candidato, para mim, está completamente afastada. E ele se inviabilizou com as declarações, o jeito que ele toca as coisas. Não dá. A questão hoje é candidatura própria do PT, estamos montando um arco de alianças e vamos montar palanque muito rapidamente.

RBA - Quando fala que Ciro Gomes se inviabilizou, é em que sentido?

As declarações dele contra o PT, contra a Dilma, contra São Paulo às vezes. Não tem a mínima condição. Quem quer ter apoio do PT não pode sair atacando o partido como ele saiu. Ele se inviabilizou. Nossa militância e nossa direção não aceitam esse tipo de atitude. Não vamos estender o tapete para quem está nos atacando o tempo todo.

 

RBA - Em relação à campanha, qual pode ser a estratégia para bater o PSDB?

Temos tudo para ganhar essa eleição. Há um cansaço em São Paulo. É uma mesmice, não muda nada. É sempre a mesma turma. Em 20 anos – 16 de PSDB e quatro de PMDB, tudo a mesma turma no estado –, o resultado é a educação do jeito que está, a segurança pública cada vez pior, o aumento absurdo e abusivo do número de pedágios no estado, a falta de apoio aos municípios, a falta de apoio ao desenvolvimento regional.

Com a quantidade de investimentos do governo Lula no estado, com um candidato forte, com o apoio do movimento social e a quantidade de partidos que vão se juntar em torno da candidatura, vamos ganhar essa eleição.

RBA - Na escala federal, é vontade do presidente Lula que PT e PMDB estejam juntos. Aqui em São Paulo, essa união não deve ocorrer.

Só por causa do PMDB, que tem compromisso anunciado, por parte do Quércia, de aliança com Serra. Da nossa parte, não temos qualquer dificuldade de conviver com eles. Uma boa parte de prefeitos e lideranças do PMDB vão caminhar com o PT nessa eleição. E o Michel Temer, que tem tudo para ser candidato a vice-presidente da República, vai apoiar a chapa do PT. Vamos batalhar para ter o PMDB oficialmente. Se não der certo, vamos batalhar para ter tudo o que for possível do PMDB dentro da chapa.

RBA - Como o senhor vê a greve dos professores estaduais?

Essa é outra característica do Serra. É um governo extremamente autoritário. Não há uma movimentação em São Paulo, coisa que é normal numa democracia. Trata tudo com autoritarismo, quando não com cinismo.

Se você lembrar, a greve dos estudantes da USP foi resolvida com a polícia. Ele não teve capacidade de diálogo. A greve da Polícia Civil foi reprimida pela Polícia Militar sem diálogo. Agora, na greve dos professores, ele vem falar que é campanha do PT, ele não dialoga. Não reconhece que os salários dos professores são os mais baixos do país. A mesma coisa com os policiais. É um governo que não entra na discussão real dos problemas.

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