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Exposição reúne arte e engajamento e conta três tempos da história do Brasil

As décadas de 1930, 1950 e 1970, descritas por Portinari, Niemeyer, Di Cavalcanti, Oiticica e Scliar, no Memorial Getúlio Vargas
por Xandra Stefanel, especial para RBA publicado 15/05/2013 14h25
As décadas de 1930, 1950 e 1970, descritas por Portinari, Niemeyer, Di Cavalcanti, Oiticica e Scliar, no Memorial Getúlio Vargas
Divulgação
Desenho de Niemeyer

Exposição vai até dia 29 de junho, no bairro da Glória

Oscar Niemeyer disse: “Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o país”. Já para Cândido Portinari, a arte também traduzia a política: “Estou com os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social”. Cada um com sua técnica, ambos – o arquiteto e o pintor – eram engajados politicamente. É este ponto em comum que une mais de 20 artistas na exposição Arte & Política: Enfrentamentos, Combates e Resistências, em cartaz até 1° de julho, no Memorial Getúlio Vargas (MGV), na zona sul do Rio de Janeiro.

A exposição, que tem curadoria de Marcus Lontra Costa, revela, por meio de 70 obras, as estratégias e tensões da arte moderna e contemporânea diante do cenário político brasileiro do século 20. Di Cavalcanti, Hélio Oiticica, Lasar Segall, Carlos Scliar, Lívio Abramo, Rubens Gerchman, entre outros, fazem parte da mostra, que é dividida em três módulos.

No módulo Década de 30, O Enfrentamento, o visitante vai encontrar obras que romperam com o academicismo vigente no país até a realização da Semana de Arte Moderna de 1922. Di Cavalcanti, Segall e Portinari retratam bem essa ruptura, com traços e cores fortes, em quadros que passam pelo Nordeste, mostram trabalhadores rurais e a miséria. Di Cavalcanti filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro e era um dos que adotava postura mais radical na época. Foi perseguido e preso nos anos 30, durante a ditadura estado-novista de Vargas.

O segundo módulo, Década de 50, O Combate, mantém a influência do modernismo apresentado na Semana de 22. Mas agora são outros termos políticos. Desta vez eleito, e já aclamado o “pai dos pobres”, Getúlio enfrente forte crise política e se suicida. Menos de dois anos e três presidentes depois, Juscelino Kubitschek é eleito. Junto com Niemeyer e Lúcio Costa, idealiza a nova capital federal. É a época dos movimentos concretistas presentes nas artes plásticas e na arquitetura.

No terceiro módulo, Década de 70, Resistências, fica evidente a resposta dos artistas à ditadura. A arte era um canal de denúncia e resistência. Depois do AI-5 ficou ainda mais difícil manifestar-se artisticamente. É neste contexto que surgem artistas como Hélio Oiticica e Carlos Scliar, que desempenham um papel transgressor e de denúncia em suas obras.

• Onde: Memorial Getúlio Vargas, Praça Luís de Camões, s/n, Glória, Rio de Janeiro, (21) 2245-7577
• De terça a sábado, das 10h às 17h. Grátis

Algumas raridades farão parte da exposição: desenhos inéditos e a réplica da Mão do Memorial da América Latina, de Niemeyer, o álbum em que Scliar fez retratos de Luís Carlos Prestes e a bandeira original Seja Marginal Seja Heroi, de Oiticica.

Essa é a primeira exposição a ser realizada no memorial desde sua inauguração, em 2004. Instalado no subsolo da Praça Luís de Camões, no bairro da Glória, o acervo fica em um espaço amplo e bem dividido, que por si só já vale a visita.