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Na volta às aulas em São Paulo, gestão Bruno Covas deixa estudantes em pré-escola sem telhas

Emei na zona sul da capital teve o telhado de três salas destruído por árvore em dezembro, mas reforma ainda não foi concluída. Volta às aulas foi hoje

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Área destruída da Emei Tenente Paulo Alves, onde estudam 275 crianças de 4 e 5 anos

São Paulo – A volta às aulas das pré-escolas municipais, administradas pelo governo do prefeito Bruno Covas (PSDB), foi marcada para esta quarta-feira (5). Porém, para os familiares e estudantes da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Tenente Paulo Alves, na Chácara Inglesa, zona sul da cidade, a volta às aulas se tornou motivo de preocupação. Parte das salas de aula estão destelhadas desde 10 dezembro do ano passado, quando uma árvore caiu e destruiu a cobertura dos espaços. A defesa civil e os engenheiros da subprefeitura da Vila Mariana, que avaliaram os estragos, interditaram imediatamente o espaço das três salas atingidas. O restante da escola está liberado para as atividades escolares.

Mas, passadas as férias, o problema continua e as três salas seguem interditadas. A grade de ferro foi destruída no incidente e foi substituída por madeirite. Sem esperanças de que o problema vá ser resolvido com agilidade, a professora Flavia Lago, mãe de uma aluna da unidade, criticou o abandono da unidade. “Você deixaria seu filho de 4 a 5 anos iniciar o ano letivo numa escola nessas condições? O filho ou filha da diretora da DRE (Delegacia Regional de Ensino), do chefe de gabinete do secretário municipal de educação ou do subprefeito da Vila Mariana iniciarão o ano letivo numa escola nessas condições?”, questionou, em postagem nas redes sociais ontem (4).

No local, pedaços cortados da árvore que caiu ainda são visíveis. A própria planta ainda está no local, não tendo sido removida pela Subprefeitura da Vila Mariana. As 275 crianças de 4 e 5 anos matriculadas naquela Emei terão de conviver com a obra e materiais que ficarão no local, ao menos nas próximas semanas, mas também com o risco de a árvore terminar da cair. Flavia se diz insegura de deixar a filha para estudar em uma unidade nessas condições.

“Preciso que minha filha retome as aulas, preciso trabalhar, mas ela estará segura? E se alguma coisa acontecer com ela? São vidas. Vidas de crianças que estão na expectativa do retorno às aulas. Quem garante que essas vidas, tão cheias de futuro e alegria estarão seguras amanhã, depois de amanhã e nas semanas seguintes, enquanto as obras estarão acontecendo na escola e a árvore que ainda oferece risco continua onde está? Quem garante a segurança da vida das nossas crianças?”, disse a professora.

Segundo Flavia, que também integra o conselho da escola, desde 2018 a direção da unidade solicita a poda de árvores na Emei. Mas isso só ocorreu no final de janeiro deste ano, depois do incidente. As obras para consertar os danos causadas pela queda da árvore, nos telhados e na rede elétrica, bem como de acessibilidade dos banheiros da escola, só tiveram início em 21 de janeiro, 15 dias antes da volta às aulas.

Em nota, a DRE do Ipiranga informou que as aulas não estão comprometidas e os 275 alunos serão atendidos em outras 6 salas, nos períodos da manhã e tarde. “A reforma dos banheiros termina hoje (4), e as salas comprometidas seguem isoladas até a conclusão das obras, que de acordo com a Divisão de Obra da Secretaria Municipal de Educação serão finalizadas no prazo máximo de 120 dias”, diz a nota.