Na mesa

Brasil segue sendo o país do arroz com feijão. Um pouco mais de salada. E muito refrigerante

Consumo de açúcar e sal ainda preocupa. Adolescentes comem o dobro de sanduíches, quatro vezes mais pizzas e 20 vezes mais salgadinhos que os idosos

Reprodução
Alimentos com maiores médias de consumo diário per capita, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares

São Paulo – Café, feijão, arroz, suco e refrigerante. Nessa ordem, esses foram os alimentos com maiores médias de consumo diário per capita, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, divulgada nesta sexta-feira (21) pelo IBGE. Em convênio com o Ministério da Saúde, o instituto analisa hábitos do consumo alimentar no país sob vários aspectos (sexo, idade, renda e localização).

A pesquisa detectou mudanças no consumo, embora alguns itens permaneçam sendo básicos. Em relação a 10 anos antes (POF de 2008-2009), a frequência de consumo de feijão caiu de 72,8% para 60,0% e a de arroz de 84%, para 76,1%. Já a presença da salada aumentou de 16% para 21,4%. De acordo com o instituto, a redução do consumo de arroz ocorreu nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. E principalmente entre os 25% com renda maior.

Segundo a pesquisa, as mulheres têm médias mais altas para a maioria das verduras e frutas. Já os homens tiveram estimativas mais altas para quase todos os demais alimentos. Mulheres consomem mais biscoitos, bolos e doces, enquanto os homens, em média, tomam três vezes mais cerveja.

Adolescentes e fast food

“A frequência de consumo de frutas, verduras e legumes é menor entre adolescentes do que entre adultos e idosos, exceto para açaí e batata inglesa”, informa o IBGE. “Os adolescentes consomem o dobro de sanduíches, quatro vezes mais pizzas, nove vezes mais bebidas lácteas e 20 vezes mais salgadinhos que os idosos.”

Em 10 anos, caiu a ingestão de gordura saturada e o consumo de fibras. Mas outros hábitos “continuam bastante presentes no prato e no copo do brasileiro, como adicionar açúcar em bebidas e alimentos e colocar sal em preparações prontas”.

“Nossa alimentação ainda é baseada no feijão, arroz e carne, e isso é positivo”, diz o gerente da pesquisa, André Martins. “Mas temos que melhorar o consumo de frutas e legumes e diminuir o açúcar e o sódio em excesso”, acrescenta. O consumo de carne bovina diminuiu entre adolescentes, adultos e idosos. Por outro lado, cresceu o consumo de aves e suínos no mesmos grupos.

Muito açúcar

Para adoçar bebidas e comidas, 85,4% da população ainda usa açúcar. A frequência diminuiu (era de 90,8%), mas ainda é considerada alta. Sobe para 93% entre adolescentes. O percentual da população que afirma não adicionar nem açúcar nem adoçante subiu de 1,6% para 6,1%, enquanto o uso de edulcorantes artificiais foi de 7,6% para 8,5%. Já a adição de sal a alimentos prontos foi citada por 13,5%, crescendo para 16,5% entre a faixa de homens adultos.

“A ingestão de sódio acima do limite aceitável foi referida por 53,5% da população”, relata o IBGE. “De 2008-2009 para 2017-2018, a participação das proteínas, carboidratos e gorduras na ingestão de energia da população pouco variou. Mas a participação das gorduras saturadas nessa ingestão recuou, provavelmente devido à redução do consumo de carne bovina.”

Como esperado, há mais consumo de alimentos, em sua maioria, na área urbana. Mas a pesquisa aponta diferenças. No setor rural, o consumo de feijão verde ou de /corda, manga, farinha de mandioca, peixes frescos, outros tipos de carne e mortadela é duas vezes maior.

O Centro-Oeste tem o maior consumo médio per capita de arroz, feijão, carne bovina e leite integral. Sul e Sudeste registram as maiores médias para a maioria e frutas e verduras. Já o Nordeste tem como destaque milho e derivados, além de feijão verde ou de corda. E a região Norte “presentou médias mais elevadas para o consumo de açaí, farinha de mandioca, peixe fresco e preparações à base de leite”. O Sul consome o dobro de refrigerante em relação às regiões Norte e Nordeste.