Fosso sem fim

IBGE mostra abismo maior entre ricos e pobres. Desigualdade cresce e assistência cai

Em 2019, o 1% da população ganhava quase 34 vezes mais que metade de menor rendimento. Índice de Gini se manteve em nível recorde, e menos gente está no Bolsa Família

Reprodução/Montagem RBA
Os 10% que ganham menos têm 0,8% do bolo. E os 10% que ganham mais, 42,9%

São Paulo – Dados sobre o rendimento referentes a 2019, publicados nesta quarta-feira (6) pelo IBGE, mostram aumento da diferença entre os ganham mais e menos no país, além do crescimento da desigualdade, medida pelo índice de Gini. Segundo o instituto, no ano passado o 1% da população com rendimento maior recebia, em média, R$ 28.659 mensais, enquanto a metade da população com o menor rendimento ganhava R$ 850. Diferença de 33,7 vezes.

Por sua vez, o índice de Gini do rendimento médio manteve-se no maior nível da série, em 0,509. Segundo o IBGE, houve tendência de redução do indicador de 2012 a 2015, quando chegou a 0,494 – quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade. Mas o índice voltou a subir a partir de 2016.

Entre as regiões, Sul e Centro-Oeste apresentaram os menores índices: 0,451 e 0,485, respectivamente. O maior foi registrado no Nordeste (0,531). Ficou em 0,504 no Norte e no Sudeste.

A massa de rendimento mensal foi estimada em R$ 213,4 bilhões. Desse total, os 10% com menor rendimento ficaram com 0,8%. E os 10% com maior rendimento acumularam 42,9%.

Brancos e homens ganham mais

O rendimento médio real, considerando todas as fontes de renda, ficou estável, estimado em R$ 2.244. Variou de R$ 1.510 (Nordeste) a R$ 2.645 (Sudeste).

A pesquisa mostra, mais uma vez, as diferenças entre os ganhos dos trabalhadores brancos (R$ 2.999), pardos (R$ 1.719) e pretos (R$ 1.673), conforme a classificação do instituto. E também no recorte por gênero: o rendimento dos homens (R$ 2.555) é 28,7% maior que o das mulheres (R$ 1.985).

Diante desse quadro, o percentual de domicílios atendidos pelo programa Bolsa Família caiu de 13,7%, em 2018, para 13,5%. Em 2012, eram 15,9%.