Prioridade invertida

Bolsonaro e Guedes dobram aposta neoliberal e arriscam o futuro da economia

“Eles representam um só projeto, da granada no bolso do brasileiro”, afirmou o economista Eduardo Moreira. Grazielle David diz que reduzir o auxílio emergencial é política homicida

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Grazielle David e Eduardo Moreira (abaixo) no Mutirão Lula Livre. Governo Bolsonaro aposta no pior cenário para lidar com a covid-19 e com o cenário econômico depois de a pandemia passar

São Paulo – Enquanto o restante dos países promove um “cavalo de pau” nas suas políticas econômicas, investindo para salvar vidas e empregos durante a pandemia, o presidente Jair Bolsonaro e o seu ministro da Economia, Paulo Guedes, dobram a aposta no “neoliberalismo”. Diversos estudos apontam que os países que agiram para garantir o isolamento social registraram menores perdas e melhores condições para garantir a retomada da econômicas.

É o que afirma os economistas Eduardo Moreira e Grazielle David, que participaram do Mutirão Digital Lula Livre, neste sábado (30). “Guedes mostra aonde pode chegar a insensibilidade de alguém que deveria estar cuidando da casa”, afirmou Moreira.

Dentre as insensibilidades, Moreira destaca as declarações do ministro durante a reunião de governo do dia 22 de abril, que veio a público dias atrás. Guedes defendeu privatizar o Banco do Brasil, colocar jovens do Exército para abrir estradas recebendo R$ 200, além de uma “granada” no bolso dos servidores públicos, fazendo referência à proposta de congelamento de salários.

“Guedes quer deixar o sistema financeiro todo na mão da iniciativa privada, que recebeu R$ 1 trilhão e aumentou as taxas de juros. Vocês ouviram, durante toda essa crise, algum dono de banco fazer uma reclamação? Nada. É o único setor que não gera riqueza. Os bancos não plantam um alface, não montam uma cadeira. São a estrada por onde passa a riqueza. Mas, no Brasil, o dono do pedágio pega tudo que tem na caçamba do caminhão que está transportando a riqueza”, afirmou Moreira.

Segundo ele, é hora da maioria que não aprova o governo Bolsonaro parar de agir como minoria. Ele lançou a hashtag #Somos70%, que expressa a indignação. Ele prevê que, dada a má distribuição de riquezas no país, os efeitos econômicos da pandemia vão causar um aumento “brutal” da fome no país. “A última esperança é derrubar Bolsonaro.”

Início da queda

Para Grazielle, que é especialista em orçamento público e economia da saúde, a queda de 1,5%, do PIB registrada no primeiro trimestre, é apenas o início de um tombo que pode chegar a até 10%, segundo previsões. Nesse cenário, segundo ela, as ameaças do governo Bolsonaro de reduzir o valor das próximas parcelas do auxílio emergencial colocam a população em risco.

“Qualquer tentativa de retirar renda das pessoas e o socorro às empresas é uma irresponsabilidade, um descompromisso. É um assassinato, mesmo, das pessoas. Porque coloca cada uma delas num dilema que não deveria existir”, afirmou Grazielle, fazendo alusão à suposta contradição entre salvar vidas ou a economia.

O mutirão

O Mutirão Digital Lula Livre é uma ação virtual que pretende dialogar com a população sobre os riscos à democracia, que vêm desde o golpe do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e se aprofundam, atualmente, durante o governo Bolsonaro. Em meio a isso, a perseguição judicial ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi ilegalmente alijado da última disputa eleitoral.

A palavra de ordem é #AnulaSTF, para que o Supremo Tribunal Federal (STF) inicie o julgamento da suspeição do então juiz Sergio Moro. São inúmeros os indícios e provas, inclusive com diálogos publicados pelo The Intercept Brasil, que demonstram que a lei deturpada e usada como arma política para tentar afastar Lula da cena política brasileira.

A TVT e o Brasil de Fato participaram do mutirão, juntamente com outras mais de 70 páginas em transmissão simultânea.