Mutirão Lula Livre

Bolsonaro é ameaça à vida do povo e à democracia

Cleide Alves, líder comunitária em Heliópolis, denuncia a omissão do estado na periferia. Danilo Pássaro, do Somos Democracia, diz que é hora de disputar as ruas com os grupos bolsonaristas

Reprodução
Mutirão Lula Livre: debate amplo sobre a crise sanitária, econômica e política que assola o Brasil

São Paulo – Em Heliópolis, zona sul de São Paulo, segunda maior comunidade em favela do país, falta ação do Estado no combate à pandemia de coronavírus. Os moradores se organizam autonomamente em campanhas de prevenção e distribuição de alimentos aos mais necessitados. As orientações desencontradas passadas pelas diversas esferas de governo, que cedem a pressões dos grupos econômicos pela reabertura das atividades econômicas, tornam o isolamento social um desafio ainda maior. “Não vou nem falar do presidente, porque esse defende a morte”, afirma a líder comunitária Cleide Alves.

O que revolta ainda mais, segundo Danilo Pássaro, integrante do movimento Somos Democracia, da torcida organizada do Corinthians Gaviões da Fiel, é ver grupos bolsonaristas tripudiarem do luto das famílias das dezenas de milhares de mortos pelo país. Ele e outros torcedores do Corinthians desbarataram uma dessas manifestações dos apoiadores do presidente, na Avenida Paulista, no início do mês. “É muito claro que a ala mais reacionária da burguesia e das Forças Armadas estão dispostas a comprar o discurso do governo Bolsonaro. Felizmente, ainda temos a maior parte da sociedade brasileira disposta a defender a democracia”, afirmou ele.

Danilo e Cleide, que é presidenta da União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (Unas), participaram, na tarde deste sábado (30) do primeiro bloco do Mutirão Digital Lula Livre.

Contra o descaso, ação e solidariedade

Cleide contou que, ainda antes da chegada da covid-19, Heliópolis já vivia um surto de desemprego e informalidade que atingia mais da metade dos seus moradores. “Esse golpe não foi somente contra a Dilma, mas contra a classe trabalhadora, contra os pobres.” Prevendo o estrago que a doença causaria, em função da precariedade das políticas na área de saúde, ela e outras pessoas da comunidade partiram para a linha de frente.

“Se os casos aparecessem logo no início, não ia ter hospital para dar conta. Pegamos o carro de som e saímos às ruas, dizendo para o pessoal ficar em casa. Também com faixas e cartazes. Sabemos da dificuldade. A maioria das casas tem apenas um cômodo, onde moram no mínimo quatro pessoas.”

O auxílio emergencial, segundo ela, “demorou muito a chegar”. Sem ação do governo, a Unas também organizou campanhas de arrecadação e distribuição de alimentos, além de máscaras e itens de higiene, como o álcool em gel.

Ela conta que até a primeira semana de março, até os bailes funk tinham sido suspensos. Voltaram depois do discurso de Bolsonaro, que classificou a doença como “uma gripezinha”.

O mutirão

O Mutirão Digital Lula Livre é uma ação virtual que pretende dialogar com a população sobre os riscos à democracia, que vêm desde o golpe do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e se aprofundam, atualmente, durante o governo Bolsonaro. Em meio a isso, a perseguição judicial ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi ilegalmente alijado da última disputa eleitoral.

A palavra de ordem é #AnulaSTF, para que o Supremo Tribunal Federal (STF) inicie o julgamento da suspeição do então juiz Sergio Moro. São inúmeros os indícios e provas, inclusive com diálogos publicados pelo The Intercept Brasil, que demonstram que a lei deturpada e usada como arma política para tentar afastar Lula da cena política brasileira.

A TVT e o Brasil de Fato participaram do mutirão, juntamente com outras mais de 70 páginas em transmissão simultânea.

Democracia em risco

Para Danilo, o governo Bolsonaro se aproveita da crise sanitária, econômica e social para aprofundar o seu projeto autoritário. “Não é que pode ocorrer uma tentativa de golpe. Já está ocorrendo. Na nossa avaliação, a derrubada do regime democrático é um processo” Segundo ele, é preciso “aperfeiçoar a nossa tão nova democracia”, em vez de distruí-la.

As ações do coletivo Somos Democracia se inspiram no histórico de engajamento político da torcida Gaviões da Fiel e no movimento Democracia Corinthiana, que tiveram papel importante nas décadas de 1970 e 1980, em defesa do fim da ditadura.

Neste domingo (31), parte da Gaviões, juntamente de torcedores de outros clubes rivais, voltam à Paulista, a partir do meio-dia, no vão livre do Masp, “para defender a democracia e contra essas manifestações que exaltam a ditadura, a tortura e ridicularizam nossos lutos.” As ações, segundo Danilo, respeitam as recomendações sanitárias. Ele lembra aos que desejam participar do ato, que é indispensável a utilização de máscaras.