Na pandemia

Músicos fazem samba-rock de protesto contra ataque a direitos e desigualdade

Canção, cuja letra fala em truculência, desamparo e ódio, foi lançada nas redes sociais. Faixa também fala das dificuldades vividas pelos trabalhadores da arte

Reprodução
Parte dos músicos que participaram da gravação, lançada sexta-feira, que tem Rosil (embaixo, no centro) como um dos autores

São Paulo – Os músicos paulistas Fabricio Rosil e Ismar Soares lançaram na sexta-feira (22), nas redes sociais, a música Pandemia de Amor, canção assumidamente de protesto contra a retirada de direitos sociais e a desigualdade. A faixa, “um samba-rock de gafieira”, como definem os autores, tem participação de um coletivo de artistas de diversos gêneros (confira todos os nomes no vídeo da gravação, no link ao final do texto).

Segundo ele, a composição também fala da situação causada pelo coronavírus e o impacto nas condições de trabalho, incluindo os músicos. “Afetou muito a carreira, numa proporção devastadora, é uma fase de adaptação em todas as esferas artísticas”, diz Fabricio. “Alguns estão dando aula, montando cursos, fazendo apresentações através de lives, mas sem suprimento das necessidades básicas essenciais.”

Formado na Universidade Livre de Música, ele passou a compor em 2004. Já participou de vários festivais e acompanhou gente como Anaí Rosa, Badi Assad, Dominguinhos, Fabiana Cozza, Monarco e Ney Lopes, entre outros. Já Ismar também trabalha com ilustração, vídeo e fotografia, e é diretor de arte há mais de 20 anos.

Como muitos outros, eles aguardam a votação do Projeto de Lei 2.545, que trata de um auxílio emergencial para artistas, estabelecendo que emissoras de TV, plataformas digitais e canais por assinatura paguem 2% do faturamento por obra veiculada. O PL, que tramita na Câmara, é de autoria dos deputados Lídice da Mata (PSB-BA) e Tadeu Alencar (PSB-PE).

Confira a letra, abaixo. E assista aqui ao vídeo com a gravação.

Pandemia de Amor
Ismar Soares / Fabrício Rosil

Sim, eu tenho medo
Dessa truculência
Dessa decadência
Desse falso enredo

Sim, eu tô com medo
Desse desamparo
Desse despreparo
Desse gosto azedo

Não é nada fantasia
O ódio é uma epidemia
Tira o amor à revelia
Avesso à sabedoria

Sim, é muito medo
Dessa pré-vidência
Desse pau no aro
Dessa anticiência
Desse preço caro
Dessa penitência
Desse vão disparo
Dessa indecência
Desse não reparo
Desde já degredo

Sim, venho vivendo
Nessa resistência
Nessa delinquência
Nessa unha roendo

Sim, eu tô vivendo
Nessa traquitana
Nessa caravana
Nessa eu não me rendo

Não quero patifaria
O amor é pandemia
Tira a dor dessa sangria
Avesso à demagogia

Sim, vamos vivendo
Nessa consistência
Nessa nau bacana
Na malemolência
Na cana caiana
Nessa experiência
Nessa mesma gana
Nessa entorpecência
Nossa força emana
Desde já fazendo