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Gestão Haddad despertou espírito de carnaval de rua na cidade, diz gestor cultural

Gestor cultural Guilherme Varella explica que ex-prefeito contribuiu para a democratização da festa e a ocupação dos espaços públicos pelos cidadãos

EBC
Carnaval de rua em SP

Haddad atendeu o pedido de descriminalização do carnaval e a desburocratização para as saídas dos blocos

São Paulo – Sem hierarquia, democrático e valorizando a ocupação das ruas da cidade. O carnaval de rua de São Paulo tem crescido a cada ano e a gestão de Fernando Haddad foi a responsável por despertar o sentimento carnavalesco em um sentido mais popular. A análise é do gestor cultural e ex-chefe de gabinete da secretaria municipal de Cultura Guilherme Varella, que participou do governo que reorganizou o carnaval de rua na capital paulista, a partir de 2013.

“A marca deixada por Haddad é o incentivo e a valorização das pessoas ocupando as ruas, como espaço de troca e aprendizado”, afirma Guilherme, à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

O gestor cultural lembra que o prefeito recebeu o coletivo Manifesto Carnavalista, representante de diversos blocos paulistanos. O pedido era em prol da “descriminalização” do carnaval na cidade e pela desburocratização das saídas dos blocos. 

A partir disso, a prefeitura elaborou uma política pública sobre o tema e publicou um decreto reorganizando a folia. Ao todo, a cidade teve naquele ano 210 blocos, contra 40 no ano anterior, segundo a SPTuris.

Segundo Guilherme, a cidade sempre teve a tradição do carnaval, mas não havia uma visão da prefeitura para organizar a cidade em relação ao carnaval de rua. “Era preciso assumir que São Paulo possui um espírito carnavalesco e de que é uma festa relativa ao direito cultural da população. Ver como o carnaval como direito, merecendo uma política pública, além de garantir que quem o constrói são os blocos e foliões.”

Apesar de a política ter sido consolidada e a cidade receber mais de 500 blocos neste ano, já é possível perceber no pré-carnaval de 2019 mudanças no comportamento da Polícia Militar. No último sábado, policiais apreenderam instrumentos musicais e agrediram uma foliona que participava do Bloco Clandestino, não autorizado pela prefeitura de São Paulo, durante o cortejo na Praça da República, centro da capital.

Segundo Varella, há risco de mudança de diretriz, que autoriza práticas que antes não eram, como a repressão policial. “A gente soube de blocos que tiveram a Polícia Militar no seu encalço, isso vai na contramão do entendimento da peculiaridade que é o carnaval e seu exercício pleno de liberdade nas ruas. O Estado tem duas funções: fazer  carnaval acontecer e respeitar essa liberdade individual e de expressão. Quando a Polícia age com autoritarismo é uma violação de liberdade de expressão”, criticou.

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