Identidade nacional

Nelson Pereira dos Santos, nas raízes do cinema brasileiro

Diretor morreu neste sábado, aos 89 anos. 'Inventou um jeito brasileiro de fazer cinema e um jeito cinematográfico de amar o Brasil', disse Juca Ferreira

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Cena de “Rio 40 Graus”, filmado em 1955: a realidade brasileira chega às telas do cinema

São Paulo – Rio 40 Graus, Rio Zona NorteBoca de Ouro, Vidas Secas, Memórias do Cárcere são alguns dos longas dirigidos por Nelson Pereira dos Santos, que morreu neste sábado (21), em consequência de um câncer, no Rio de Janeiro, aos 89 anos. Paulistano, completaria 90 em outubro. “O Nelson inventou a maneira de fazer cinema no Brasil”, disse, por exemplo, Cacá Diegues. “É um dos construtores deste pais”, afirmou Caetano Veloso, para quem o autor trouxe “um núcleo que faltava” ao cinema nacional.

O compositor e também cineasta Sérgio Ricardo escreveu um depoimento emocionado em rede social. “Nelson Pereira dos Santos, dos Deuses, dos Sábios, dos Gênios, dos humildes, da generosidade, do amor maior, por aí afora na dança dos predicados do ser íntegro, que deixa um lastro quilométrico de competência e humanidade, merecedor de um monumento de gratidão a se erguer no cenário de nossa cultura, cujo cinema emancipou-se a partir de sua obra como ponto de partida da linguagem de um Brasil verdadeiro.”

Com obras precursoras, como Rio 40 Graus, de 1955, retratando o morro e sua realidade, o diretor abriu caminho para o que depois se chamaria movimento do Cinema Novo. O ex-ministro da Cultura Juca Ferreira afirmou que ele “enxergou o Brasil e o povo brasileiro como ninguém havia feito antes”, criando “um olhar original e universal”. Foram mais de 20 longas, lembrou: “Em quase todos, mesmo na comédia, denunciou as mazelas do capitalismo subdesenvolvido nacional e elogiou nossa capacidade de criar e resistir às injustiças”.

“Nelson Pereira dos Santos inventou um jeito brasileiro de fazer cinema e um jeito cinematográfico de amar o Brasil. Essa é uma luz que não se apaga”, disse Juca, que postou uma foto com cena do filme Vidas Secas (1963), inspirado no romance de Graciliano Ramos.

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