Dica de leitura

Livros para entender o caráter estrutural e sistêmico do racismo

Obras da Boitempo que você pode adquirir por meio da parceria com a RBA, apoiar nosso trabalho e ter acesso a um debate sobre raça e classe

Pixabay
Protestos contra a morte de George Floyd nos Estados Unidos se repetiram em diversos países em maio

São Paulo – Desde que a imagem de George Floyd sendo estrangulado por um policial branco chocou milhões de pessoas, protestos contra o racismo estrutural e a violência policial tomaram conta não só dos Estados Unidos, mas de todo o mundo. Não é a primeira vez que o debate sobre racismo e violência ocupa os noticiários. Por aqui, a violência policial é blindada pela impunidade. A maioria das vítimas é negra e periférica, realidade que ficou ainda mais exposta durante a pandemia. Confira dicas de livros para entender o racismo no Brasil e no mundo.

Uma autobiografia, de Angela Davis

Lançada originalmente em 1974, a obra é um retrato contundente das lutas sociais nos Estados Unidos durante os anos 1960 e 1970 pelo olhar de uma das maiores ativistas de nosso tempo. Angela Davis, à época com 28 anos, narra a sua trajetória, da infância à carreira como professora universitária, interrompida por aquele que seria considerado um dos mais importantes julgamentos do século 20 e que a colocaria, ao mesmo tempo, na condição de ícone dos movimentos negro e feminista e na lista das dez pessoas mais procuradas pelo FBI.

A nova segregação, de Michelle Alexander

Ao analisar o sistema prisional dos EUA, Alexander fornece uma das mais eloquentes exposições de como opera o racismo estrutural e institucionalizado nas sociedades ocidentais contemporâneas. Para a autora, o encarceramento em massa se organiza por meio de uma lógica abrangente e bem disfarçada de controle social racializado. E funciona de maneira semelhante ao sistema ‘Jim Crow’ de segregação, abolido formalmente nos anos 1960 após o movimento por direitos civis nos Estados Unidos.

Meu crespo é de rainha, de bell hooks

Publicado originalmente em 1999 em forma de poema rimado e ilustrado, esta delicada obra, do selo Boitatá, apresenta às meninas diferentes penteados e cortes de cabelo de forma positiva, alegre e elogiosa. Um livro para ser lido em voz alta, indicado para crianças a partir de três anos de idade – e também mães, irmãs, tias e avós – se orgulharem de quem são e de seu cabelo ‘macio como algodão’ e ‘gostoso de brincar’.

Margem Esquerda 27

O dossiê Marxismo e questão racial, organizado por Silvio Luiz de Almeida, traz quatro artigos na revista semestral da Boitempo. “Estado, racismo e materialismo”, de Alessandra Devulsky, mostra como o Estado, o direito e o racismo são componentes estruturais da reprodução do capitalismo. Em “Dilemas da luta contra o racismo no Brasil”, Dennis de Oliveira apresenta o conceito de ação direta do capital, demonstrando como o avanço das políticas neoliberais e o predomínio do capital financeiro estão associados ao extermínio da população negra. Marcio Farias, em “Pensamento social e relações raciais no Brasil: a análise marxista de Clóvis Moura”, relembra o legado do historiador piauiense e suas inovadoras leituras sobre o marxismo, a escravidão e nossa formação social. Por fim, Rosane Borges, em “Feminismos negros e marxismo: quem deve a quem?”, mostra-nos a relação teórica e prática entre feminismo negro e marxismo.

Pensamento feminista negro, de Patricia Hill Collins

Escrito em 1990, essa obra faz parte do cânone bibliográfico dos estudos de gênero e raça nos Estados Unidos. A autora mapeia os principais temas e ideias tratados por intelectuais e ativistas negras estadunidenses como Angela Davis, bell hooks, Alice Walker e Audre Lorde. E assim constrói um panorama do feminismo negro com referências de dentro e de fora da academia.

Os jacobinos negros, de C. L. R James

O autor faz um relato minucioso da insurreição de escravos que expulsou os colonizadores franceses de São Domingos, antigo nome do Haiti. Na colônia, principal parceiro comercial da França, a população negra que gerava a riqueza era 10 vezes maior do que a dos brancos. Ali, os ideais da revolução na Metrópole, que pregava ‘liberdade, igualdade e fraternidade’ ecoaram nas lideranças dos escravos rebelados, os jacobinos negros.

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