Assassinato em SP

Corregedoria da PM apresenta versão ‘absurda’ para morte de ambulante: ‘Parece fake news’

Jovem, negro e periférico, foi encontrado morto após ser levado por uma viatura. PM diz que morte foi resultado de cárcere privado, mas não foi homicídio

REPRODUÇÃO/PONTE
Para Adilson Paes de Souza, tenente-coronel aposentado da PM de São Paulo, há corporativismo no indiciamento da corregedoria

São Paulo – A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo indiciou oito policiais suspeitos de envolvimento na morte do vendedor ambulante David Nascimento, no mês passado, alegando “cárcere privado com resultado morte”, mas não por homicídio. O teor do documento emitido pela órgão causou estranheza para Adilson Paes de Souza, tenente-coronel aposentado da PM paulista. Para ele, os sinais de corporativismo são claros

“Eu vivi 30 anos na PM, mas a cada dia me surpreendo mais com as notícias. Essa interpretação (da Corregedoria) eu nunca vi, achei que fosse fake news de tão absurdo que é. Um absurdo jurídico, que passa a mensagem de impunidade e de que sempre haverá a proteção à quem ceifar a vida das pessoas”, criticou Adilson à Rádio Brasil Atual.

Davi Nascimento, mais uma vítima da violência da PM paulista contra jovens negros (Foto: arquivo pessoal)

David, de 23 anos, foi encontrado morto no dia 24 de abril, após ser abordado por policiais próximo à sua casa, na Favela do Areião, no Jaguaré, zona oeste da capital paulista. Ele foi visto entrando na viatura policial e, horas depois, seu corpo foi identificado por familiares em um hospital de Osasco, na Grande São Paulo.

O indiciamento feito pela Corregedoria da Polícia Militar aponta que os policiais atrapalharam a perícia, pois trocaram as roupas da vítima, e ainda deram uma “versão mentirosa” para os fatos, ao acusar o jovem de trocar tiros.

Segundo Adilson, ao trabalhar dessa forma, a Corregedoria é cúmplice de maus policiais. “O coronel que apurou esse caso é o mesmo que culpou os pais das vítimas de Paraisópolis pelas mortes de seus filhos (em dezembro, passado, nove jovens morreram, entre asfixiados e pisoteados, após uma intervenção truculenta da PM contra um baile funk). Ele inova a cada caso. O jovem (David) foi morto com um tiro no peito e na cabeça, os policiais quiseram matá-lo.”

O encarregado pelo Inquérito Policial Militar (IPM) na Corregedoria é o capitão Rafael Casella. Na ocasião da chacina em Paraisópolis, ele afirmou que os policiais teriam agido “em legítima defesa própria e de terceiros”.

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