Verdade e memória

Mulheres protagonistas na luta por justiça às vítimas da ditadura são tema de livro

Em “Heroínas desta História”, a vida e a luta de 15 mulheres de diversas idades, regionalidades e representatividades, são retratadas na obra que será lançada na próxima terça (17)

Divulgação
"Foi graças à elas que a gente sabe, o que conseguimos saber, sobre a ditadura e suas vítimas. Já era hora de falar delas, as protagonistas dessa luta", destaca uma das organizadas Carla Borges

São Paulo – As histórias de vida e de luta de 15 mulheres atingidas pela violência do Estado, durante a ditadura civil-militar, são destaque no livro Heroínas desta História – Mulheres em busca de justiça por familiares mortos pela ditadura, que será lançado na próxima terça-feira (17), em São Paulo. Na obra, realizada em parceria entre o Instituto Vladimir Herzog e a Autêntica Editora, vítimas da repressão ganham a face feminina para mostrar um aspecto menos conhecida da violência militar: a resistência de mulheres de diferente grupos sociais pela memória e a verdade. 

Camponesas, operárias, indígenas, mulheres da classe média e da periferia do Sudeste ao Nordeste do país relembram esse período obscuro no livro, que será lançado na Unibes Cultural, no bairro do Sumaré, zona oeste da capital paulista, a partir das 19h. 

“Foi graças à elas que a gente sabe, o que conseguimos saber, sobre a ditadura e suas vítimas. Já era hora de falar delas, as protagonistas dessa luta”, destaca uma das organizadoras do livro, Carla Borges, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas da Rádio Brasil Atual

Entre as retratadas, estão nomes conhecidos como Clarice Herzog, Elizabeth Teixeira, Eunice Paiva, Clara Charf, além da cacique xavante Carolina Rewaptu. De acordo com a organização, a proposta da obra era garantir a visibilidade destas mulheres a partir de critérios como idade, regionalidade e representatividade. 

Na Rádio Brasil Atual, a jornalista e também organizadora do Heroínas desta História, Tatiana Merlino – que na ditadura teve um tio assassinado pelo torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra –, ressalta a importância do livro em tempos de negacionismo e revisionismo da história e de ataque às mulheres, representados pelo próprio presidente da República, Jair Bolsonaro. 

“É fundamental trazer a luta dessas mulheres, porque além de toda uma ode à ditadura, tortura e à violência militar, a gente está vendo um momento de misoginia, vide os ataques recentes às nossas colegas jornalistas”, explica Tatiana em referência às mentiras propagadas contra a repórter Patrícia Campos Mello e o ataque à também jornalista Vera Magalhães. “São 40 anos de luta de muitas delas (mulheres do livro), luta que se inicia durante a ditadura militar e que segue até os dias atuais entre as mulheres que estão vivas”, acrescenta. 

  • SERVIÇO
  • Lançamento do livro Heroínas desta História – Mulheres em busca de justiça por familiares mortos pela ditadura
  • Data: 17 de março de 2020, às 19h
  • Local: Unibes Cultural – R. Oscar Freire, 2.500, Sumaré – São Paulo/SP

Confira a entrevista na íntegra