RIO DE JANEIRO

Mãe perde a guarda do filho porque mora em comunidade em Manguinhos

OAB vai pedir esclarecimentos ao Tribunal de Justiça. “E eu procuro dar o melhor ensino para o meu filho”, afirma a mãe, inconformada

TVT/reprodução
Rosilaine Santiago, agente comunitária de saúde, perdeu a guarda do filho de oito anos, em decisão classificada como 'esdrúxula' pela OAB do Rio

São Paulo – É um caso absurdo. No Rio de Janeiro, uma mãe perdeu na Justiça a guarda do filho por morar em uma comunidade. Em 2017, a primeira sentença com teor preconceituoso já havia sido anulada após a defesa da mãe apontar uma série de erros no processo.

Na nova decisão, o juiz justifica que a mãe teria menos condições de cuidar da criança e que a comunidade de Manguinhos, onde a família mora, na zona norte do Rio, seria uma área criminosa, diferente da cidade próspera em que o pai reside.

Rosilaine Santiago, agente comunitária de saúde, perdeu a guarda do filho de oito anos. De acordo com o juiz do caso, o Rio de Janeiro se tornou “uma sementeira de crimes e, portanto, seria melhor para a criança ficar com o pai”, um suboficial da Marinha que mora em Joinville (SC).

A mãe foi entrevistada em reportagem do Seu Jornal, na TVT. “O problema que existe na comunidade existe em qualquer outro lugar. A segurança é um problema do país; está muito falha. E eu procuro dar o melhor ensino para o meu filho, uma boa alimentação, saio sempre com ele para passear, tudo o que uma criança que não mora na comunidade tem, ele pode ter também, porque eu me esforço para isso”, afirma Rosilaine.

A OAB do Rio classifica a sentença como “esdrúxula” e vai pedir esclarecimentos ao Tribunal de Justiça sobre a decisão. “Vamos apresentar um pedido de inclusão da OAB no processo”, afirma o assistente judiciário da Ordem Álvaro Quintão. “Vamos discutir basicamente os fundamentos preconceituosos contra a mãe, contra a comunidade carente, contra o Rio de Janeiro e aqueles absurdos da sentença”, diz.

Confira a reportagem da TVT: