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Trabalho escravo

Nova 'lista suja' tem pastelarias e empresa na Cidade do Rock

Relação atualizada inclui 165 nomes de empresas e empregadores, com quase 2.300 pessoas flagradas pela fiscalização
por Redação RBA publicado 11/04/2018 13h33, última modificação 11/04/2018 13h50
Relação atualizada inclui 165 nomes de empresas e empregadores, com quase 2.300 pessoas flagradas pela fiscalização
MPT/BA
escravidão

Fiscalização flagra fazenda com escravos na Bahia em 2017: prática agora também atinge áreas urbanas

São Paulo – Por decisão judicial, o Ministério do Trabalho publicou ontem (10) uma versão atualizada da chamada "lista suja", o cadastro de empregadores autuados por submeter trabalhadores à condição análoga à de escravo. A nova relação tem 165 nomes de patrões e empresas. Confira aqui a nova relação, com acréscimo de 34 nomes – a anterior havia sido divulgada em outubro. No total, são quase 2.300 trabalhadores flagrados pelo país.

Além de lugares "tradicionais" em que a prática é flagrada, como fazendas, carvoarias e oficinas de costura, a lista traz locais como pastelarias e lanchonetes. São sete pastelarias, todas no Rio de Janeiro, com 13 pessoas – a fiscalização tem encontrado chineses nesses estabelecimentos. Uma fica no bairro de Copacabana, na zona sul, um dos cartões-postais da cidade. A "lista suja" também inclui uma empresa de alimentos na Cidade do Rock, também no Rio, envolvendo 17 trabalhadores. 

Dos 165 nomes, 42 são de Minas Gerais. Em seguida, vem o Pará, com 20. Apenas em um grupo de fazendas em Minas, foram flagrados 348 trabalhadores em situação de escravidão. Em um canteiro de obras de Conceição de Mato Dentro, no mesmo estado, outros 173. A terceira maior quantidade vem de uma usina de açúcar e álcool de Perobal (PR).

"A lista precisa ser atualizada e divulgada periodicamente, para cumprir seu papel como uma das mais poderosas ferramentas na luta pela erradicação do trabalho escravo", afirma o presidente do Sinait (sindicato dos auditores-fiscais do trabalho), Carlos Silva. 

No ano passado, o Ministério do Trabalho baixou portaria modificando o conceito de trabalho escravo. Houve forte reação contrária, e a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a norma. Posteriormente, o próprio ministério recuou.