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Evento público no Rio discute a relação da segurança com a intervenção federal

Com clima de incertezas e preocupações, movimentos sociais criaram uma rede para denunciar casos de violações de direitos

TVT/REPRODUÇÃO
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Diante de ‘cenário preocupante’, discussão levantou os vários aspectos e diferentes visões sobre a forma de lidar com a situação

São Paulo – Com a aprovação da intervenção militar no Rio de Janeiro, o temor é que a população pobre e vulnerável das favelas sejam as mais atingidas por arbitrariedades. Pensando nisso, instituições e movimentos sociais realizaram o Fórum Cívico da Segurança, na última terça-feira (20), para pensar estratégias de defesa da política pública de segurança como direito social e pautada na preservação da vida.

“O liga o alerta é sempre essa trajetória das operações atingirem principalmente as áreas mais pobres, as periferias, favelas, região de São Gonçalo. Então a gente tem que ficar de olho enquanto sociedade civil para que não ocorram abusos”, afirma o coordenador da Casa Fluminense, Douglas Almeida, em entrevista à repórter Viviane Nascimento, da TVT.

Intervir com as forças armadas em um estado é fato inédito desde a redemocratização, o que cria um clima de incertezas no Rio. “Se é inédita na democracia ela precisa adotar procedimentos democráticos. A gente não pode mais teu pensamento de que a segurança pública se dá somente por uma ótica de estratégia militar. Precisamos ter garantias em curtíssimo, médio e longo prazo”, diz o urbanista Washington Fajardo. 

A discussão acalorada levantou os vários aspectos e diferentes visões sobre a forma de lidar com a situação. “É saudável esse encontro. A gente ainda tem desafios de como produzir mais convergências da sociedade civil para atuar nesse sentido. Eu espero que a gente possa também entender um pouco mais do que está acontecendo, por enquanto ainda são informações que vêm incompletas, mas o cenário é muito preocupante“, lamenta Pedro Strozenberg, ouvidor da Defensoria Pública do Rio de Janeiro. 

No fórum foi decidida a criação de uma rede de resistência à intervenção centrada na preservação da vida, acompanhando e denunciando os casos de violação de direitos. “Uma rede de resistência pode ser muito positiva e também construtiva, porque dizendo “não”, sem hesitação, nós passamos uma mensagem às denúncias de violações. Isso é muito mais eficaz do que tentar convencer o general a adotar alguma medida. Mais uma vez teremos uma lição prática que esse tipo de atitude autoritária não funciona. É mais do mesmo e acaba amplificando a violência, sobretudo contra os negros e pobres”, conclui Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública.

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