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Reformas de Temer beneficiam apenas a ‘casa-grande’

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, ativista comenta o conjunto de reformas propostas pelo governo e ação do MPF, por racismo, contra Bolsonaro
Publicado por Redação RBA
12:18
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arquivo/EBC
população negra

Racistas, machistas e homofóbicas, reformas propostas por Temer ignoram realidade vivida pela população pobre, preta e periférica

São Paulo – Para Sandra Mariano, da Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen), o conjunto de reformas pretendidas pelo governo Temer – com mudanças na aposentadoria, flexibilização das leis trabalhistas e ampliação da terceirização – configuram um pacote racista, machista e homofóbico. “Vai atingir negros, pobres e periféricos, que têm menores salários e estão na base da pirâmide.”

Ela afirmou, em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta terça-feira (11), que tais medidas beneficiam apenas a “casa-grande” e cita como descabida a proposta de igualar a idade mínima para homens e mulheres para as aposentadorias. Segundo Sandra, ações como essas demonstram o total desconhecimento da realidade desgastante vivida por uma empregada doméstica, por exemplo, que enfrenta dupla ou tripla jornada. 

Bolsonaro

A integrante do Conen comentou ainda a decisão do Ministério Público Federal (MPF) que decidiu processar o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por declaração racista proferida em evento na semana passada, quando afirmou que negros quilombolas “não servem nem para procriar”. O MPF pede indenização de R$ 300 mil a ser paga pelo deputado.

Para Sandra, a indenização não apaga o estrago causado pelas declarações racistas e defendeu que a Câmara também se mobilize pela cassação do mandato de Bolsonaro. “Chegou no limite. Não podemos aceitar, enquanto movimento negro, e as instituições têm que fazer alguma coisa. Ele não serve para representar o povo. É racismo, é crime”, afirmou a militante, que acrescenta que sem a devida punição, o caso abre grave precedente para a banalização do racismo. 

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