Capitão Ubirajara

No aniversário do golpe, delegado acusado por tortura é alvo de escracho em São Paulo

Delegado Aparecido Laertes Calandra é suspeito de envolvimento na morte do jornalista Vladimir Herzog. Em depoimento recente à Comissão da Verdade, afirmou ser apenas um 'burocrata' da ditadura

Danilo Verpa/Folhapress
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Para o movimento, a importância do ato é não deixar que as ações da ditadura caiam no esquecimento

São Paulo – O Movimento social Levante Popular da Juventude realizou escracho nesta manhã, às 6h30, em frente à casa do delegado Aparecido Laertes Calandra, conhecido como Capitão Ubirajara, no bairro do Ipiranga, na capital paulista. O capitão é acusado de torturas e mortes ocorridas no Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no período da ditadura.

O movimento Levante Popular da Juventude contabilizou 100 participantes. Segundo Pedro Freitas, integrante do Levante, foram entregues panfletos e alertas aos vizinhos. Eles pintaram o rosto e fizeram uma batucada, e também picharam frases como “Aqui mora um torturador” no muro próximo à casa de Calandra.

Para o movimento, a importância do ato é não deixar que as ações da ditadura caiam no esquecimento. “O escracho tem como objetivo não deixar que a juventude brasileira esqueça o dia em que se completa os 50 anos do golpe militar, que submeteu nosso país a uma ditadura de mais de 20 anos, e denunciar todos os abusos e violências sofridas pelos militantes que se recusaram a aceitar as arbitrariedades impostas pelo regime de exceção que vigorou no Brasil até 1985”, diz a nota que comunica a realização do escracho.

“O ato é para pedir a punição dos torturadores e mostrar que esses torturadores ainda estão soltos e nem os vizinhos sabem disso”, afirma uma das porta-vozes do movimento, a estudante de Letras da USP Luiza Troccoli.

Entre as acusações contra Aparecido Laertes Calandra encontram-se o envolvimento na morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, e o desaparecimento do estudante Hiroaki Torigoe, integrante do Movimento de Libertação Popular (Molipo), sequestrado em 1972.

Em agosto de 2010, o Ministério Público Federal moveu uma ação contra Calandra por envolvimento em torturas. Em dezembro do ano passado, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) realizou sessão com depoimentos do delegado, que negou seu envolvimento em torturas cometidas pelo DOI-Codi ao longo da década de 1970. Ele afirmou que ele foi um burocrata da ditadura, e nunca ouviu falar de torturas no DOI-Codi.

Na sessão, o jornalista Sérgio Gomes, torturado pelo Capitão Ubirajara, esteve presente, e relatou as torturas sofridas. O advogado Pedro Dallari, integrante da CNV, afirmou que as declarações não condiziam com as informações coletadas. José Carlos Dias, também presente na audiência, considerou que o depoimento prestado por Calandra foi “cínico”.

*Com informações da Agência Brasil

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