País dos arroubos

É impossível conviver com o Brasil de nossas autoridades. Por Ariovaldo Ramos

O Brasil de nossas autoridades não existe, mas, por causa desse inexistente país das autoridades, o Brasil que existe não é mais levado em conta.

Marcos Correa/PR

É impossível conviver com o Brasil de nossas autoridades. O Brasil dessas autoridades é o país da naturalização. Neste país tudo é explicado da forma mais simplória possível: 136 mil mortos pela covid-19 é, apenas, uma fatalidade que não deve causar maior preocupação, porque o presidente não vê “no mundo quem melhor enfrentou a pandemia do que nós.”

O fogo no Pantanal que, segundo os povos originários, veio de fora, é tido como decorrência de crise climática. A devastação da Amazônia e dos demais biomas é tida como inexistente, e o Brasil é apresentado como o país que mais bem cuida do meio ambiente. O ex-presidente do terceiro poder disse que militar fazer apologia à ditadura é, meramente, cultural.

Nesse Brasil a destruição do serviço público é chamado de reforma administrativa, assim como a destruição da aposentadoria foi chamada de reforma da previdência, e a destruição das relações de trabalho, com a destituição dos direitos dos trabalhadores e precarização do trabalho foi chamada de reforma trabalhista.

O presidente, que não é médico, receitou remédio para o povo, sequer foi denunciado por prática ilegal de medicina, embora seus ministros (da saúde e da defesa) estarão, agora, sendo investigados, por ordem da PGR, que acatou o pedido de deputada da oposição, sobre o aumento da produção desse remedio pelo laboratório do exército.

E, agora, o presidente diz que “conversinha mole de ficar em casa é para os fracos”. Pronto! Se alguém se cuida em relação à pandemia é fraco… o Brasil de nossas autoridades vive de arroubos.

Arroubos

O novo presidente do Judiciário diz que deve ser revisto voto do plenário, sobre prisão em segunda instância. Isso porque os votos de seus colegas não contiveram profundidade jurídica.

Arroubos que, na economia, geraram a fome e a proposta de transferir renda dos pobres para os miseráveis, enquanto os ricos continuam a desfrutar desse paraíso fiscal.

O Brasil de nossas autoridades vive de naturalização, de arroubos e de apropriação indébita. Chamando de seu o que a oposição lhe impôs: tal como a renda emergencial de R$ 600, ou a aprovacão do Fundeb.

O Brasil de nossas autoridades não existe, mas, por causa desse inexistente país das autoridades, o Brasil que existe não é mais levado em conta.

ariovaldo ramos
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