Quadro desolador

Ariovaldo Ramos: temos de derrubar a casa-grande, que conduz a morte como política

O descaso no combate à pandemia com a promulgação, mal disfarçada, de um genocídio dos empobrecidos, dos negros e dos indígenas, fala da política que assumiu o controle do governo e está a determinar o futuro de um país que não terá mais nação, apenas pretensos senhores e escravizados.

Um jantar brasileiro (1927) / Jean-Baptiste Debret

Passamos a marca dos 64 mil mortos por covid 19, e os bares do Leblon lotam.

E o presidente vetou a obrigatoriedade do uso de máscaras em igrejas e lojas.

O governador de São Paulo antecipa a reabertura de academias de ginástica.

A OMS diz que o Brasil segue receita para espalhar mais coronavírus.

O quadro brasileiro é desolador.

Todas estas noticias não revelam como os pobres estão sendo afetados pelo caminho escolhido pelos governos federal e de São Paulo. E muitos dos demais governos locais não ficam a dever quanto ao caminho que vem sendo trilhado, também trabalham assim.

Os pobres são os mais afetados por toda essa irresponsabilidade.

O número recorde e crescente de mortos, mais do que tem sido percebido, revela a política escolhida para a tomada de decisão governamental.

Não é de estranhar, portanto, o rumo da economia brasileira, que vê como desperdício ajudar as pequenas e médias empresas, e que convive com mais de 85 milhões de trabalhadores sem emprego, e grande parte, literalmente, sem acesso a renda alguma; que privilegia o rentismo em detrimento da produção.

Não é de estranhar, portanto, a escolha por uma politica de destruição do sistema educacional, pela desvalorização do professorado e pela revisão da política de acesso aos mais pobres, e com a insistência na privatização.

E que a política ambiental seja a de destruição dos mais diversos biomas.

Não é de estranhar, portanto, que a política agrícola seja pela valorização do agronegócio em detrimento do pequeno agricultor e do agricultor familiar, que é quem planta alimento, enquanto envenena o campo com agrotóxicos que ninguém, no mundo, utiliza mais.

E que a Funai seja entregue a religiosos neo-colonialistas que, simplesmente, assistem ao genocídio dos povos originários.


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Quando vamos perceber que a postura do governo quanto ao combate à pandemia revela toda a intenção governamental, quanto a tudo?

E que quem cimentou o caminho para a chegada desta política ao poder, não tem outra intenção, senão a mesma que se plastifica, com toda a crueldade inerente, no número de mortes pelo vírus?

Golpistas de 2016; “lava-jato” com sua alta traição, com a prática da prisão política e da chantagem para provocar delações, com a intencional destruição da construção civil brasileira; a destruição dos ativos por meio de privatizações catastróficas; destruição da Petrobras; destruição da soberania nacional; a elite escravista disfarçada de neoliberal, que, agora, tenta atrair a esquerda pusilânime para um acordo, mas, não antes de ver o fim das relações de trabalho.

O descaso no combate à pandemia com a promulgação, mal disfarçada, de um genocídio dos empobrecidos, dos negros e dos indígenas, fala da política que assumiu o controle do governo e está a determinar o futuro de um país que não terá mais nação, apenas pretensos senhores e escravizados.

Temos de derrubar a “casa-grande”.

ariovaldo ramos

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