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Gestão Bolsonaro do coronavírus só aumenta o ‘vergonhômetro’

“Inaugurado” pelo presidente ao arriscar centenas de vidas no 15M, medidor da vergonha alheia continua subindo com medidas que “combatem o combate” ao coronavírus

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Jair Bolsonaro inaugurou o vergonhômetro do coronavírus e abriu a porteira para que outros mantenham a postura que pode elevar o contágio a níveis inimagináveis

São Paulo – Apesar de a principal recomendação da Organização Mundial de Saúde ser o isolamento para evitar a propagação do novo coronavírus, o presidente da República, Jair Bolsonaro, ignorou e foi pra galera.

No dia 15, durante os atos que pediam o fechamento do Congresso Nacional (o poder Legislativo) e do Supremo Tribunal Federal (o poder Judiciário), o mandatário da República (poder Executivo) foi para a frente do Palácio do Planalto, abraçou fãs, fotografou selfies, falou muito próximo a centenas de pessoas, muitas delas idosas.

Com essa atitude, Jair Bolsonaro inaugurou o vergonhômetro do coronavírus. E abriu a porteira para que outros grupos mantenham a mesma postura que pode elevar o contágio a níveis inimagináveis.

No maior templo da Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, o bispo Edir Macedo não só manteve os cultos, como minimiza os riscos da pandemia. Em vídeo divulgado via redes sociais, no mesmo dia 15, disse aos fiéis para não se preocuparem com o vírus. Para ele, a doença que já matou milhares de pessoas em todo o mundo é “mais uma tática de Satanás” e da mídia para causar pânico.

“Não vamos fechar. Nem em guerra se fecha igreja ou hospital. Enquanto for permitido, ficaremos abertos. Hoje temos três encontros por dia, podemos fazer oito, dez, menores, dentro do limite exigido. Nossa resposta pode ser mais, não menos encontros”, disse o pastor Guilherme Grando, do altar do Templo de Salomão, na terça-feira (17).

Coletiva viral

Durante a entrevista coletiva do governo federal realizada nesta quarta-feira (18), a manipulação das máscaras por Bolsonaro, pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, entrou para o vergonhômetro.  Muito próximos uns dos outros, tanto o presidente como os ministros tiraram e colocaram as máscaras várias vezes. Além disso, os jornalistas que participaram tinham somente um microfone para falar.

Tudo isso, num dia em que dois ministros tiveram resultado positivo para o teste de coronavírus: o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e o ministro das Minas e Energias, Bento Albuquerque.

Da comitiva que viajou com o presidente Jair Bolsonaro, 14 pessoas tiveram resultados positivos para os testes do Covid-19. Ainda assim, o presidente da República, chamado de “timoneiro deste barco” pelo ministro Mandetta durante a coletiva, segue circulando entre as pessoas.

Poder de contágio

O mau exemplo se espalha com o vírus. Um empresário paulista, com teste positivo para o coronavírus, viajou para a cidade de Porto Seguro (BA) em um jato particular, com vários amigos. A Procuradoria- Geral do Estado da Bahia ingressou com ação criminal na Justiça contra o empresário . Ele teria sido contaminado em um casamento realizado na praia de Itacaré (BA). Outras pessoas foram infectadas durante o evento, como a cantora Preta Gil e a influenciadora Gabriela Pugliesi.

Somente nesta quarta-feira, a maior rede de academias da América do Sul, a Smart Fit, anunciou em comunicado ao mercado de todas as suas unidades no Brasil e na América Latina. São mais de 2 milhões de usuários.

A rede de academias informou que seus clientes não serão onerados enquanto as unidades estiverem fechadas. Mas não disse o que ocorrerá com os funcionários.

O Cinemark também manterá suas salas fechadas e anunciou um programa de demissão voluntária.

Se todos os empresários resolverem dispensar seus trabalhadores enquanto tiverem de suspender os serviços em função do coronavírus, o desemprego se espalhará ainda mais rápido que epidemia.