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Cinco lições das operações ‘Lava Moro’ e ‘Tríplex Promotores’

Frustrada a tentativa de deter Lula, promotores públicos paulistas tentam tomar o lugar de Moro como heróis dos anti-PT e de apoiadores do golpe
Publicado por Flávio Aguiar, para a RBA
15:32
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Defensores de Lula no aeroporto de Congonhas: ‘festa’ da oposição que poderia ter acabado em tragédia

1 – A Operação Congonhas, deflagrada pela Polícia Federal a partir de uma autorização exarada pelo juiz Sérgio Moro, da “República de Curitiba”, tinha por objetivo claro levantar voo do aeroporto paulistano em direção à capital paranaense com o ex-presidente detido. O avião partiria sob o aplauso delirante (e ponhamos delirante nisto) da multidão anti-Lula que frequenta o aeroporto.

No Afonso Pena, aeroporto de Curitiba, e arredores, parlamentares e próceres da oposição aguardavam a chegada deste curioso “avião presidencial” para festejar a ação. Somente razões muito fortes impediram a realização deste plano. As candidaturas a essas “fortes razões” são:

a. A decidida ação da guarnição da Aeronáutica responsável pelo aeroporto, cujo comandante vetou o voo e cercou o avião (leia mais ao fim deste post);

b. Um telefonema partido do STF para o juiz Moro, impondo o cancelamento da operação;

c. A multidão de correligionários e simpatizantes do ex-presidente que acorreu a Congonhas, onde houve um risco de confronto entre as partes, o que transformaria a “festa”  num conflito de proporções imprevisíveis;

d. O pronto repúdio à operação da parte de personagens de quadrantes muito diferentes, entre eles até ex-ministros dos governos do PSDB, além do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo.

2 – Frustrada a Operação, colunistas da Globo voltaram-se sem pejo para as Forças Armadas, sugerindo “garantias da ordem”. Porta-vozes dessas abortaram também esta outra operação, reiterando que quem as comanda é a presidenta.

3 – O juiz Sérgio Moro caiu num limbo, desacreditado tanto pela operação quanto pelas negativas de que fora ele quem ordenara de pronto a condução coercitiva de Lula.

4 – O Instituto Paraná de Pesquisas tentou levantar a sua bola, apresentando-o com o potencial de 67% de votos para presidente da República, numa pesquisa sui generis, sem adversários. É bom lembrar que a Operação Mãos Limpas na Itália, tão citada pelos admiradores da Lava Jato, levantou a bola de Sílvio Berlusconi, que tanto dano causou à Itália.

Até o momento, a Lava Jato não levantou a bola de ninguém, a não ser do juiz responsável. Aécio não cola, nem ninguém do PSDB até o momento. Marina Silva, Marta Suplicy et alii tentam pegar carona na esteira, sem muito resultado até aqui.

5 – No vácuo deixado pela Operação Congonhas, o tríplex de promotores de São Paulo, Cássio Conserino à frente, tentou emplacar a medalha de ouro da prisão de Lula – sem provas, afinal, quem se importa com isso? O timing do pedido é evidente: até o dia 13, a juíza encarregada pode anunciar a autorização para a prisão de Lula, sob o delírio dos coxinhas ensandecidos. Será ou seria a consagração de Conserino como o verdadeiro Doutor Silvana da Justiça brasileira, em detrimento de Moro e do Paraná.

A ver, diante da maciça oposição despertada pela ação do trio. Aguardemos os acontecimentos.

*A ação da tropa da Aeronáutica em Congonhas – cada vez mais citada por diferentes fontes como acontecida – tem um ilustre precedente. No fim de agosto de 1961, os sargentos e oficiais legalistas da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, impediram que os jatos, obedecendo ordem dos militares golpistas que queriam silenciar a Rede da Legalidade comandada por Leonel Brizola, levantassem voo para bombardear o Palácio Piratini, em Porto Alegre, onde o governador estava entrincheirado. Assumiu o comando da base o tenente-coronel aviador Alfeu Alcântara Monteiro, legalista, que seria depois assassinado na mesma base em 4 de abril de 1964.


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