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Crise

Roberto Amaral: com golpe dentro do golpe, ruas apontarão para democracia

Para ex-presidente do PSB, "Temer se tornou dispensável e foi destroçado pelas mesmas forças que derrubaram Dilma". "Mas quem vai decidir para onde vai o jogo são as manifestações populares"
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 18/05/2017 18h22, última modificação 18/05/2017 19h47
Para ex-presidente do PSB, "Temer se tornou dispensável e foi destroçado pelas mesmas forças que derrubaram Dilma". "Mas quem vai decidir para onde vai o jogo são as manifestações populares"
Reprodução/Youtube
Roberto Amaral

"Seria cômico se não fosse trágico comentaristas que endeusavam Temer pedindo a sua renúncia"

São Paulo – O país está entrando em uma nova fase da luta política, mas o quadro que se tem pela frente está nebuloso, após as delações da JBS contra Michel Temer e Aécio Neves. Por um lado, o desfecho da crise – para alguns terminal – que envolve o governo Temer aponta para uma possibilidade de saída democrática. De outro, há chance de retrocesso. A opinião é do ex-presidente do PSB Roberto Amaral.

“Começando pelo óbvio, estamos diante de um golpe dentro do golpe. A partir do momento em que Temer se tornou dispensável, ele foi destroçado. As mesmas forças lideradas pelo sistema Globo e pela articulação Judiciário e Ministério Público que derrubaram a presidente Dilma fazem o réquiem de Temer”, diz. “Seria cômico, se não fosse trágico, os comentaristas que endeusavam Temer pedindo a sua renúncia. Isso muda substancialmente a luta das forças democráticas.”

Porém, a decisão do jogo parece clara para o cientista político. “Quem vai decidir para onde vai o jogo são as ruas. Se as ruas se mantiverem ativas e o povo nas ruas, nós teremos uma alternativa democrática. Mas ainda não estou vendo a linha do horizonte.”

Amaral cita as manifestações espontâneas ocorridas em Brasília e São Paulo, atos que estão sendo convocados no Rio de Janeiro e no Brasil inteiro para o próximo domingo (21), além da marcha a Brasília no dia 24. Até mesmo o direitista Movimento Brasil Livre (MBL), um dos mais ativos na defesa do impeachment de Dilma Rousseff, está pedindo a renúncia de Temer.

Para ele, o pleito de eleições diretas “é a única alternativa institucional plausível”. O problema, avalia, é que esta alternativa envolveria aprovação de uma emenda constitucional, “o que o Congresso, quando quer, faz rapidamente, mas é preciso ser precedida de uma reforma política”. Isso para evitar os problemas das regras atuais, que premiam o poder econômico.

Mas ele não descarta a hipótese de mais uma regressão, no contexto do que analistas vêm denominando golpe dentro do golpe desde a consolidação do impeachment de Dilma. “O que levou a Rede Globo a romper com Temer?”, indaga.

Em vídeo publicado em seu blog, o jornalista Luis Nassif aponta para uma realidade em que o próprio sistema Globo não tem o domínio da atual sucessão de acontecimentos.  “As delações da JBS contra Temer e Aécio foram um dado fora das previsões. Não dá para achar que foi algo articulado, pelo fato de a Globo ter dado o destaque que deu. Não houve planejamento nenhum. Foi um dado imprevisível”, disse no vídeo.

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