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Potencial turístico guiou escolha de 3 sedes da Copa do Mundo no Brasil

Para sindicato das empresas de arquitetura, oito das doze sedes da Copa 2014 foram eleitas pelo peso futebolístico
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 01/06/2009 17h30
Para sindicato das empresas de arquitetura, oito das doze sedes da Copa 2014 foram eleitas pelo peso futebolístico

Comissão da Fifa durante visita a estádio de Brasília para escolha das sedes da Copa (Foto: Marcello Casal. Agência Brasil)

O Rio de Janeiro precisa melhorar a própria imagem. São Paulo, o problema de mobilidade. E toda a estrutura aeroportuária brasileira necessita ajustes para receber a Copa do Mundo de 2014. Essas e outras conclusões serão apresentadas nesta segunda-feira (1º) pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) ao presidente Lula e ao ministro dos Esportes, Orlando Silva. O relatório “Vitrine ou vidraça: desafios do Brasil para a Copa 2014” é fruto de reuniões com autoridades estaduais e municipais e especialistas ao longo de 2008 e 2009.

Jorge Hori, consultor do Sinaenco, adiantou em entrevista à Rede Brasil Atual alguns dados que estarão no documento. A avaliação é de que a maioria das cidades terá condições de construir ou reformar estádios com verba privada, mas o capital particular não será atraído pelas obras em lugares que têm pouco potencial futebolístico. É o caso de Manaus, escolhida para ser a sede “amazônica” da Copa 2014. Para que se tenha uma ideia, há 23 anos o Amazonas não coloca um clube na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro e a maior arrecadação do Campeonato Amazonense 2009 foi de R$ 22.300 – ocorreu em março na partida entre Nacional e Rio Negro, com público de 12.391 torcedores e despesas de R$ 11.697.

Para Hori, a escolha da cidade está diretamente ligada ao potencial turístico: “a questão é da imagem externa para desenvolver o turismo da Amazônia. Nesse caso, a imagem de Manaus é mais forte que a imagem de Belém. Se tivesse escolhido Belém, o esforço de marketing seria maior”.

O mesmo vale para a “disputa” Cuiabá e Campo Grande, da qual a primeira saiu vencedora. A diferença é que, no caso da sede “pantaneira”, nenhuma das duas cidades terá um aproveitamento rentável para o estádio depois da realização do torneio. Muitos questionam o porquê de Goiânia não ter sido eleita, já que seria a cidade com melhor potencial futebolístico do centro-oeste e um dos investimentos mais baixos para a reforma do Serra Dourada, em torno de R$ 200 milhões. Para Jorge Hori, a questão é simples: “o problema de Goiânia está vinculado ao baixo potencial turístico do ponto de vista internacional. Haveria o risco de fazer um grande investimento com resultados políticos, mas sem dinamização do turismo”. Além disso, a cidade está muito próxima de Brasília.

Mas, na leitura do consultor do Sinaenco, o futebol foi o critério principal utilizado para a escolha de oito sedes. O Rio, diz ele, “tem a melhor vitrine, porque é a cidade brasileira mais conhecida internacionalmente, e a maior vidraça, que é a questão da segurança”. Em São Paulo, uma das grandes questões é a mobilidade, problema que não será resolvido até 2014, segundo Jorge Hori.

Em relação a infraestrutura brasileira como um todo, a questão aeroportuária é o maior desafio. O consultor lembra que cada seleção vai se deslocar por pelo menos três cidades e levando torcida. “Pelo tamanho territorial do Brasil, a maior parte desse deslocamento será feita por via aérea. A questão não é só de infraestrutura, mas de organização. Terá que ser realizada eventualmente uma operação com necessidade de aumento temporário da frota”, afirma Hori.

As sedes:

Belo Horizonte
Brasília
Cuiabá
Curitiba
Fortaleza
Manaus
Natal
Porto Alegre
Recife
Rio de Janeiro
Salvador
São Paulo

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