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Venezuela: Chávez e Capriles concedem últimas entrevistas antes das eleições

por Jonatas Campos, do Opera Mundi publicado , última modificação 05/10/2012 19h39

Caracas – Os candidatos à presidência da Venezuela Hugo Chávez e Henrique Capriles aproveitaram as últimas horas antes do fim da campanha política na Venezuela para conceder entrevistas. Chávez recebeu no Palácio de Miraflores jornalistas dos canais Venevisión e VTV. Já o ex-governador de Miranda falou nos estúdios da Globovisión. Ontem (4) ambas as campanhas foram finalizadas com comícios – o de Chávez tomou sete avenidas do centro de Caracas.

O presidente pediu que a Venezuela “não volte ao passado”, alertando que uma vitória de Capriles significaria o retorno da pobreza ao país. “Todo o país pode perder, até os ricos", disse o presidente, que também pontuou que seria “espantoso outro pacotão neoliberal", em referência a um suposto documento da campanha de Capriles que prevê medidas como a desregulamentação bancária, a suspensão de investimentos em programas sociais, a transferência de programas alimentares para a iniciativa privada e o aumento de tarifas públicas – incluindo o fim dos subsídios à gasolina.

O presidente venezuelano enviou uma mensagem de conciliação aos opositores: "Vote por quem queira, pelas razões que tenha, mas se prepare, porque sua opção vai fracassar, sua opção vai perder, mas você não vai perder, vai ganhar apesar de não aceitar isso, ainda que não entenda bem. Você também está no meu coração”, finalizou Chávez, que disse governar para todos os venezuelanos, independente de qual opção eleitoral façam. “Estou disposto a abrir as portas de Miraflores para o diálogo, nomear comissões de diálogo.”

Chávez fez um chamado aos venezuelanos mais ricos, da classe média, empresários, profissionais, a trabalhar em conjunto para tornar realidade o que considera uma das maiores conquistas de sua administração: a inclusão da Venezuela no Mercosul. Na entrevista, Chávez garantiu que não prevê “eliminar o investimento privado, da forma como afirmam alguns meios de comunicação que se identificam com setores da oposição.

Ele reconheceu falhas em sua gestão. Ao responder uma pergunta da Venevisión, Chávez assinalou que é necessário fazer um “acompanhamento com firmeza” para assegurar que os projetos empreendidos sejam realizados da forma correta. Caso seja eleito para o período de 2013 a 2019, propôs converter o Ministério da Secretaria Presidência em um "ministério de acompanhamento” das obras do governo.

No mesmo horário em que Chávez concedia entrevista, Capriles falou à Globovisión, onde atacou novamente pontos do programa de governo chavista, ressaltando a necessidade de um presidente que fale dos problemas internos e não “da paz no planeta”. Além disso, desejou “vida longa” a Chávez para que ela veja “como um país pode progredir”.

 “Minha ideologia é o progresso da Venezuela”, disse Capriles. Ele lembrou com orgulho de sua campanha “porta a porta", quando, segundo ele, já visitou mais de 300 comunidades em todo o país. "Essa é uma visão de como se deve fazer esse trabalho. Não esperar que as pessoas vão onde eu estou, mas é ir onde estão as pessoas", afirmou.

Apesar de não confirmar se vai aceitar os resultados do CNE, Capriles disse que irá seguir a vontade do povo. Sobre como seriam as relações com Cuba, Capriles garantiu que elas continuarão, mas que pretende fazer uma completa revisão. “Vamos tornar abertas nossas relações com Cuba, os recursos dos venezuelanos não são para financiar nenhum modelo político”, disse. Mais de 30 mil médicos cubanos trabalham na Missão Bairro Adentro em troca de petróleo.