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Legado das Olimpíadas deve repetir Barcelona e não Atenas, dizem especialistas

por Maurício Thuswohl, da RBA publicado , última modificação 26/08/2012 11h57

Uma das responsáveis pelo projeto do Parque Olímpico acredita que o segredo está em reverter a degradação de áreas urbanas (Foto: Sérgio Moraes. Reuters)

Rio de Janeiro – A discussão sobre o legado que a Copa do Mundo de 2014 e, sobretudo, as Olimpíadas de 2016 podem deixar ao Rio de Janeiro e sua população tomou boa parte das atenções durante o debate promovido na quinta-feira (23) pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco). Houve consenso de que é necessário evitar erros do passado para que não sejam construídos “elefantes brancos” que, invariavelmente, acabam contribuindo para a degradação visual – e, muitas vezes, social – das cidades onde foram instalados. 

Coordenadora de Arquitetura da Aecom – empresa norte-americana vencedora do concurso público – e projetista-chefe do Master Plan para o Parque Olímpico do Rio, a carioca Adriana Figueiredo apontou o “histórico de falhas” cometido nos projetos das Olimpíadas de Atenas (2004) e Pequim (2008). “Em alguns pontos dessas cidades, projetados especialmente para os jogos, temos hoje um estado de abandono e falta de função social. Esse é um erro que temos de ter o cuidado de não cometer”, disse. 

Adriana, no entanto, enumerou também alguns exemplos positivos e que merecem ser copiados pelo Rio de Janeiro, caso das Olimpíadas de Barcelona (1992), Sydney (2000) e Londres (2012): “Nessas três cidades, houve uma recuperação de áreas perdidas que depois permaneceu consolidada”, disse, usando como exemplo a revitalização da zona portuária da cidade catalã.

No que concerne ao Parque Olímpico do Rio, disse Adriana, a expectativa de legado é também ambiental, já que o projeto prevê a limpeza das lagoas da Barra da Tijuca, região onde o parque será construído, além da proteção dos manguezais, com uma faixa marginal de 30 metros. A representante da Aecom explicou que o planejamento para o Parque Olímpico prevê três fases (até os jogos e depois dos jogos, além de uma fase de transição), e que seu objetivo é dinamizar a ocupação da região a partir de 2017: “A ideia é otimizar a utilização do Parque Olímpico no pós-jogos. O maior legado a deixar será um bairro integrado à cidade”.

Transportes e hotelaria

Para Elcione Diniz Macedo, diretor-executivo da Autoridade Pública Olímpica (APO), o Rio de Janeiro terá benefícios permanentes nas quatro zonas de competição previstas para 2016 (Deodoro, Maracanã, Copacabana e Barra da Tijuca). “O fato de termos quatro grandes clusters de competição nos aproxima de Barcelona em uma perspectiva de legado. Quando nós deixarmos o campus militar de Deodoro redesenhado e com melhor infraestrutura em todos os níveis, estaremos potencializando uma ocupação social da área e um resgate pela população. A mesma coisa acontecerá na região do Maracanã”, diz. 

Após lembrar que “as últimas intervenções de grande porte em infraestrutura no Rio de Janeiro foram a Linha Vermelha e a Linha Amarela”, Márcio Amorim, presidente regional do Sinaenco, elogiou o legado que os megaeventos esportivos deixarão à cidade. Ele citou as construções do Centro de Operações e do Arco Rodoviário, além dos quatro sistemas de corredores de ônibus BRT: Transoeste (Santa Cruz-Barra da Tijuca, 56 km), Transcarioca (Barra-Galeão, 28km), Transolímpica (Barra-Deodoro, 26km) e Tranbrasil (Deodoro-Centro, 30km). 

Outro legado importante, segundo Amorim, diz respeito à infraestrutura hoteleira: “Precisamos somar muitos quartos de hotel aos existentes no Rio de Janeiro para atender à demanda da Copa e das Olimpíadas, mas o custo elevado dos terrenos nas áreas nobres está dificultando a sua implementação. O Rio, pelo menos, não corre o risco de ociosidade das vagas quando os eventos esportivos passarem”, disse. 

Zona Portuária 

Quando se fala em legado para a cidade, entretanto, o projeto mais elogiado é o Porto Maravilha, levado a cabo pela prefeitura do Rio e que tinha execução prevista independentemente da realização ou não da Copa e das Olimpíadas. Segundo Alberto Gomes Silva, assessor especial da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), além do Porto Olímpico, que abrigará instalações para os jogos, estão sendo construídos ou revitalizados quatro quilômetros de túneis e 70 vias, além de 17 quilômetros de ciclovias. 

Também está sendo realizado, segundo o órgão da prefeitura, o adensamento da área verde e a construção de estações para tratamento de efluentes nos rios da região: “O Porto Maravilha será o maior legado para o povo do Rio de Janeiro”, aposta Silva. Ele fala também do “resgate histórico, cultural e arqueológico” que vem ocorrendo na zona portuária: “É muita riqueza. No começo do século passado, foi feito na região um aterro de 1,2 milhão de metros quadrados. Com dois anos de obras, o Porto Maravilha já deixa para o Rio o maior acervo de arqueologia urbana do país. E ainda tem mais coisa para descobrir”. 

O representante da CDURP diz também que o cronograma do Porto Maravilha está adiantado: “Toda a parte de desembaraço fundiário e jurídico já está resolvida, as obras de infraestrutura já estão sendo feitas e as obras civis dos novos edifícios começam em janeiro do ano que vem. São 24 frentes de obra, e outras deverão surgir ainda este ano. O encerramento é previsto para o primeiro trimestre de 2016”, disse, antes de anunciar a recente aprovação de um projeto para a construção pela Odebrecht de uma torre comercial e de dois hotéis quatro estrelas com 400 quartos.