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População em situação de rua recebe uma biblioteca ambulante em São Paulo

por Leonardo Brito, do Jornal Brasil Atual publicado 31/07/2011 07:23, última modificação 02/08/2011 11:03
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Robson Mendonça e Lincoln Paiva uniram esforços para colocar para rodar, este mês, a Bicicloteca do centro de São Paulo (Foto: Jornal Brasil Atual)

São Paulo –  Robson César Correia de Mendonça, um ex-morador de rua, conseguiu realizar um dos seus sonhos: oferecer oportunidade de leitura a população em situação de rua do Centro de São Paulo. A “bicicloteca”, como sugere o nome, é uma bicicleta especialmente desenhada – com três rodas e uma caçamba – que transporta livros variados. 

Robson sabe muito bem o que é ter vontade de ler, mas não poder ter acesso por causa da condição na qual se encontram os moradores de rua. Eles são impedidos de entrar em bibliotecas, porque, geralmente, carregam sacos plásticos com roupas e objetos pessoais. Foi para evitar esse tipo de situação que Robson sonhou com uma biblioteca que chegasse até o morador de rua.

A realização do sonho foi possível a partir de um encontro inusitado. Já longe da vida nas ruas, Robson presidia a ONG Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo. Para plantar uma árvore na frente da biblioteca Mário de Andrade – na região central da capital paulista –, ele se encontrou com Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde (IMV) e o secretário municipal do Meio Ambiente, Eduardo Jorge. 

Ainda antes do plantio, Paiva ouviu o sonho de Robson e disse que iria possibilitar a construção desse projeto por meio do Instituto Mobilidade Verde, que tenta proporcionar soluções para mobilidade sustentável dentro da cidade. Ele entregou a bicicleta, uma espécie de triciclo com freios a disco na traseira e uma caçamba com capacidade para transportar 150 quilos de livros.

Promessa feita, faltava apenas definir a data de entrega do impulso para o projeto almejado. E melhor ocasião não haveria do que o Dia do Escritor, comemorado na última segunda-feira (25). O local: a própria biblioteca Mário de Andrade, onde o veículo ficou estacionado até ser colocado para rodar.

Segundo Robson, a ideia do projeto é proporcionar uma melhora da qualidade de vida do morador de rua a partir da leitura. “O livro é pouco para ele sair da rua, mais já é um inicio na tentativa de transformar sua vida como transformou a minha”, comenta.

Ele acrescenta que deveriam haver muitas dessas “biciclotecas” espalhadas pela cidade de São Paulo, pois só a população de rua é composta por cerca de 20 mil pessoas, segundo a ONG de Robson – segundo a prefeitura, em 2009 havia 13,7 mil moradores de rua.

Para Lincoln, essa “bicicloteca” é um projeto novo e diferente de outras reservas de livros espelhadas pelo mundo. “Essa bicicleta foi pensada em cada detalhe, não adaptada. Desde a sua geometria até a quantidade de livros possíveis de carregar, nós pensamos”, explica.

A pretensão de Lincoln é que outras ONGs comprometidas com o trabalho de levar cultura a comunidades possam entrar em contato com a IMV e solicitar sua “bicicloteca” (é necessário enviar email para contato@mobilidadeverde.org para avaliação).

O acervo será formado por doações espontâneas. Para contribuir, basta acessar o site www.bicicloteca.com.br ou entregar os livros na biblioteca Mario de Andrade (Rua da Consolação, nº 94, República – São Paulo/SP) e nos bicicletários do metrô. 

Igual, mas diferente
A "bicicloteca" do centro paulistano foi toda desenhada especialmente para a necessidade de Robson. Mas a ideia veio de outros projetos já em prática no Brasil. No Campo Limpo, zona sul de São Paulo, foi feita a primeira, idealizada por Robson Padial, o Binho (http://biciclotecas.blogspot.com/). No Rio de Janeiro, ligado à Central Única de Favelas (Cufa), o projeto é semelhante (http://bit.ly/bicicloteca_RJ-Cufa).

 

 

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