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OAB homenageia vítima de atentado a bomba na ditadura

por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 27/08/2010 13h31, última modificação 27/08/2010 13h00

São Paulo – A partir das 13h40 desta sexta-feira (27), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lembra um dos mais emblemáticos atentados ocorridos no  período pós-AI-5 e durante a chamada abertura política no país: a morte de Lyda Monteiro, secretária da presidência do Conselho Federal da OAB. Ela morreu em 27 de agosto de 1980, depois de abrir uma carta-bomba endereçada ao presidente da entidade à época, Eduardo Seabra Fagundes. A explosão ocorreu às 13h40. Ninguém foi responsabilizado pelo ato, mas as suspeitas de autoria sempre apontaram para extremistas de direita, insatisfeitos com a abertura polítca promovida pelo governo de João Figueiredo.

"Com esse ato queremos mostrar que Lyda, a mãe, mulher, trabalhadora e mártir, símbolo da resistência da OAB e da sociedade civil contra a ditadura militar, morreu de forma sangrenta e violenta, mas sua morte não foi em vão: foi por uma causa que hoje estamos vendo consolidada em nosso país, que é a democracia", declarou o atual presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante.

O ato será realizado no Rio de Janeiro, na antiga sede do Conselho Federal, onde aconteceu o atentado. O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, lamentou que até hoje não tenha havido qualquer punição – sequer os responsáveis foram identificados. Mas com a cerimônia, acrescentou, "se quer lembrar sobretudo às novas gerações, aos jovens –  que não conheceram a ditadura militar e sabem dos episódios no máximo por meio dos registros históricos – que no Brasil, em determinado contexto histórico, vivia-se sob uma ditadura, havia um Estado repressivo e que setores militares praticavam atentados terroristas, tortura e procuravam matar seus contestadores por vários métodos violentos, inclusive por cartas-bombas".

Com a explosão, todo o sexto andar do edifício tremeu, e a mesa da secretária foi destruída. Dona Lyda morreu a caminho do hospital. Segundo a OAB, o que restou da mesa está exposto no Museu Histórico do Conselho Federal da OAB, em Brasília.

Matéria publicada na edição desta sexta do jornal O Globo afirma que, segundo depoimentos, pode haver relação entre o atentado à OAB e ao Riocentro, em abril de 1981. No segundo caso, um sargento morreu quando uma bomba provavelmente explodiu antes do previsto. O alvo seria o público que assistia a um show comemorativo do Dia do Trabalho. Também nesse caso, ninguém foi identificado. Tristes episódios de uma página infeliz de nossa história, como definiria anos depois Chico Buarque, um dos organizadores do show do Riocentro, na música "Vai Passar".

 

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