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Não sai na Globo

Temer tira dinheiro do SUS e de escolas para dar a mansões de milionários

Milionários com casarões no litoral se dão bem: Temer reduz aumento a 10,54% nas taxas sobre terrenos pertencentes à União
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 24/09/2016 14:12, última modificação 24/09/2016 19:28
Reprodução
Triplex em Paraty

Dono da famosa mansão em Paraty que a Globo não noticia é um dos que ganham com a medida

Em que lugar no mundo um governante precisando fazer ajuste fiscal, com perda de arrecadação, mesmo sendo neoliberal, seria louco de criar uma lei reduzindo receitas sobre bens de luxo pertencentes à União, usufruídos por milionários? A resposta é: só no Brasil de Temer.

Na calada da noite, sem nenhum debate público, em 10 de junho, o ainda interino Michel Temer assinou e enviou ao Congresso a medida provisória 732/2016, que reduz a 10,54% o teto de reajuste das taxas cobradas de quem ocupa terrenos da União.

Note que esta é uma fonte de receita ideal para ter progressividade, incidindo apenas sobre o luxo e sobre milionários, onde se pode fazer justiça tributária sem impactar nenhum setor produtivo, nem a população de classe média para baixo.

Significa que a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) está proibida de atualizar a planta de valores acima disso neste ano, mesmo que a defasagem, por avaliações desatualizadas, seja de 100%, 1.000%, 10.000% ou mais. Tem gente pagando valores irrisórios por terrenos da União paradisíacos e muito valorizados, e que continuarão com a mamata, mesmo com a população sendo arrochada pelo governo com cortes nos serviços públicos essenciais como saúde e educação.

Temer obriga todo o povo brasileiro, verdadeiro dono do patrimônio da União, a pagar o pato de não poder nem cobrar um “aluguel” justo do que é seu e de quem pode pagar, em um momento em que o povo mais precisa.

Quem mais se dá bem com isso são os donos de paradisíacas mansões no litoral. As ilhas e margens no litoral, por serem da União, não podem ser compradas, por isso não têm impostos a pagar. Mas é possível ocupá-las pagando uma taxa anual à SPU como se fosse um aluguel do terreno.

O dono da famosa mansão em Paraty que a TV Globo não noticia é um dos que ganham com a medida. Ocupam três terrenos enormes de terras da União, com uma praia exclusiva, cercada de área verde. A taxa anual de 2016, após o reajuste de Temer, está em R$ 45.030,33, o que equivale a pagar um aluguel mensal de R$ 3.752,53. Convenhamos que se o proprietário não fosse a União, ninguém alugaria por valor tão baixo esses três terrenos com o total de 14.869 metros quadrados de frente para o mar e com um praia exclusiva, acessível apenas por lancha ou helicóptero.

O valor do "aluguel" pago ao povo brasileiro é menor do que uma única viagem de helicóptero do Rio de Janeiro até o heliporto da mansão em Paraty. Em valores de mercado cobrados por empresas de táxi aéreo, varia entre R$ 3.800,00 e R$ 12.000,00 cada viagem. Mesmo assim a MP do Temer proibiu subir mais de 10,54% o valor a pagar.

O Plenário do Senado aprovou a MP 732 na terça-feira (20). O relator foi o senador tucano Ricardo Ferraço (ES) que explicou as vantagens para seu pai, deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM-ES), que ocupa cinco terrenos da União: “(...) ainda que a planta de valores genéricos elaborada pelos municípios e pelo Distrito Federal ou a Planilha Referencial de Preços de Terras elaborada pelo Incra autorizem um reajuste mais elevado, a atualização do valor do domínio pleno do terreno de propriedade da União está limitado a 10,54% sobre o valor do trecho correspondente para o exercício de 2015”.

Outro que se deu bem ao votar a MP foi o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele é um feliz ocupante de um terreno da União na valorizadíssima Praia da Ferradura, em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. O cadastro na União está em nome de sua empresa IM Participações e Administração Ltda (documentos abaixo).

Teto no governo Temer está assim: para pobres e classe média que precisam de serviços públicos de saúde e educação, manda a PEC 241 para travar as despesas por 20 anos. Mas para os ricos que têm mansão de luxo na praia, o teto é o contrário. Manda a MP 732 para limitar as taxas que eles teriam de pagar à União por usufruir de áreas paradisíacas.

Reprodução Docs Aécio
Imóvel da União ocupado por empresa de Aécio em Búzios (RJ) é beneficiária de taxa camarada

dois pesos

Usado pelo MPF para acusar Lula, powerpoint foi proibido para a defesa do PT no Mensalão

Duas medidas. Recurso audiovisual poderia ter criado imagens favoráveis ao PT na mídia, assim como foi usado pelo MPF para aprofundar imagem negativa do ex-presidente
por Helena Sthephanowitz publicado 17/09/2016 16:30
Rodrigo Félix Leal/Futura Press/Folhapress
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Procurador Dallagnol, durante exposição de denúncias contra Lula, usa recurso audiovisual que já foi negado à defesa do PT

A já histórica espetacularização da denúncia contra Lula, produzida pelo MPF em Curitiba teve até mestre-de-cerimônias, num luxuoso auditório de um hotel privado e luxuoso na região central da capital paranaense, integrantes da "mesa apresentadora" identificados por placas com nome e sobrenome e transmissão por diversos canais de TV. Além de toda a pompa e circunstância, chamaram a atenção as declarações incisivas – e inconsistentes – do procurador chefe da Força Tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, que concluiu a sessão deixando claro que acusava baseado em convicções, em vez de em provas, e também pela simplória apresentação de slideshows em Powerpoint, que fez o promotor e sua equipe serem inspiração para uma enxurrada de "memes" nas redes sociais.

E sobre o audiovisual produzido para acusar o ex-presidente, numa clara tentativa de criar imagens para a "grande" mídia, vem uma pergunta: Para a Lava Jato, pode Power Point?

    Isso porque, às vésperas do início do julgamento da chamada Ação Penal 470, o também histórico "mensalão", o STF proibiu advogados de defesa dos réus (a grande maioria de quadros do PT, todos lembram) de usar a apresentação de imagens projetadas para demonstrar a ausência de culpa pelas acusações do processo (imagem ao fim deste post)

Em lugar algum registrou-se que o então Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, tenha discordado da proibição. Por que agora o Ministério Público foi liberado para usar o recurso audiovisual em seu pequeno show, organizado para a denúncia contra Lula?

Dois pesos e duas medidas: quando foi para exercer direito constitucional e humano de defesa não se pôde usar nada que lembrasse um powerpoint durante o julgamento. Agora, porém, usa-se de forma espalhafatosa – além de constrangedor, para o MPF. Pode tudo, se for para contribuir para a criminalização de um partido. E isso além de ainda haver algumas etapas daqui até um eventual julgamento de Lula.

Nos dois casos, os prejudicados foram o PT e os petistas, impedidos que foram e continuam sendo de acesso pleno à Justiça do país.

Inclusive, é preciso lembrar que toda a pirotecnia de Dallagnol e seus parceiros foi disparada há duas semanas das eleições municipais, em mais uma óbvia manobra para tentar influir no resultado das urnas. E para usar um termo do powerpoint dos procuradores, os maiores beneficiários desse arranjo todo são o PSDB, o DEM, o PMDB e outros partidos que concorrem contra candidatos do PT nas votações municipais de outubro.

Vamos combinar: assim fica difícil não crer que parte do Ministério Público Federal esteja influenciado por preferências partidárias.

STF/Reprodução stf_powerpoint.jpg
STF veda uso de imagens projetadas em sessões de julgamento do processo do Mensalão, negando pedido pelo PT

expectativas

Isolado, Cunha promete revelações, e faz tremer os bastidores da política

Ameaçador, Cunha disse que lançará um livro sobre o processo do impeachment de Dilma. Livro que talvez já esteja rascunhado, em forma de delação premiada
por Helena Sthephanowitz publicado 13/09/2016 16:00, última modificação 17/09/2016 15:42
Luis Macedo / Câmara dos Deputados
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Cassado e isolado, Cunha promete cair atirando e seu principal alvo é Temer, a quem ajudou a tomar o poder pelo golpe do impeachment

Após a votação na sessão do plenário da Câmara dos Deputados que cassou seu mandato e seus direitos políticos por oito anos, o agora ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) falou brevemente à imprensa. O que já foi suficiente para deixar pulgas atrás de várias orelhas na Câmara, no Senado e em várias instâncias do Executivo.

Profundo conhecedor dos conchavos de bastidores da Câmara, Cunha culpou principalmente o governo Temer por sua cassação. Disse que o resultado seria outro se o governo o tivesse apoiado a fazer Rogério Rosso (PSD-RJ) seu sucessor na presidência da Casa, em vez de Rodrigo Maia (DEM-RJ), genro de Moreira Franco, um dos homens fortes do governo Temer.

Nas previsões de Cunha, Rosso teria marcado a sessão que o cassou para depois das eleições, quando os deputados sentiriam-se menos pressionados. Quando Rodrigo Maia marcou para ontem (12), a algumas semanas das eleições municipais em todo o país, selou seu destino, pois a maioria dos deputados não teriam escolha – teriam de demonstrar aos respectivos eleitorados que não têm ligação com um político envolvido até o pescoço em denúncias de corrupção e desvios de dinheiro público.

As palavras de Cunha, apesar de dirigir-se só a Moreira Franco, é claro que arderam no ouvido de mais gente no Palácio do Planalto. Cunha sabe como ninguém que está sendo tratado como cachorro jogado fora de caminhão de mudança pelo governo Temer, que tanto ajudou a consolidar. Ele teve mais votos contra si do que os 367 votos de deputados contra Dilma no impeachment.

Além de Moreira Franco, pelo menos outros dois ministros articuladores políticos poderiam ter mexido os pauzinhos nos bastidores para salvar seu mandato: Eliseu Padilha, da Casa Civil e Geddel Vieira Lima, Secretário de Governo e ocupante de um cargo diretamente responsável pela articulação com o Legislativo.

Mas, exemplo do que foi armado para ele após o impeachment de Dilma Rousseff, o irmão de Geddel, deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) deu seu voto triunfante pela cassação. Para o bom entendedor, até mesmo o próprio Temer, se quisesse, pouparia Cunha. Escolheu sacrificá-lo.

Ao que tudo indica, a ira de Cunha se voltará menos contra cada um que votou contra ele do que contra os donos dos votos. Se voltará contra os caciques que tomaram dele o controle das bancadas, e as fizeram votar contra ele. O próprio Rosso acabou votando por sua cassação, mas Cunha disse que se ele (Rosso) estivesse no lugar de Rodrigo Maia o resultado seria outro, mostrando a quem atribui culpa por ter perdido o mandato.

Mas não é só Temer, seus ministros e o PMDB que terão dores de cabeça. No seu melhor estilo, Cunha disse que escreverá um livro sobre os bastidores do impeachment. Disse que contará todas as conversas que teve durante a construção do processo que depôs uma presidenta democraticamente eleita e sem ter cometido crime de responsabilidade algum.

Deu a entender que revelará conspirações, negociações e sabe-se lá mais o quê. Coisas que atingem além do PMDB, também caciques do PSDB, DEM, PP, PR etc. Dada a falta de alternativas na atual situação jurídica de Cunha, o "livro" talvez já esteja sendo rascunhado a quatro mãos junto com algum Procurador da República sob forma de delação premiada.

E Cunha só não vai para Curitiba, depor ao juiz Sergio Moro se delatar ministros, parlamentares, governadores que tenham foro privilegiado no STF.

Os fujões e os assumidos do "Fica Cunha"

Fez barulho nas redes sociais os votos declarados a favor de salvar o mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) dados por seus colegas Marcos Feliciano (PSC-SP) e Paulinho da Força (SD-SP). Talvez por serem os nomes mais famosos entre os dez que deram o voto de apoio assumido. Mas na verdade, esses fizeram parte de um grupo de 63 deputados que apoiaram Cunha até o fim.

Na prática, tanto quem votou "não" à cassação, como se absteve de vota ou faltou à sessão, subtraiu um voto em favor da cassação. Portanto, na conta final deve-se contabilizar todos eles como um voto "Fica Cunha".

E a conta fica assim: dez deputados votaram "não", nove se abstiveram e 34 faltaram, perfazendo os 63 votos contra a cassação de Cunha. A falta do deputado Fernando Francischini (SD-PR) valeu tanto quando o voto "não" de Paulinho, na tentativa de salvar Cunha.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), exerceu sua opção de não votar, o que está previsto no regimento da Casa. Poderia ter votado, se quisesse. O próprio Cunha, quando ainda presidia a Câmara, votou contra Dilma no impeachment.

A lista completa dos votos de cada deputado você encontra aqui.

do ninho

Carreira em governos tucanos levanta suspeitas sobre escolha de vice de Janot

Vasta folha de serviços prestados ao PSDB faz imaginar Aécio, Anastasia e Aloysio Nunes rindo à toa da situação deles na Lava Jato
por Helena Sthephanowitz publicado 09/09/2016 12:59, última modificação 09/09/2016 13:19
Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr
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Pegou mal: José Bonifácio de Andrada, novo vice-PGR, vai participar de investigações sobre amigos no PSDB

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou ontem (8) que escolheu para ser seu vice José Bonifácio Borges de Andrada, procurador com um currículo "tucaníssimo": foram oito anos em cargos de confiança nos governos de FHC e depois mais oito anos no de Aécio, quanto este foi governador de Minas Gerais. O senador Aloysio Nunes já foi seu chefe direto.

Confira a carreira de Bonifácio junto a tucanos destacados:

De 1995 a 2000 (governo FHC): consultor jurídico do Ministério da Previdência e Assistência Social (sob comando dos ministros Reinhold Stephanes e Waldeck Ornelas, ambos do DEM);

De 2000 a 2001: subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil da Previdência da República (ministro Pedro Parente);

De 2001 a 2002 foi secretário executivo do então ministro da Justiça Aloysio Nunes. Por ter sido o número 2 da pasta, chegou a ser ministro interino, em ocasiões de ausência de Aloysio;

Em 2002, ocupou brevemente o cargo de sub-secretário da Secretaria Geral da Previdência da República (de Euclides Scalco);

De 2002 a 2003, foi advogado-geral da União, sucedendo Gilmar Mendes.;

De 2003 a 2010, escolhido pelo então governador Aécio Neves, foi advogado-geral de Minas Gerais.

O vice-PGR ainda é filho do ex-deputado federal tucano Bonifácio Andrada e irmão de outro ex-deputado estadual e agora prefeito de Barbacena, Toninho Andrada (também do PSDB), que em 2004 saiu de líder do governo Aécio na Assembleia Legislativa para ser conselheiro do Tribunal de Contas de Minas, que chegou a presidir.

Bonifácio vai substituir Ela Wiecko, que deixou o cargo na semana passada após a imprensa divulgar um vídeo em que ela aparece numa manifestação contra o impeachment. Ela Wiecko pediu dispensa do cargo e saiu dizendo que todo o processo do impeachment é golpe e que o MPF tem vários integrantes que pensam da mesma forma.

Na PGR corre a certeza de que a escolha de Janot tem um componente político. Ao substituir Ela, que tinha uma posição mais defensora da regularidade democrática, por um nome ligado ao PSDB, Janot espera construir uma ponte com Michel Temer.

Bonifácio também é um nome que tem bom trânsito com os demais subprocuradores e é próximo do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que tem feito reiteradas críticas à atuação da PGR na Operação Lava Jato.

É papel do vice assumir o comando do Ministério Público Federal durante as ausências de Janot. Ele também poderá representar a instituição em julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e sessões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Bonifácio deve herdar ainda o comando da Operação Acrônimo, que tem como alvo o atual governador de Minas, o petista Fernando Pimentel.

A questão aqui não é de questionar a competência e integridade do vice PGR escolhido mas, pra dizer o mínimo, é evidente que ele não deveria conduzir investigações sobre seus ex-chefes, amigos e compadres. Sobram argumentos para afirmar que se trata de aparelhamento tucano da instituição.

Como vice, ao assumir a PGR eventualmente, ele também responde por todos os processos de autoridades com foro privilegiado, incluindo Aécio e Aloysio, ambos com algumas ações correndo contra si na Suprema Corte.

Assim pega mal, muito mal.

conspiração

Mal tomou posse, Temer narra a ministros cometimento de crime de responsabilidade

Presidente disse que a manutenção dos direitos políticos de Dilma deveria ter sido "combinada antes". Ameaça velada pode ser interpretada como atentado ao livre exercício do Legislativo
por Helena Sthephanowitz publicado 02/09/2016 12:05, última modificação 02/09/2016 14:24
Beto Barata/PR
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Temer pode não virar ano na presidência, condição necessária para 'o mercado' eleger Meirelles presidente

Na primeira reunião ministerial após a consumação do golpe parlamentar que o levou a ser empossado presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP) narrou uma conduta que pode ser enquadrada como crime de responsabilidade punido com o afastamento da presidência. Além de confirmar a conspiração com parlamentares para derrubar Dilma mediante oferta de vantagens, através de cargos, aos jurados do impeachment.

Ao falar sobre o que não toleraria de seus ministros e dos parlamentares que os indicaram, citou o episódio da segunda votação final no processo de impeachment, decisão que absolveu a presidenta Dilma Rousseff da pena de ficar inelegível. Disse Temer a seus ministros:

"Hoje nós tivemos um pequeno embaraço na base governamental em face de uma divisão que lá se deu. É outra divisão também inadmissível. Se é governo tem que ser governo. Quando não concorda com uma posição do governo, vem pra cá e conversa conosco pra nós termos uma ação conjunta. O que não dá é para aliados nossos se manifestarem lá no plenário sem ter uma combinação conosco. Porque convenhamos, se tivesse uma combinação conosco talvez nós pudéssemos dizer: 'Olha aqui, nós vamos fazer um gesto de boa vontade, vamos abrir mão disso, vamos permitir que Sua Excelência tenha condições de não ser inabilitada'. Mas seria um gesto nosso, não pode ser uma espécie de derrota do governo".

O problema é que o atual ocupante da presidência sem voto popular não estava se referindo a nenhum projeto do Executivo encaminhado ao Legislativo. Referiu-se a um julgamento de exclusiva competência do Legislativo, onde cada senador deveria fazer o papel de jurado e deveria julgar com seu voto de acordo com sua livre consciência e convencimento, não cabendo nenhuma "combinação com o governo para ação conjunta", principalmente quando o objeto do julgamento era justamente quem ficaria no governo.

A fala de Temer caracteriza crime de responsabilidade, conforme a Lei 1.079/1950, em pelo menos três itens (grifos meus):

(...)

Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:

(...)

II - O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados;

(...)

Art. 6º São crimes de responsabilidade contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados:

(...)

2 - usar de violência ou ameaça contra algum representante da Nação para afastá-lo da Câmara a que pertença ou para coagi-lo no modo de exercer o seu mandato, bem como conseguir ou tentar conseguir o mesmo objetivo mediante suborno ou outras formas de corrupção;

(...)

6 - usar de violência ou ameaça, para constranger juiz, ou jurado, a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício;

A continuar assim, poderá ficar difícil para Temer conseguir virar o ano na presidência. E caso não consiga, fica aberta a possibilidade de "o mercado" eleger Henrique Meirelles presidente da República pelo voto indireto do Congresso.

Assista à primeira reunião ministerial de Temer oficialmente presidente. Ele fala da "combinação" necessária entre parlamentares e governo federal a partir de 16m47s

tramas

Vitória de derrotados, vazio de poder no Brasil é estágio pré-revolucionário

Brasília hoje lembra a Versalhes de antes da Revolução Francesa: uma corte com seus privilégios de um lado e o povo, de outro, obrigado a trabalhar e pagar os impostos que sustentavam o clero e os nobres
por Helena Sthephanowitz publicado 01/09/2016 10:38
cc / wikimedia
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Trama do golpe: Temer ficará no lucro se conseguir ter os dois anos que Luiz XVI teve antes da queda da Bastilha

Consumado o golpe que tirou o mandato da presidenta eleita, Dilma Rousseff, o país está dividido entre a capital federal, de um lado, com seus poderes formais ocupados por Vossas Excelências – que renegam o voto popular e impõem um programa de governo derrotado nas urnas –, e de outro, o resto do Brasil, os 99% que estão sem quem os represente.

Brasília hoje lembra muito a Versalhes pouco antes da Revolução Francesa. Uma corte composta pelo clero que se identificava com a nobreza e a própria nobreza, incluindo a togada, com seus privilégios. Todos eles mal chegavam à 2% da população francesa. Aos outros 98% do povo cabia trabalhar como burros de carga para levar uma vida miserável e oprimida a pagar os impostos que sustentavam a Corte, já que o clero e os nobres não só eram isentos de impostos como viviam às custas do Tesouro.

Dois anos antes da queda da Bastilha, o rei Luiz XVI, enfrentando uma crise econômica, tentou convencer o clero e os nobres a contribuírem com impostos. Não quiseram ceder os anéis para não perder os dedos. Dois anos depois, deu no que deu. Brasília também não aceita sequer um governo trabalhista e popular legitimamente eleito, se recusa a fazer uma reforma política que empodere o povo e faça as transformações desejadas, se recusa a tributar grandes fortunas, dividendos e, pior, promove uma volta às políticas de concentração de renda para os mais ricos, depauperando a população mais pobre e a classe média. Temer ficará no lucro se conseguir ter os dois anos que Luiz XVI teve antes da queda da Bastilha.

O vácuo de poder popular só pode ser preenchido por lideranças que aglutinem seus anseios. Lula ainda é a maior liderança, apesar da perseguição implacável que sofre. Afinal todo o povo quer de volta um governo como o que Lula fez, principalmente se for sem o contrapeso que foi necessário à governabilidade de oportunistas traidores, safados e corruptos que a Justiça Eleitoral diploma como se tivessem a ficha limpa.

Dilma também tem seu papel. Livre das amarras da governabilidade com forças políticas hostis aos interesses públicos, deposta pelo que uma caricatura do New York Times desenhou ser um bando de ratos, tem credibilidade para contar ao povo "como são feitas as salsichas" na política, ou seja, apontar os defeitos e caminhos para as transformações políticas, livrando da banda podre que, ao que tudo indica, só tem conserto pra valer com novas eleições diretas para presidente, seguida de uma nova Assembléia Nacional Constituinte exclusiva, com delegados eleitos diretamente pelo povo, sem a participação de atuais e futuros parlamentes, para não legislarem em causa própria, e com as principais regras propostas sendo levadas a plebiscito para a população decidir diretamente sem intermediários.

Mas não é só Lula e Dilma que podem preencher o vazio de poder deixado por Brasília. Aliás nem prender e arrebentar ambos para aniquilá-los, como tentou a ditadura no passado, adianta. Ainda pode parecer invisível, mas nos últimos 13 anos cresceram milhares de Lulas e Dilmas que, como disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), não retornarão submissos à senzala.

A farsa do golpe foi tão grande que Dilma foi destituída por suposto crime de responsabilidade mas, imediatamente depois foi absolvida dos supostos crimes, ao não a condenarem à perda de direitos como ocorreu com Collor. Ora, se houvesse convicção de fato de que houve crimes de responsabilidade, deveria haver convicção suficiente para impor a pena cabível, o que não foi feito. É a consciência pesada de quem fez uma injustiça e a confissão de parte do Senado de que Dilma sofreu de fato um golpe parlamentar, como ela diz e toda a imprensa estrangeira vê.

sonháticos

'Nova política' da Marina tem caixa dois e alianças com DEM, PSDB e PMDB

Sem claro posicionamento ideológico, estreia da Rede Sustentabilidade nas eleições municipais é marcada por alianças da esquerda à direita, passando pelas oligarquias e repetições de velhas práticas
por Helena Sthephanowitz publicado 18/08/2016 09:38, última modificação 18/08/2016 13:37
Marcos Fernandes/PSDB
Marina

Marina declarou apoio a Aécio no segundo turno das eleições presidenciais de 2014

Nos últimos meses, várias pesquisas mostraram Marina Silva da Rede Sustentabilidade liderando ou empatando com o ex-presidente Lula na preferência do eleitorado. A pesquisa Datafolha de segunda feira (15) mostrou Marina caindo, despencando, rolando ladeira abaixo. E o motivo para tanto desencanto dos eleitores talvez seja sua tentativa de agradar a gregos e troianos. E isso pode ter gerado no eleitor desconfiança com contradições em seus discursos.

Criado sob o lema de uma "nova política", segundo declarações de Marina, para contestação de velhas práticas eleitorais e concepção de uma nova conduta político-partidária – "Somos diferentes, não somos a mesma coisa" – , a Rede, assim como Marina, parece ser mais do mesmo. Marina, segundo o empresário Léo Pinheiro, na delação premiada, teria pedido ao grupo OAS contribuição de R$ 400 mil para o caixa dois de sua campanha presidencial em 2010.

Depois de beijar a mão de Aécio Neves (PSDB), a quem Marina declarou apoio no segundo turno da eleição presidencial de 2014, a Rede Sustentabilidade fará agora alianças com partidos que vão da esquerda à direita nas eleições municipais de outubro. DEM, PSDB, PMDB e Psol são algumas das siglas que terão apoio ou apoiarão candidatos próprios do partido de Marina Silva. Mas a Rede não é "nem de esquerda nem de direita", conforme definição da própria Marina.

Em sua estreia em eleições, a Rede terá candidatos próprios em 11 capitais brasileiras. Em algumas das demais capitais, o partido de Marina fez alianças bem heterodoxas. É o caso do prefeito de Macapá, Clécio Luís, da Rede, e que disputa a reeleição com o apoio do DEM, PSDB, PCdoB e apoio informal do Psol e do PCB. Eleito em 2012 pelo Psol, Clécio foi para a Rede em 2015 e diz que a parceria "pode dar alguma dor de cabeça" junto à militância.

Adversário de Marina nas duas últimas eleições presidenciais, o PSDB receberá o apoio da Rede em Teresina, onde o tucano Firmino Filho tenta reeleição. O prefeito enfrentará nas urnas o ex-senador Gilvan Borges (PMDB), aliado do ex-presidente José Sarney. No outro extremo, a Rede vai apoiar candidatos do Psol e indicar os vices em Salvador e Florianópolis. Em Curitiba, a Rede vai apoiar o filho do senador Roberto Requião, o deputado estadual peemedebista Requião Filho. Em São Paulo, Marina anunciou apoio ao deputado estadual Orlando Morando (PSDB) à prefeitura de São Bernardo do Campo.

A Rede vai apoiar, também, candidatos do PSB. A aliança não é nova, já que Marina integrou a aliança que teve Eduardo Campos (PSB) como cabeça de chapa e, após a morte trágica do ex-governador de Pernambuco, assumiu a candidatura na eleição presidencial de 2014.

Visto por cientistas políticos e especialistas no cenário nacional como o partido mais fisiológico e menos ideológico do espectro de mais de 30 legendas, o PMDB (que junto com o PP lidera nas delações da Lava Jato como recebedor de propinas), vai receber apoio da Rede Sustentabilidade em pelo menos duas capitais: Porto Alegre e em Curitiba.

O porta-voz nacional da Rede, José Gustavo, afirma que o partido aposta na "indignação com o sistema político" e que a ordem é firmar alianças "programáticas": "A 'nova política' está para além do rótulo do que é um partido", argumenta o representante da Rede Sustentabilidade.

"Nova política"?

Em 2014, Marina Silva, dividiu palanque e pediu votos para o deputado Paulo Bornhausen: "Meus amigos, vamos fazer a campanha de Paulo, para que ele seja o nosso senador", afirmou Marina no palanque ao lado de Bornhausen. Candidato na época ao Senado pelo PSB no estado, Paulinho, como é conhecido, é filho do ex-senador Jorge Bornhausen, que foi governador biônico de Santa Catarina na época da ditadura. Um dos nomes fortes da Arena, partido que deu sustentação ao regime militar, Jorge fez carreira no antigo PFL e ficou no DEM até 2011, quando deixou a vida partidária. Como "puxadora de votos" Marina não se saiu bem, Bornhausen, não foi eleito. Marina, que defende a chamada "nova política", pela qual promete governar ao lado dos "melhores", tenta desconversar agora quando perguntada sobre a nova política com o Bornhausen.

Agora os sonháticos que acreditaram em "nova política" terão que procurar abrigo no Partido Pirata.

Em vez de se redimir e voltar às origens, rendeu-se definitivamente à velha política das oligarquias, se reservando ao papel de boa candidata para perder, e ser usada como linha auxiliar para o projeto de poder demo-tucano.

ficha suja

Troca de e-mails mostra que Magno Malta recebeu propina de R$ 100 mil

Senador do PR é tido como exemplo de "moral e bons costumes" pela extrema direita e gosta muito de debochar de políticos que não compactuam com suas idéias
por Helena Sthephanowitz publicado 15/08/2016 13:33, última modificação 15/08/2016 18:06
Moreira Mariz/Agência Senado
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Segundo reportagem, autenticidade de mensagens entre empresário e Magno Malta foi atestada por especialista

O senador Magno Malta (PR-ES) virou uma espécie de ídolo da extrema-direita com seus discursos raivosos e ataque a políticos à esquerda. Como se tivesse uma ficha limpíssima, usa  a tribuna do plenário do Senado para falar em "moral e os bons costumes", acusar adversários políticos e até debochar. Enquanto Malta acusa sem apresentar provas, o jornal Folha de S.Paulo diz ter tido acesso a e-mails que comprovam caixa 2, ou propina, para o senador na eleição de 2014.

Segundo reportagem do domingo (14), e-mails comprovam a denuncia de  R$ 100 mil de caixa dois do presidente da cozinha Itatiaia, Victor Penna Costa, a Magno Malta. De acordo com  o jornal, as trocas de mensagens entre o dirigente de uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país e o senador são de 8 de setembro de 2014.

Outras mensagens entre funcionários e direção da Itatiaia indicam que Malta viajou no avião particular da empresa em 2012 e 2013. Das conversar participam o presidente da empresa, Penna Costa, seu filho Daniel – que era gerente financeiro à época– e um assessor da firma, Hugo Gabrich.

Em um deles, o presidente da empresa diz que precisa pagar R$ 400 mil para "consultoria" de Gabrich. O assessor responde: "Estou entregando a NF (nota fiscal) que cobre o montante de R$ 500 mil conforme orientação do dr. Victor. Impostos serão incluídos na NF, totalizando R$ 575 mil."

Na nota emitida pela Vix Consulting, de Gabrich, a contratante é a Itatiaia. O acerto mostra que a contratante pagou os R$ 75 mil de impostos para a Vix – o que sugere que a nota foi encomendada.

Na sequência dos e-mails, Costa manda o filho depositar para a Vix Consulting somente R$ 475 mil. "Os outros 100.000 são para compensar a retirada em dinheiro de R$ 100.000 do Malta. Não sei como foi contabilizado (a saída desse valor da empresa)", escreve o presidente da Itatiaia.

Daniel, então, pergunta: "Quem realizou o pagamento do Malta? Existe NF, foi declarado a doação?"

Victor encerra: "Não existe NF, não declaramos. Veja com Lailton (tesoureiro da empresa). Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto".

Procurado pelo jornal, Gabrich afirmou que a empresa fez nota fria para justificar pagamentos de caixa 2 da Itatiaia. O destino do restante do valor da nota (R$ 400 mil) não aparece na troca de e-mails.

De acordo com a Folha, a pedido da reportagem as origens das mensagens foram analisadas pelo perito em ciências forenses Reginaldo Tirotti. O especialista atestou a autenticidade delas, identificando a sequência de códigos gerados pelos remetentes das mensagens.A Itatiaia foi fundada em 1964 e tem duas fábricas, em Ubá (MG) e em Sooretama (ES).

Já em outro e-mail, de 8 de julho de 2014, um ano após a Itatiaia inaugurar a unidade capixaba, que recebeu incentivos fiscais, Gabrich descreve a Victor Costa o cenário político no Espírito Santo. Menciona candidatos "viáveis" ao governo, fala de Magno Malta, que fechou aliança com Renato Casagrande (PSB), governador do Estado na época. Disse que a mulher do senador, Lauriete, não disputaria a reeleição para deputada federal e citou o deputado Marcelo Santos (PMDB).

"Não tenho dinheiro para todos", responde o presidente da Itatiaia. "Não posso dar mais para deputado estadual que para senador."

Gabrich diz: "O Magno não é candidato agora a nada."

Malta no jatinho

Outros e-mails mostram que o senador usou avião particular da Itatiaia ao menos duas vezes: em 20 de julho de 2012, de Vitória a Aracaju, e em 27 de fevereiro de 2013, no trajeto Brasília-Rio.

Em 22 de fevereiro daquele ano, uma secretária da Itatiaia agenda um voo para Costa, Gabrich e o senador. Em 28 de fevereiro, Malta vai com Gabrich ao BNDES – a reunião não constou da agenda oficial, informou o banco.

Sobre a viagem a Aracaju, há um e-mail enviado ao presidente da Itatiaia pelo então diretor Beto Rigoni, que relata problemas no trajeto: "Eram 7 pessoas quando só cabem 4 no avião. O Yunes (piloto) tinha duas opções: dar duas viagens ou colocava todos dentro na aeronave. Como o senador pressionou ele bastante, ele (...) seguiu para Aracaju em 8 pessoas dentro do avião (além da insegurança, fizeram uma 'festa no ar')".

"Nós precisamos começar a cortá-lo. Os acionistas também não querem tanta proximidade", responde Costa.

Fraude em leilão

Mensagens de dirigentes da Itatiaia dão indícios de que o presidente da empresa, Victor Penna Costa, fraudou a arrematação de um terreno em Belo Horizonte lesando centenas de trabalhadores que cobravam dívidas trabalhistas de uma outra empresa.

Costa, por meio de seu assessor, Hugo Gabrich, arrematou a área de 12.369 metros quadrados, em 2010, pelo valor mínimo estipulado pela Justiça, R$ 1,56 milhão.

O terreno pertencia à SIT Engenharia, uma das empresas que construiu Brasília, e foi a leilão por causa de ação trabalhista. Seu valor de mercado era R$ 25 milhões.

Em e-mail de 2013, quase três anos após o leilão, o dono da SIT, Luiz Lima Lobato, escreve ao presidente da Itatiaia cobrando quantia que ambos teriam acertado por fora. Com isso, Lobato embolsaria os valores, em vez de pagar trabalhadores.

Lobato anexa ao e-mail cópia de um acordo de gaveta que previa que Costa pagaria por fora quase R$ 3,9 milhões. Também se queixava que Costa arrematou o imóvel por preço abaixo do que tinham combinado – deveria ter sido R$ 2,6 milhões, diz. Ex-trabalhadores da SIT estão sem receber até hoje.

A Folha teve acesso a supostos pagamentos desse acordo: um e-mail, de 2012, em que Costa autoriza transferência de R$ 300 mil a uma conta de Lobato; e a cópia de um cheque da Itatiaia, de R$ 300 mil, em nome de Lobato.

Costa ganhou o leilão com o lance mínimo porque não houve interessados. A área estava hipotecada, o que pode tê-los afastado. Após o leilão, cancelou-se a hipoteca. O lance é questionada na Justiça do Trabalho. A causa que o levou a leilão é fruto de um processo trabalhista contra a SIT, mas outro credor diz que tinha preferência na arrematação.

O caso está no Tribunal Superior do Trabalho, que marcou julgamento para quarta (17). Gabrich, hoje ex-assessor de Costa, peticionou ao ministro do TST Caputo Bastos avisando sobre a fraude.

Em março deste ano, Costa escreveu a seu ex-assessor: "Ganhei no TST rsrsrs já acostumei com a situação". O despacho ao qual se referia só foi publicado três dias depois.

Questionado sobre o e-mail ao presidente da Itatiaia, o empresário Luiz Lobato reconheceu o texto. Disse, que não se lembra de ter recebido por fora porque o caso já tem seis anos.

Passeio com dinheiro público

O senador Magno Malta (PR-ES) passou quatro dias passeando em Dubai, nos Emirados Árabes, bancado pelo Congresso Nacional. Malta apresentou em 2009 um requerimento para viajar a Hyderabad, na Índia, onde participaria de um fórum sobre o combate à pornografia infantil .O senador, que era membro da CPI da Pedofilia, e seu assessor  receberam diárias para seis  dias. Ficaram dois na Índia e foram a Dubai, onde não tinham agenda oficial, passear nos dias restantes com o dinheiro do povo brasileiro. No total, R$ 200 mil em diárias e passagens foram depositados. Na época, Malta disse que não via problema em ter passado quatro dias numa cidade turística mesmo não tendo qualquer compromisso oficial pela CPI.

Máfia dos sanguessugas.

A Polícia Federal (PF) indiciou Magno Malta, em 2007, por participação na máfia dos sanguessugas. Segundo a PF, o parlamentar foi indiciado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

As investigações da Polícia Federal e do Congresso mostraram que o esquema dos sanguessugas fazia compras superfaturadas de ambulâncias para prefeituras com dinheiro do Orçamento. Segundo os empresários Darci Vedoin e Luiz Antonio Vedoin, Magno Malta combinou a apresentação de emendas favoráveis à Planam (dos irmãos Vedoin) no valor de R$ 1 milhão e recebeu como adiantamento um Fiat Ducato, que usou entre 2003 e 2005. Darci Vedoin foi apontado pela PF como chefe da máfia dos sanguessugas.

O senador Magno Malta, que gosta muito de debochar de políticos que não compactuam com suas idéias, deveria agora, antes de apontar o dedo e acusar, olhar para sua ficha nada limpa.

República de Minas

Para Aécio, ninguém está acima da lei. Mas mensalão tucano repousa há 11 anos no MP

E se Aécio está tão determinado a acabar com a impunidade, por que articulou na Comissão de Constituição e Justiça para que seus deputados não votem pela cassação de Cunha?
por Helena Sthephanowitz publicado 10/08/2016 09:53
Lula Marques/ Agência PT
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Diversas vezes delatado, Aécio ousou: 'Ninguém pode cometer crime impunemente'

Único a discursar na bancada do PSDB, ontem (9), o senador Aécio Neves (MG), presidente do partido, defendeu Antonio Anastasia, disse que ninguém está acima da lei, e  voltou atacar  a presidenta Dilma Rousseff, a quem acusou de cometer "ilegalidades". Aécio afirmou que "ninguém pode cometer crime impunemente" e que, após o julgamento do impeachment, a sensação de "impunidade" deixará de predominar.

Soam como ideias fora de lugar declarações do tucano Aécio Neves, ao dizer que "impunidade" deixará de predominar. Aécio, como é notório, adora um aeroporto em sua fazenda. Melhor ainda se construído com dinheiro dos cofres públicos. Ou teria Aécio esquecido do escândalo do aeroporto construído para atender a ele e à própria família. E nada foi investigado. Isso se chama impunidade!

Faltam a ele a bagagem intelectual e a oratória de um Carlos Lacerda, que migrou para a direita e morreu no relento da política. Mesmo assim, Aécio ousou: "Ninguém pode cometer crime impunemente".

Mas e quando Aécio estava à frente do  governo de Minas e destinou uma gorda fatia de publicidade para empresas de telecomunicações dos Neves? Não cometeu ilegalidades? É deselegante perguntar como Aécio lida quando se encontram o público e o privado?Isso é cometer crime impunemente!

E os R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois (que corrigido pela inflação do período, equivale a R$ 34,5 milhões), recebido por José Serra, do mesmo partido do qual Aécio é o presidente? A impunidade  vai  predominar? Aécio trabalhará pelo "impeachment" do ministro interino?

Se Aécio está tão determinado a acabar com a impunidade, por que articulou na Comissão de Constituição e Justiça para que seus deputados não votem pela cassação de Eduardo Cunha? Já se foram 300 dias do início do caso Cunha e nenhuma manifestação do PSDB contra o deputado.

Relatório da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), divulgado pela Folha de S. Paulo, ontem, aponta que uma obra em rede de energia elétrica que corta uma fazenda da família do senador Aécio Neves foi realizada quando o tucano era governador, sem cobrar os R$ 240 mil (avaliados na época) ao proprietário. Regras da estatal também teriam sido descumpridas.

O documento é assinado por Eduardo Ferreira, superintendente de Auditoria Interna da Cemig. Ele trata de mudança no traçado da linha de distribuição de energia Cláudio/Carmópolis entre as torres 18 e 22, em 2007. "Após a realização de apurações detalhadas e do levantamento de toda a documentação, foi averiguada pela auditoria uma falha de procedimento nessa obra, pois os proprietários (a família de Aécio) não chegaram a ser cobrados pelo seu valor, apesar de serem responsáveis pela execução do desvio", disse a Cemig em nota.

Quando a obra foi feita, a Cemig era presidida por Djalma Morais, aliado de Aécio. A partir de setembro de 2015, a estatal passou a cobrar pela obra não paga. O responsável pela aprovação do estudo de viabilidade, Wellington Soares, disse aos auditores que orientou o projetista a não atribuir os custos aos donos do terreno "seguindo demanda que teria recebido de seu superior" – mas sem dar detalhes. Que nome devemos dar a isso? Seria "gato" ou roubo de energia elétrica? Isso sim se chama cometer um crime e ficar impune.

E o mensalão tucano, nascido em Minas Gerais, pai tucano de todos os mensalões reais ou imaginários, onde é que fica? O tucano Eduardo Azeredo e seus companheiros fazem de tudo para alongar o processo para prescrever condenações.

O inquérito aberto em 2005 para investigar contratos do governo tucano de Aécio Neves (2003-2006) com as agências de publicidade do empresário Marcos Valério está parado há 11 anos nas gavetas do Ministério Público de Minas Gerais.

O pente-fino da Promotoria seria em todas as operações que as duas agências de Valério (SMPB e DNA) mantinham com o governo tucano de Minas, na primeira gestão do senador. Onze anos desde a instauração do inquérito, não há conclusão, e o caso, na prática, nem sequer andou. O mensalão tucano envolveu o governo de Minas, em 1998, quando era comandado por Eduardo Azeredo (PSDB).

Segundo a Procuradoria-Geral da República, houve desvio de R$ 10 milhões de estatais mineiras para a campanha eleitoral de Azeredo, que tentava se reeleger. Em razão desses escândalos, o Ministério Público recomendou, em julho de 2005, a suspensão de todos os contratos de órgãos públicos do Estado com a SMPB e DNA. Entre 2004 e 2005, a gestão do atual senador pagou ao menos R$ 27 milhões às agências de Valério (hoje condenado e preso) pelos contratos vigentes até então. Aécio Neves foi governador de Minas entre 2003 e 2010.

A Promotoria pediu ao Executivo cópias de toda a documentação desses contratos, inclusive notas fiscais, para análise. No entanto, caixas e caixas de documentos enviados ao Ministério Público ficaram praticamente intactas. A promotora Elizabeth Villela, que assumiu a responsabilidade por esse inquérito, disse que em 2014 remeteu a papelada ao Conselho Superior do Ministério Público mineiro, que solicitou o envio de todos os inquéritos instaurados até 2007 e que estavam sem andamento.

Mês passado, o publicitário Marcos Valério de Souza propôs ao Ministério Público de Minas Gerais um acordo de delação premiada sobre o mensalão tucano.

"A sociedade vai se escandalizar com o que o Marcos Valério vai revelar sobre o mensalão tucano", disse Jean Robert Kobayashi Júnior, o advogado de Valério. Talvez seja por esse  motivo que até agora não houve interesse do MP assinar o acordo de delação.

Seriam necessários dias, meses, anos, para relembrar aqui todos os casos de ilegalidades,  corrupção e os crimes impunes no ninho tucano.

Não se sabe dos tucanos emplumados qual tem sido mais infeliz e calhorda em suas manifestações. Bem, na verdade sabe-se: Aécio Neves. Definitivamente, o fracasso eleitoral subiu-lhe à cabeça.

temporada de caça

Executivos da Odebrecht prometem à PF detalhar propina paga a tucanos graúdos

Diante delações de propina, caixa dois, corrupção e dinheiro enviado ao exterior para pagamento de campanhas do PSDB, presidente do TSE, Gilmar Mendes, quer cassação do registro do PT
por Helena Sthephanowitz publicado 08/08/2016 15:57
Fredy Uehara/ Uehara Fotografia/fotos públicas
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Anastasia, Aécio e Alckmin: contra o alto tucanato, as denúncias vão surgir para todos os lados

Não tem passeatas. Não tem panela batendo nas varandas gourmets dos luxuosos apartamentos. No plenário do Senado e da Câmara, políticos de oposição ao PT não fizeram discursos contra a corrupção. Mas em 2012, teve homenagem ao diretor da Odebrecht.

O ministro das Cidades, Bruno Araújo, condecorou o diretor da Odebrecht Claudio Melo Filho com a Medalha do Mérito Legislativo em novembro de 2012.

O líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), homenageou o vice-presidente de Relações Políticas e Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. De acordo com o parlamentar, o executivo rompeu fronteiras e fez a construtora levar o nome no Brasil para o exterior. “Ele ajudou a impulsionar um momento novo no Brasil levando uma grande empresa nacional a fazer importantes operações fora do país”, afirmou o PSDB. “A medalha é a maior honraria concedida pela Câmara. Trata-se de “uma forma de homenagear personalidades, brasileiras ou estrangeiras, que realizaram ou realizam serviço de relevância para a sociedade” e cujo trabalho “recebeu a admiração do povo brasileiro”, diz o site o site do PSDB. Bruno Araújo recebeu doações da Odebrecht nas eleições de 2014. A Odebrecht deu R$ 130 mi.


Depois da honraria... Os executivos da Odebrecht prometeram aos investigadores da força-tarefa da Lava Jato detalhar como o caixa dois da empresa abasteceu as campanhas eleitorais do PSDB em 2010.

O principal assunto em Brasília é a notícia divulgada pela imprensa. A campanha do ministro interino das Relações Exteriores, José Serra, à Presidência da República em 2010 recebeu R$ 23 milhões de caixa dois da Odebrecht, conforme disseram executivos a investigadores da Operação Lava Jato. A informação é do jornal Folha de S. Paulo. A revelação foi feita na semana passada a procuradores da força-tarefa e da Procuradoria-Geral da República (PGR) por funcionários da Odebrecht que tentam acordo de delação premiada. É a primeira vez que Serra é citado em esquemas de corrupção por delatores da operação que investiga desvios na Petrobras.

Os executivos afirmaram que parte do dinheiro foi pago no Brasil e outra parte foi entregue por meio de depósitos em contas no exterior. Apesar das informações concedidas aos procuradores, o acordo de delação premiada ainda não foi assinado. Talvez, seja pelo fato de o político ser um capa preta do PSDB. Para comprovar que houve pagamento por meio de caixa dois, a Odebrecht disse que apresentará extratos bancários de depósitos realizados no exterior que tinham como destinatária a campanha presidencial de Serra.

Informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a empreiteira doou naquele ano R$ 2,4 milhões ao Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República de Serra. Assim, a campanha do tucano teria recebido da empreiteira R$ 25,4 milhões – sendo R$ 23 milhões por meio de caixa 2 ou R$ 34,5 milhões em valores atualizados pela inflação.

Os envolvidos nas negociações de delação consideram o tema um dos principais anexos da pré-delação da empreiteira. Em conversas futuras, os executivos devem revelar que o atual chanceler era tratado pelos apelidos de "Careca" e "Vizinho", em documentos da empresa. Funcionários da Odebrecht ainda vão relatar propinas a intermediários de Serra quando foi governador de São Paulo (2007-2010).

Anastasia também foi citado

O ex- governador mineiro e hoje senador Antônio Anastasia (PSDB) também teria sido citado. O senador tucano aparece nas negociações para a delação também como destinatário de caixa dois em uma de suas campanhas. Os nomes dos dois estão entre os 13 governadores e 35 senadores já listados pela construtora na negociação da delação.

Se, por um lado, a delação da Odebrecht soltou fagulhas no ninho de Anastasia, o Ministério Público de Minas Gerais promete pôr fogo. O MP abriu investigação para apurar se Anastasia se beneficiou da desapropriação de terreno utilizado na construção da Cidade Administrativa, a Aeciolandia. A área, de 830 mil metros quadrados, pertencia ao Jockey Club de Minas Gerais, que tinha Anastasia como sócio e conselheiro deliberativo.O projeto foi apresentado pelo governador Aécio Neves, que assinou decreto de desapropriação do terreno de 804 mil metros quadrados.

O valor pago pelo Estado foi de R$ 24 milhões. Anastasia foi secretário de Planejamento no primeiro mandato do atual senador Aécio Neves (PSDB) como governador de Minas, de 2003 a 2006, quando o terreno foi desapropriado.  Segundo a representação à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Anastasia na época participou "simultaneamente do processo de desapropriação como desapropriado e desapropriante" e "sendo cotista proprietário foi o beneficiário direto do valor a ser pago pela desapropriação da área".

Aécio foi reeleito tendo Anastasia como vice na chapa. Ele assumiu o governo estadual em março de 2010, quando Aécio deixou o cargo e disputou o Senado. Por sua vez, Anastasia foi reeleito governador naquele mesmo ano. A Cidade Administrativa foi inaugurada em março de 2010. O valor gasto declarado oficialmente à época foi de R$ 1,2 bilhão. O pagamento da desapropriação ao Jockey Club também ocorreu em 2010.

Alckmin

A delação da Odebrecht, também envolverá a construção do Rodoanel Mário Covas. A obra aparece em um das planilhas apreendidas durante a 23ª fase da Lava Jato. Delatores alegam que a construtora teria pago a pessoas ligadas a José Serra que participaram do projeto. As obras do Rodoanel já apareceram na Lava Jato. Os investigadores apuram repasses de propina em contratos do trecho do Rodoanel. Não é a primeira vez que um político tucano aparece nas negociações entre a Odebrecht e a Lava Jato. No final de julho, os executivos da empresa prometem relatar repasses a campanhas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Os dados dos repasses ao PSDB estão em documentos que a construtora começou a reunir do Setor de Operações Estruturadas. As informações são o ponto-chave das negociações da Odebrecht com a força-tarefa. Os investigadores querem acesso irrestrito aos dados e às transações do setor, que ficou conhecido como a "diretoria da propina". Eles querem também extratos de contas da empresa no Meinl Bank Antigua, localizado em Antigua. O banco era controlado por operadores ligados à construtora e pode ter sido usado para ocultar propinas pagas a políticos no exterior.

Nas últimas semanas, investigadores ouviram dezenas de executivos da empresa em Curitiba e Brasília durante mais uma etapa da negociação do acordo de colaboração com a Odebrecht. Desde abril, advogados da construtora negociam os termos do acordo que pode ter mais 90 anexos e envolver 51 executivos e gerentes do grupo.

Além de Marcelo Odebrecht, que falou por cerca de dez horas aos investigadores na sede da Polícia Federal na última quinta-feira (4), estiveram em Curitiba o ex-diretor-presidente da construtora Odebrecht Benedito Barbosa da Silva Junior, e o ex-executivo Alexandrino Alencar. Na conversa, eles teriam relatado aos investigadores o que podem falar em delação. Foi com Benedito que os investigadores acharam uma lista com o nome de mais de 200 políticos que teriam recebido valores da empresa nos últimos 20 anos. Ele chegou a ser preso na Lava Jato, mas foi solto pela Justiça.

Os acordos de delação de Marcelo Odebrecht e de outros executivos da empresa são os mais esperados da Operação Lava Jato. Depois de uma primeira etapa complicada, com avanços e recuos, os acordos avançaram nas últimas semanas de forma significativa. Após acertos prévios com advogados, os procuradores começaram a ouvir os executivos para saber quem está apto a fazer o acordo e que assuntos interessam. Fica aí a pergunta. Se os delatores da Odebrecht só entregarem tucanos interessa ao juiz Moro?

PF

A Polícia Federal (PF) em São Paulo investiga superfaturamento e fraude à licitação nas obras do Rodoanel, contratada pela Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa controlada pelo governo Alckmin. Investigadores da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin) apuram se o aumento de ao menos R$ 170 milhões nos custos de terraplenagem da construção foi autorizado pela estatal para beneficiar empreiteiras.

O inquérito foi instaurado no dia 16 de fevereiro pela Delefin, após denúncia feita por um ex-funcionário da estatal. Segundo o delator, os custos com terraplenagem subiram mais de R$ 420 milhões depois de a Dersa – com o diretor Paulo Preto, aquele que sumiu com o dinheiro arrecadado de empreiteiras para a campanha de José Serra – assinar aditivos contratuais com os consórcios que executam a obra, em 30 de setembro de 2015, incorporando composições de preços e incluindo novos serviços, mas sem alterar o valor final do contrato. Ministério Público Federal (MPF) intimou a Dersa a enviar cópias de todos os contratos e aditivos relacionados ao Rodoanel

As modificações foram feitas a cinco meses do fim do prazo contratual da obra, que deveria ter sido concluída em fevereiro. Pelos contratos assinados em 2013, no valor total de R$ 3,9 bilhões, o custo previsto com terraplenagem em toda a obra era de R$ 423,7 milhões. Até janeiro deste ano, o valor atualizado para esse serviço era de R$ 845,4 milhões, um aumento de 99,6%.

O maior acréscimo (385,6%) foi registrado no lote 2, executado pela construtora OAS, investigada pela Operação Lava Jato e cujo sócio já foi condenado no escândalo de corrupção da Lava Jato. O segundo maior aumento, segundo a Dersa, aconteceu no lote 1, do consórcio Mendes Júnior/Isolux Corsán, também investigado na Lava Jato. Nele, houve acréscimo de 69,8%, ou R$ 30,2 milhões,

Temer

Marcelo Odebrecht afirmou que repassou R$ 10 milhões em dinheiro ao PMDB, em 2014, a pedido do então presidente do PMDB, o presidente interino Michel Temer. Em  um dos anexos da delação premiada que Marcelo negocia com a Lava Jato, é relatado um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, em maio de 2014. Durante o encontro, do qual também participou o então deputado Eliseu Padilha, hoje ministro-chefe da Casa Civil, Temer teria pedido ao empreiteiro “apoio financeiro” para o PMDB, que presidia à época. Marcelo disse que repassou R$ 10 milhões em dinheiro vivo.

Eliseu Padilha teria recebido R$ 4 milhões e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que foi  candidato em 2010 ao governo de São Paulo pelo PMDB, teria ficado com outros R$ 6 milhões. Os valores teriam sido contabilizados no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, também conhecido como o "Departamento da Propina" da empreiteira.

Skaf  é velho conhecido da PF. Ele já foi flagrado em conversas gravadas na Operação Castelo de Areia. Em 2009, em grampos feitos com autorização da justiça durante a Operação Castelo de Areia, executivo da Camargo Corrêa dizia que Skaf se queixava da demora de pagamentos a senadores de DEM e PSDB. O relatório da PF citou o PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT e PP.

Durante as interceptações telefônicas, a polícia gravou uma conversa entre o vice-presidente da Camargo Corrêa, Fernando Botelho, com um dos diretores presos, Pietro Francesco Giavina Bianchi. No diálogo, Botelho afirmava ter sido procurado por Skaf, que se queixava da demora.

Na época,  Fernando Arruda Botelho renunciou à vice-presidência da Fiesp. Casado com uma das filhas de Sebastião Camargo, fundador da construtora, Botelho é um dos sócios da empreiteira Camargo Corrêa, que foi alvo principal da Operação Castelo de Areia - investigação da Polícia Federal sobre esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e doações eleitorais "por fora", o famoso caixa dois ou dinheiro não contabilizado.

Esse Gilmar!!

Diante das delações de propina, caixa dois, corrupção e dinheiro enviado ao exterior para pagamento de campanhas do PSDB, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, determinou na sexta-feira (5) abertura de representação contra o PT que pode resultar na cassação do registro do partido. O processo foi encaminhado à corregedora- geral eleitoral, Maria Theresa Assis Cavalcanti, que analisará o caso. Para Gilmar Mendes, há indícios de que o PT recebeu, por meio de doação de campanha ao partido e à campanha presidencial de 2014, dinheiro desviado de contratos da Petrobras. Será que  algum jornalista tem coragem de perguntar a Gilmar Mendes de onde as construtoras tiraram o dinheiro que abasteceu campanhas dos políticos que fazem oposição ao PT?