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por publicado , última modificação 17/06/2013 17:40

Derrubar o Mercosul é caminho para desindustrializar o Brasil

por Helena Sthephanowitz publicado 18/06/2013 16:03
Em entrevista a jornal argentino, candidato tucano a presidente, Aécio Neves se mostra ainda aliado ao Consenso de Washington
©reprodução
Aécio ao La Nacion

Aécio Neves foi entrevistado pelo "La Nación"

O senador Aécio Neves (MG), pré-candidato a presidente da República em 2014, em entrevista ao jornal La Nación, da Argentina, sinalizou que seu plano é esvaziar o Mercosul, e fazer outros tratados de livre comércio.

O tucano declarou: "Estamos muito preocupados com o que acontece hoje no Mercosul, que está muito engessado. Duvidamos se a união aduaneira é ainda o melhor caminho (...) Não devemos perder as alianças comerciais do Brasil com a Argentina, mas temos de transformar o Mercosul em uma área de livre comércio, que permita a cada Estado associado firmar acordos comerciais com outros países. (...) Temos de ter coragem de repensar e revisar o Mercosul. Neste sentido, a Aliança do Pacífico, constituída pelo México, Colômbia, Peru e Chile é um exemplo de dinamismo".

A declaração remete a antigas propostas dos anos 1990 como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), projeto hegemônico dos EUA que, se implementado nos moldes entreguistas propostos, impediria o desenvolvimento nacional – e dos demais países do continente – por décadas.

Nas eleições de 2010, o então candidato tucano, José Serra, também disse a mesma coisa que Aécio diz agora. Os tucanos se deslumbram com o Chile. Porém, para haver acordos vantajosos é preciso haver sinergia nas trocas comerciais entre dois ou mais países. O Mercosul tem a sinergia da integração sul-americana, onde todos se desenvolvem juntos.

O Chile não tem grandes problemas em fazer acordos comerciais com grandes países industrializados porque exporta minérios, frutas, salmão, vinhos, celulose, metanol, produtos químicos e insumos agrícolas. Não tem nem um parque industrial a competir com outros países grandes, nem um mercado interno gigante e em expansão como o brasileiro. O Brasil deve ter soberania na dosagem de abertura em setores da economia, de acordo com o interesse nacional, em vez de submeter-se a tratados escritos por estrangeiros.

O ex-presidente Lula, apesar de ter encontrado o Brasil em situação delicada e dependente do FMI em 2003, resistiu às pressões, refutou a Alca, revigorou o Mercosul e pela via diplomática abriu mercados com todas as partes do mundo, ampliando as exportações brasileiras. A presidenta Dilma deu continuidade à sua política externa e, hoje, a Organização Mundial do Comércio (OMC) é conduzida por um brasileiro.

As propostas do tucanato podem enterrar toda a geopolítica exitosa construída nos últimos dez anos. E se voltar aquela política do governo FHC de submeter-se ao chamado Consenso de Washington, do qual o livre comércio imposto pelos países imperialistas faz parte, o Brasil acabará ficando para trás. E aí, adeus ao "B" dos Brics (sigla dos principais países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Transporte urbano pressiona administrações de todas as cores partidárias

por Helena Sthephanowitz publicado 17/06/2013 17:40, última modificação 17/06/2013 17:43
cc/ninja mídia
belem.jpg

Concentração popular prepara manifestação contra passagem de ônibus em Belém do Pará

A prefeitura de Macapá, comandada  desde janeiro por Clécio Luís (Psol), ao contrário de outras capitais ainda cobra 5% de ISS sobre a passagem de ônibus. E cobra das empresas privadas de ônibus mais 6% de Taxa de Gerenciamento, recolhida para a Companhia de Trânsito e Transporte de Macapá (CTMac), órgão municipal responsável por fiscalizar e regular o setor.

O passageiro poderia pagar 11% a menos, caso o prefeito desonerasse essas taxas, seguindo o exemplo do governo federal que já zerou o PIS e Cofins sobre o serviço de ônibus urbano.

O caso da prefeitura de Macapá torna-se emblemático porque o Psol declara-se defensor da tarifa zero, ou seja, o transporte ser gratuito através do subsídio custeado por outros impostos progressivos. Logo torna-se um contrassenso cobrar 11% de impostos municipais justamente sobre a passagem de ônibus.

Além disso, lideranças e militantes do partido tem participado de justas manifestações pelo barateamento da passagem em outras cidades. Entretanto, em Macapá não houve redução de tarifa, mesmo com o governo federal zerando o PIS e Cofins, e a opção da prefeitura desonerar os impostos municipais.

É possível que o prefeito Clécio Luís, em seu primeiro ano de mandato, encontre dificuldades em manter o equilíbrio do orçamento municipal, sem comprometer verbas para outros setores críticos como educação, saúde, saneamento, moradia popular, caso zerar os impostos sobre a passagem e ainda passar a subsidiar o transporte urbano. É o mesmo problema que enfrenta outros prefeitos.

Esse quadro mostra que a melhoria e barateamento do transporte urbano é hoje uma demanda popular, mas que atinge administrações de todas as cores partidárias, o que pede, além de soluções pontuais, uma ampla discussão sobre mobilidade urbana, tamanha é a complexidade, sobretudo em áreas metropolitanas, onde há vários sistemas de transporte diferentes e conexão entre municípios vizinhos. 

O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), em
artigo, defende uma Conferência Democrática sobre a Mobilidade Urbana, com a participação de todos os atores sociais, políticos e técnicos, para desatar nós, tais como fontes de financiamento necessárias para sustentar mudanças mais profundas e mais rápidas. É uma ótima proposta e melhor que resulte em uma conferência nacional, com etapas municipais, metropolitanas, estaduais, até chegar à etapa nacional, de forma que os municípios troquem boas experiências e soluções que possam ser replicadas. No caso de regiões metropolitanas talvez seja interessante vir a criar um Sistema Único de Transporte Integrado, de forma a racionalizar planejamento compartilhado e os recursos. Quem sairá ganhando é o cidadão, seja morador de São Paulo, seja de Macapá.


Drogas: ao passar a bola para o governo federal, Alckmin se contradiz

por Helena Stephanowitz, especial para a RBA publicado 13/06/2013 16:13, última modificação 13/06/2013 17:33
Se, como acredita, controlar as drogas for suficiente para reduzir a criminalidade, governador de São Paulo esquece que cabe a ele poder de vigilância nas fronteiras estaduais
Governo de São Paulo
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São Paulo tem 120 mil homens na força policial, proporcão maior de homens por quilômetro do que tropas federais

O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella, às voltas com o crescimento dos índices de criminalidade, atribuiu culpa às drogas, que tornariam o criminoso mais descontrolado e sujeito a atos violentos. E como sempre faz, voltou a jogar a culpa no governo federal pelo tráfico de drogas vir de outros países, passando pelas fronteiras.

Um argumento escapista e que não convence, pois se o problema se limitasse ao controle de fronteiras, o próprio governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem poder para controlar as fronteiras estaduais paulistas, bem menores do que a extensão de fronteira nacional. Bastaria deslocar contingentes das polícias militar e civil para vigiar as fronteiras paulistas que a criminalidade entraria em queda no estado.

São Paulo tem cerca de 120 mil homens na força policial, proporcionalmente muito mais homens por quilômetro de fronteira do que as tropas federais compostas por cerca de 11 mil homens da Polícia Federal (boa parte atuando em São Paulo), 1.200 da Polícia Rodoviária Federal e 327 mil das Forças Armadas.

Se o governo tucano acreditasse de fato no que diz, bastaria colocar em prática o Programa de Fiscalização Integrada nas Fronteiras do Estado, criado pelo ex-governador Orestes Quércia pelo Decreto 27.415, de 30/09/1987, que o território paulista se tornaria um oásis de tranquilidade.

Nos últimos anos, a ação integrada da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Forças Armadas, em conjunto com as polícias dos estados fronteiriços, tem avançado significativamente no controle das fronteiras, batendo recordes seguidos de apreensão de armas e drogas. As operações Ágata, que já estão na sétima edição, têm logrado êxito e estão em constante evolução.

Mesmo assim, a vigilância de fronteira é como fazer uma primeira filtragem. Retém muitas impurezas, mas outras passam. Nem países mais ricos, como os Estados Unidos, conseguem eliminar todo o tráfico de drogas na fronteira com o México, cuja extensão é muito menor, e os recursos e equipamentos alocados são muito maiores, inclusive com vigilância redobrada diante da ameaça de terrorismo.

Para proteger mais a população seria bom que cada estado fizesse uma segunda filtragem eficiente em suas próprias fronteiras em vez de fazer o discurso da omissão, empurrando toda a responsabilidade só para terceiros.

Mas só vigiar fronteiras não livrará o povo paulista da escalada do crime, principalmente porque é o estado onde surgiu e atua a facção criminosa PCC. A ação policial é também comunitária. São as delegacias e o policiamento ostensivo das cidades e bairros que conhecem suas áreas, sabem onde é perigoso, onde há maior ocorrência de crimes, e devem ter capacidade de dissuadir as pessoas da vida criminosa, de investigar e de realizar operações que desbaratem o crime. É isso que falta na política de segurança pública paulista, segundo os próprios policiais que acusam de estarem sendo sucateados após 18 anos de governos tucanos. Na terça-feira (11), os sindicatos dos policiais fazem uma manifestação no vão do Masp visando a sensibilizar o governo paulista e a população para suas reivindicações.

Além de praticar o discurso de omissão e de não revitalizar as forças de segurança pública, o governo paulista quer adotar bônus para policiais de áreas onde as estatísticas de crimes caírem. Os sindicatos da categoria são contra. Veem no bônus para poucos uma forma de negar a reivindicação de melhoria salarial e melhores condições de trabalho para todos. Além disso, outros estados que adotaram bônus anos atrás acabaram abandonando esta política. Em vez de melhorar a segurança pública aumentava a subnotificação, ou seja, passava a interessar às delegacias evitar que o cidadão registrasse ocorrência de crimes, para não perder o bônus, mascarando as estatísticas. Além de criar um clima nocivo de disputa dentro da Corporação.

Como se vê, o governo Alckmin não tem nenhum bom plano para melhorar a segurança. Recorre a gambiarras como bônus, se omite na reestruturação da carreira policial e faz um discurso contraditório na questão das fronteiras. Pode ser o "calcanhar de Aquiles" nas pretensões do governador se reeleger.

Se ficar a Dilma pega, se correr o Lula come...

por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 10/06/2013 16:34
Roberto Stuckert Filho/PR
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Lula e Dilma lideram pesquisas de intenções de voto para presidir o Brasil em 2014 e desorientam oposição

Uma primeira leitura rápida da última pesquisa do instituto Datafolha, publicada no sábado (9), poderia parecer boa para a oposição. Afinal, a presidenta Dilma Rousseff (PT) perdeu alguns pontos, enquanto o pré-candidato do maior partido de oposição, Aécio Neves (PSDB), subiu quatro. Porém, uma leitura mais detalhada não é nada animadora para a oposição.

Dilma ainda está em um patamar de intenções de voto bastante elevado (51%), mesmo diante de um noticiário intensamente adverso nas últimas semanas. E Aécio ainda continua em um patamar bastante baixo (14%), muito aquém da votação que o PSDB tem obtido nas últimas eleições, e ainda em um desconfortável terceiro lugar, atrás de Marina Silva, que manteve o mesmo número em relação à pesquisa anterior (16%).

Isso depois da intensa exposição de Aécio na propaganda partidária tucana no rádio e na TV poucos dias antes da pesquisa. Somando apenas as intenções de votos válidos (no nome de algum candidato, excluindo indecisos, nulos e brancos), Dilma venceria no primeiro turno com folga, por 58,6% contra 41,4% de todos os outros candidatos somados.

Se este quadro já seria pouco animador para a oposição, a pesquisa joga uma ducha de água fria nas esperanças oposicionistas quando mostra que o "plano B" da maioria do eleitorado seria votar no ex-presidente Lula.

O ex-presidente já declarou que sua candidata em 2014 é Dilma, e ele será seu cabo eleitoral. Mesmo assim o Datafolha simulou um cenário da pesquisa com seu nome, e ele aparece com 55% de intenções de voto, e os outros adversários ficam com números menores do que contra Dilma.

Logo, mesmo se houvesse uma improvável deterioração extrema da popularidade da presidenta a ponto de inviabilizar sua reeleição, as chances da oposição não melhorariam, pois os governistas convocariam o ex-presidente para revitalizar suas forças e atender aos anseios do "plano B" do eleitor.

Esse quadro esvazia as esperanças dos oposicionistas que apostam no "quanto pior, melhor", ou seja, em crises que prejudiquem a nação e a vida do cidadão brasileiro, para melhorar suas chances de vencer.

Para agravar, essa falta de expectativa na vitória da oposição tende a esvaziar o interesse de outros partidos e lideranças políticas em apoiar candidatos oposicionistas, quando passam a ser vistos como fadados a perder.

O quadro que se desenha é que se o governo chegar bem em 2014, Dilma ganha. Se chegar mal, quem ganha é Lula. Lembra o ditado popular: "Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come".

Pelo lado do governo Dilma, apesar dos números ainda serem confortáveis e de variações na popularidade ser coisa que deve ser encarada com naturalidade por qualquer governo –  afinal sempre há momentos melhores e outros nem tanto –, nunca é bom para um governante negligenciar variações negativas para não virar uma tendência de queda.

Um dos motivos da perda de alguns pontos pode ser explicada por um noticiário excessivamente negativo, o que pode significar necessidade de ajustes na política de comunicação governamental para equilibrar a pauta política, em muitos veículos da velha mídia ditada pela oposição. Outro motivo pode ser falta de maior interlocução com a própria base popular, sobretudo dos movimentos sociais.

Tradicionais apoiadores do campo político governista têm reclamado da falta de mais diálogo e feito críticas pontuais. É compreensível que governos não tenham como agradar a todos o tempo todo, mas quanto mais arestas precisarem ser aparadas, mais os canais de diálogo devem se abrir.

Prefeito de São Sebastião do Paraíso cancela dívida de IPTU do hospital dos filhos

por Helena Sthephanowitz publicado 06/06/2013 16:00
Vereadores do município mineiro instalarão uma comissão especial de investigação da medida adotada pelo tucano Rêmolo Aloise
Site do hospital (hscj.com.br)/divulgação
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Direção do hospital ficou 13 anos sem pagar Imposto Predial e Territorial Urbano

Mal tomou posse como prefeito de São Sebastião do Paraíso (MG) neste ano, Rêmolo Aloise (PSDB) cancelou uma dívida do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) do Hospital Sagrado Coração de Jesus, que ficou 13 anos sem pagar. Detalhe: o hospital pertence a seus filhos. Um deles é também o atual vice-prefeito.

A prefeitura também chegou a pedir a extinção do processo de execução fiscal na Justiça, que chegou a penhorar o prédio. Descoberto pelo Ministério Público, o prefeito tucano voltou atrás.

Segundo a assessoria da prefeitura, a intenção não era cancelar a dívida e, sim, passá-la para o nome dos proprietários do prédio (os filhos do prefeito). Porém, a solicitação da transferência dos débitos só foi pedida a partir de 2008, deixando as dívidas de 2001 a 2007 sem cobrança.

Os vereadores instalarão uma comissão especial de investigação na semana que vem. A oposição suspeita de outros atos irregulares sobre as dívidas de demais imóveis da família do prefeito.

Não é o primeiro escândalo envolvendo Rêmolo Aloise. Em 2006, este hospital foi alvo da operação "Torniquete" da Polícia Federal, com a descoberta de fraudes nas cobranças, como mamografias em homens e exame de próstata em mulheres. Um dos filhos do deputado chegou a ser preso. O hospital foi descredenciado do Sistema Único de Saúde (SUS). O prefeito era deputado estadual na época e foi denunciado pelo Ministério Público. O processo ainda tramita na Justiça Federal.

Programa tucano na TV sinaliza que Aécio não busca vitória em 2014

por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 05/06/2013 16:01
antônio cruz/abr
aécio

Programa deu a entender que Aécio é pré-candidato ao governo de Minas em 2014 e que irá apoiar a reeleição de Dilma

Se for feita uma pesquisa entre os que assistiram ao programa partidário do PSDB pela televisão, no último dia 30, não será estranho se o resultado for positivo para a intenção de votos em Dilma Rousseff para presidente em 2014. Isso porque o programa tucano errou a mão, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ficou parecendo um garoto-propaganda do governo federal ao quase só mostrar uma realidade brasileira vista com lentes cor-de-rosa.

O programa foi protagonizado por Aécio Neves praticamente do início ao fim, percorrendo localidades bucólicas de Minas Gerais. Ele mostrou muito de um Brasil que vai bem, serviu como propaganda indireta que beneficia o governo da presidenta Dilma. O pouco que ele falou sobre inflação, o bordão oposicionista do momento, acabou sendo muito vago, subliminar, sem endereço certo contra o governo federal e, por isso, sem produzir efeitos na maioria dos telespectadores.

A intenção do programa foi mostrar brasileiros satisfeitos com suas vidas, vivendo nos estados governados pelo PSDB, sobretudo em Minas, onde ele foi governador. Mas ficou parecendo tratar-se de um pré-candidato a governador de Minas em 2014 que irá apoiar a reeleição da atual presidenta, defendendo a gestão estadual e federal, por tabela.

O programa foi feito pelo marqueteiro Renato Pereira, o mesmo que fez a campanha do governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), em 2010. Quem mora no Rio percebeu que Pereira repetiu a fórmula. Em 2010, Cabral aparecia andando pela cidade em uma van, falando para a câmera, exatamente como Aécio agora, só mudando a paisagem para Minas.

Mas tem uma grande diferença. Cabral mostrava obras feitas em parceria com o governo federal e falava das vantagens para o eleitor fluminense em reelegê-lo junto com a eleição de Dilma, para ambos continuarem fazendo o que estava dando certo. É essa parte do roteiro que não se encaixa no perfil de uma candidatura oposicionista como a tucana.

A falta de ousadia de Aécio para fazer oposição na TV sinaliza que ele está mais interessado em sair do pleito com a imagem do tucanato melhorada e sem uma rejeição alta, como ocorreu com José Serra em 2010, muito mais para não o inviabilizar em 2018, do que para uma vitória em 2014.

Pelo comportamento dos governadores do PSDB parece que aprovam esta estratégia, evitando fazer oposição radical à presidenta Dilma em 2014. Esse contexto explica o isolamento dentro do partido de José Serra, a liderança tucana com discurso de oposicionista mais radicalizado.

A revolução silenciosa dos pequenos provedores de banda larga

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 04/06/2013 16:19, última modificação 04/06/2013 16:20

No dia 24 de maio, os conselheiros da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) reuniram-se e aprovaram a Atualização da Regulamentação do SCM (Serviço de Comunicação Multimídia), popularmente conhecido por banda larga.

Várias decisões reduziram a burocracia e as exigências para pequenas empresas, mas uma em especial revoluciona esse segmento. A licença obrigatória para explorar o serviço de banda larga caiu de R$ 9.000 para apenas R$ 400.

O valor antigo era baixo para uma grande empresa, mas pouco acessível para iniciantes pequenos, sem capital. O novo valor possibilita, por exemplo, que donos de lan-houses espalhados nas periferias e cidades menores do Brasil, entrem no ramo de provedor de banda larga. Principalmente em localidades onde há insatisfação com os serviços e preços das grandes teles. Também abre as portas para técnicos da área criarem seu próprio negócio, até mesmo em casa e atender a vizinhança, se tiver como instalar os equipamentos de forma adequada.

A iniciativa vem ao encontro do Plano Nacional de Banda Larga. Na parte que cabe à Telebras, a empresa atua como atacadista, operando grandes redes nacionais, satélites e conexões internacionais, mas depende dos pequenos provedores para fazerem o varejo, ou seja, levar o sinal efetivamente até a casa das pessoas.

Hoje, 22% do mercado de internet no Brasil é atendido por provedores regionais, a maioria em cidades com até 150 mil habitantes.  A rede da Telebras já está apta para atender cerca de 1.300 municípios. A outorga de apenas R$ 400 deve provocar um "boom" de novos pequenos provedores de banda larga.

Segundo a Anatel tem havido entre 20 a 30 outorgas por semana para serviços de internet, ao custo de R$ 9 mil. Imagine a R$ 400.

Mesmo pequenos provedores, mas um pouco maiores, se quiserem oferecer serviços de telefonia ou até TV por assinatura também podem, e a outorga da Anatel, neste caso, caiu de R$ 27 mil para R$ 9 mil. Assim, facilita para empresas regionais entrarem no mercado do chamado "triple-pay" ou planos "combo", trazendo mais alternativas e diversidade.

Esse conjunto de decisões abre também oportunidade para prefeituras e órgãos públicos incentivarem o desenvolvimento de empresas do setor em suas cidades, através da contratação de pequenas prestadoras locais de banda larga e telefonia. No caso de municípios menores, o benefício fica mais visível, pois em vez de contratar uma grande operadora de telefonia nacional sem vínculos com a cidade, pode criar empregos qualificados e renda ali no município, além de recolher os impostos municipais sobre a empresa local. Mas a lógica também funciona em cidades grandes, dentro de uma visão de desconcentrar os meios de produção e incentivar a economia local dos bairros.

Hoje, o Brasil tem 3.947 empresas prestadoras de serviços de banda larga. De acordo com dados da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), o conjunto dessas empresas investiram mais de R$ 1 bilhão em redes de fibra óptica em 2012.

Outro gargalo identificado pela Abrint é o aluguel de postes pelas companhias de energia elétrica, que oferecem condições desiguais para empresas menores e grandes teles. Para isso a Associação reuniu-se na terça-feira (28) com o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que se comprometeu a levar em consideração no decreto de compartilhamento de infraestrutura, em elaboração pelo governo. A conferir em breve.

O estranho compadrio de cartolas da CBF com o Ministério Público

por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 28/05/2013 15:44, última modificação 28/05/2013 15:54
© Rafael Ribeiro/CBF
Futebol e Ministério Público

Ao se associar à CBF para melhorar sua imagem, Ministério Público pode estar dando mais uma tremenda bola fora

A postura de austeridade, rigor e independência do Ministério Público (MP), esperada pelo cidadão, não combina com compadrios junto a cartolas do futebol. Principalmente depois que dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) andaram ocupando páginas policiais.

Mas para estarrecimento geral da nação, acaba de sair uma notícia de um compadrio entre "cartolas" da CBF e do MP, para fazer "merchandising" do Ministério Público em eventos promovidos pela CBF.

O acordo prevê faixas exibidas pelos clubes antes dos jogos do Brasileirão, divulgando o Ministério Público "como instituição parceira da sociedade e garantidora da democracia".

Já é de se perguntar o porquê de o Ministério Público precisar fazer propaganda deste tipo, inconvenientemente misturada à publicidade de cervejas, bancos e refrigerantes.

Será que a atuação polêmica de setores do MP, que tem gerado dúvidas, além de privilégios acima da razoabilidade (que outros funcionários públicos não têm), comprometeu tanto a imagem da instituição, a ponto de precisar fazer propaganda daquilo que é a razão de ser do órgão, de acordo com a Constituição de 1988?

O problema desse tipo de propaganda é queimar mais o filme da instituição, em vez de melhorar a imagem.

Ao invés de se aproximar diretamente do povo, indo onde ele está e tornando as portas do órgão mais abertas à população, a instituição se afasta do povo, sentando-se com cartolas para intermediar o contato indireto através da propaganda, como anteparo. Não poderia haver anti-propaganda pior.

Afinal, se quer mostrar ser parceiro da sociedade, é só arregaçar as mangas e trocar reuniões com cartolas por reuniões com grupos de populares, indo onde o povo está sendo vítima de injustiças.

Nenhuma cautela

De acordo com a notícia divulgada pelo próprio Ministério Público do Estado de São Paulo, "as tratativas para a campanha foram realizadas no último dia 17, durante reunião na Federação Paulista de Futebol (FPF), entre Marco Polo Del Nero, presidente da entidade e vice-presidente da CBF; o procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa; o procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Norte, Manoel Onofre de Souza Neto; o procurador de Justiça José Antonio Baeta de Melo Cançado, do Ministério Público de Minas Gerais, e Rogério Caboclo, vice-presidente de Finanças da FPF.

A intermediação do trato pelo vice-presidente da CBF, recomendaria cautela redobrada.

A CBF é uma entidade privada, onde cada segundo e cada centímetro de patrocínio são  cobrados em contratos milionários. Não é normal fazer merchandising de graça para ninguém. Por isso também não fica normal o MP aceitar (supondo que não tenha custos para o MP).

Marco Polo Del Nero tem um dos maiores escritórios de advocacia de São Paulo. É muito provável que tem muitos casos em que está defendendo a quem o MP está acusando. Mais um motivo que não pega bem para o MP.

Recentemente a "operação Durkheim" da Polícia Federal desarticulou duas organizações criminosas, uma especializada na venda de informações sigilosas e outra voltada à prática de crimes contra o sistema financeiro. Um dos mandatos de busca e apreensão foi em endereço de Del Nero. Ele próprio prestou depoimento na PF. Sem fazer juízo de valor sobre culpa ou não, o fato é mais um claro inconveniente para o Ministério Público agora aceitar "favores' intermediados pelo cartola.

Cabral ameaça virar as costas a Lula e voltar aos braços de FHC

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 27/05/2013 13:39, última modificação 27/05/2013 14:53
Roberto Stuckert Filho/PR
Pezão, Dilma, Paes, Cabral

Pezão, Dilma, Paes e Cabral: manutenção forçada da aliança PT/PMDB no pode custar caro para o atual governador do Rio

O governador  do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) ameaça fazer a pior escolha que um político poderia fazer neste momento: trocar a companhia de Lula e Dilma em seu palanque pelo deputado mais caro do Rio (leia abaixo), Eduardo Cunha (PMDB-RJ), junto com Aécio Neves (PSDB-MG) e FHC.

Escolha tão desastrosa quanto o governador Eduardo Campos (PSB-PE) trocar a companhia de Lula  pela de Jorge Bornhausen (ex-DEM-SC) e José Serra (PSDB-SP).
Em reunião  com o  PMDB na sexta feira (24), Cabral ameaçou apoiar Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014, se o PT mantiver a candidatura do senador petista Lindbergh Farias a governador.

Talvez, por ter sido descoberto na traição,  depois que vazou o conteúdo da reunião,   Cabral negou à imprensa,  afirmando não ter feito declaração pública nestes termos, mas... confirmou que disse na reunião do PMDB que era muito amigo de Aécio e até seu filho tem Neves no nome.

Lindbergh era o pré-candidato do PT a governador em 2010. Já cedeu a vez a Cabral naquele ano, para o PT apoiar a reeleição do atual governador e saiu candidato ao Senado. Foi campeão de votos em 2010. Agora o candidato natural ao governo do Rio da coligação PT-PMDB obviamente é Lindbergh.

O PT também apoiou a reeleição do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que também é do PMDB. Agora, não tem cabimento o PT ceder a vez em todas as eleições, principalmente em 2014, quando o PMDB não tem um candidato forte e natural no Rio, e o PT tem.

Cabral quer impor o vice-governador Pezão, do PMDB, como candidato. O PT do Rio não briga com o direito de o governador insistir em uma candidatura. tirada da cartola. que corre o sério risco de perder, em vez de apoiar a candidatura que seria a natural da coligação: a de Lindbergh. Mas também o PT do Rio não tem motivo para abrir mão de seu candidato, que é forte e, inclusive, dá um palanque forte à Dilma, apenas por projeto de poder do PMDB fluminense.

Nesse quadro, o bom-senso político recomendaria Sérgio Cabral trabalhar por seu candidato, e conviver com a candidatura de Lindbergh. Ambos se posicionando no mesmo palanque de Dilma e Lula, com neutralidade da presidenta e do ex-presidente, pelo menos até que a eleição fique polarizada entre um dos dois candidatos a governador e outro da oposição.

O gesto do governador de querer impedir a candidatura de Lindbergh, expõe a fragilidade de Pezão e a força de Lindbergh. Cabral está passando o recado para as bases do PMDB de que seu candidato perde se tiver adversário. O problema é que sem Lindbergh, Pezão terá adversários do mesmo jeito. E tende a perder para Garotinho (PR-RJ).

Para piorar, as relações de Cabral com Dilma azedaram quando ele articulou o problemático deputado Eduardo Cunha, seu colega de partido e da bancada do Rio, como líder do PMDB. Cunha tem um estilo peculiar de fazer política, que, para atingir seus objetivos, cria dificuldades nas votações no Congresso, atrapalhando a governabilidade mais do que a oposição.

Não é só na MP do Portos que Cunha teve uma atuação contra o governo. No período Lula, Cunha atrasou tanto a relatar a renovação da CPMF, que a oposição ganhou força e venceu no Senado. Os meios políticos apontam a "greve" de Cunha na tramitação do relatório à exigência de nomeações em Furnas.

Lula e Dilma ajudaram naquilo que puderam Cabral a fazer um bom governo. Cabral, através de Cunha, está traindo essa boa relação, ao atrapalhar Lula e Dilma a governar. Óbvio que também surge a suspeita da atuação  “chantagista” de Cunha esteja sendo usada para pressionar a retirado da candidatura própria do PT do caminho. A promessa de mais uma vez uma  CPI da Petrobras mostra bem  a pressão ao  Palácio do Planalto

Só que Cabral pode estar dando tiro no pé, porque não é só ele que sabe fazer jogo político. Os outros também sabem. Dilma, se estiver bem informada, sabe que se a candidatura de Pezão está complicada sendo uma candidatura aliada ao governo dela bem avaliada no Rio, se for para oposição tendo no palanque FHC-Aécio e Eduardo Cunha, aí que irá para o precipício de vez. Além disso quanto mais oposição (mesmo que disfarçada) o PMDB do Rio fizer, mais Dilma e Lula terão que apoiar candidatos de outros partidos da base governista no estado, para eleger uma bancada mais consistente em 2014.

Como se vê, Cabral está blefando sem ter cartas boas na mão. Mas numa coisa Cabral tem razão. Desde o segundo turno de 2006 ele se aproximou de Lula e comportou-se como um regenerado, pelo menos nas diretrizes políticas. Mas como ex-tucano, se ele não tiver força de vontade em resistir aos antigos vícios, pode ter uma recaída...

Quem é Eduardo Cunha? Ele teve a campanha a deputado federal mais cara do Rio de Janeiro em 2010, e é ardoroso defensor do financiamento privado de campanha, obstruindo colocar em votação a reforma política na câmara que previa o financiamento exclusivamente público.

Boatos do fim do Bolsa Família teriam sido 'vacina' para 2014?

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 24/05/2013 12:54, última modificação 24/05/2013 15:08
Tânia Rêgo/ABr
boatos fim do Bolsa Família

Boatos o Bolsa Família provocaram corrida à CEF e suspeitas do que pode vir nas campanhas eleitorais de 2014

Setores da velha mídia e da oposição resolveram discutir a paternidade dos boatos sobre o fim do programa Bolsa Família. Óbvio que quem planta um boato destes pela lógica é oposicionista. A quem interessa tocar o terror nas pessoas de baixa renda? Sem fazer ilações sobre nomes, nem a vínculos partidários, só alguém contra o programa, a ponto de ter raiva, faria uma maldade dessas com pessoas mais vulneráveis socialmente.

Colunistas da velha mídia, para tirar o constrangimento de oposicionistas que fizeram declarações públicas contra o programa no passado, lançaram um teste de hipótese, na forma da pergunta: "Quem ganha com o boato do fim do Bolsa Família?", e responderam, eles mesmos, "o governo, que se beneficiaria ao reafirmar que o programa é 'imexível'".

Argumento fraco, raciocínio frágil e retorcido, pois nenhum governo tem nada a ganhar com tumultos e confusões, e jamais precisaria espalhar um boato só para reafirmar seu compromisso com o programa. Bastaria fazer uma campanha de divulgação institucional, se achasse necessário.

Se é para testar hipótese, há outra bem mais plausível, sobre quem ganharia com o boato. Há gravações do programa Roda Viva com o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) dizendo que o Bolsa Família estimula a preguiça . Há vídeos no Youtube gravados pelo próprio deputado Roberto Freire (PPS ou MD) em chat com militantes do PPS, onde afirma que o Bolsa Família é pernicioso ao país. E há declarações negativas ao Bolsa Família de diversas outras lideranças oposicionistas.

Logo, o assunto pode vir à tona na próxima campanha eleitoral, e essas declarações serem resgatadas, em tempos de internet, onde não dá mais para esconder aquilo que disse no passado. Isso fragiliza o discurso de compromisso oposicionista com essas políticas sociais.

Se oposicionistas espalhassem um boato anonimamente como esse, mesmo sabendo que o povo acabaria descobrindo a mentira, o fato poderia funcionar como uma "vacina" na campanha de 2014. Se viessem críticas questionando a sinceridade da oposição no engajamento ao programa social, diante de tantas críticas no passado perpetradas por seus líderes, um candidato oposicionista poderia se defender lembrando que questionamentos ao Bolsa Família seriam boatos, como o ocorrido nesta semana.

Modelo

O Bolsa Família é um sucesso internacional. Foi adotado no México, Venezuela, Bolívia, Peru, Equador, dentre outros países da América Latina. Recomendado pela ONU, foi levado para a África do Sul, Gana e Egito, no continente africano; e para a Turquia, Paquistão, Bangladesh e Indonésia, na Ásia.

Como se vê, se é para testar hipóteses, a oposição teria muito mais a ganhar.