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Blog da Helena

por publicado , última modificação 16/12/2014 13:10

só de um lado

Polícia fecha o cerco ao ninho tucano, mas imprensa finge que não vê

A mídia tradicional 'martela' com o assunto Petrobras e esquece a corrupção em São Paulo. Debater financiamento empresarial de campanha também deveria receber a mesma ênfase
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 16/12/2014 13:10, última modificação 16/12/2014 14:02
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Desvios em obras de transportes sobre trilhos em SP não têm a mesma atenção da mídia: tática desgastada contra governo

O jornal Folha de S. Paulo denuncia que planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empreiteira Queiroz Galvão, na capital paulista, mostram que a empresa vincula valores recebidos por obras públicas a doações eleitorais para partidos e candidatos de oposição ao governo federal. O material foi obtido no âmbito da sétima fase da Operação Lava Jato, chamada de Juízo Final, que investiga denúncias de desvio de recursos de obras e pagamento de propinas por empresas a funcionários da Petrobras.

De acordo com a planilha, datada de 2014, para chegar ao valor da doação ao político a empreiteira fazia um cálculo sobre o valor recebido por determinada obra.

Segundo a reportagem, um dos registros dos papeis encontrados, nomeado como "VLT" – uma provável referência ao Veículo Leve sobre Trilhos da Baixada Santista, obra realizada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), por meio da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), é possível perceber a aplicação de uma fórmula sobre o "recebimento acumulado" até medição de junho de 2014, para que a empreiteira chegasse ao valor que seria destinado a "doações".

Após descontos, o valor aparece na planilha como sendo de "117.500", possivelmente R$ 117,5 milhões, sobre o qual incidia o cálculo: 1,5% vezes 66% (percentual já recebido pela obra), resultando numa doação de R$ 1,16 milhão. Esse valor constituía uma "ProfPart" (sigla usada na planilha), que a Queiroz Galvão reconheceu ser uma "Provisão Financeira para o PSDB".

Em outra planilha apreendida junto com a primeira, esse exato valor é atribuído ao "PSDB nacional". Outros políticos destinatários de possíveis doações aparecem na planilha, com iniciais.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empreiteira doou R$ 3,7 milhões ao diretório nacional do PSDB nas eleições de 2014.

A Queiroz Galvão explicou outras iniciais na planilha: "J.S." é o senador eleito José Serra (PSDB-SP), "P.S." é o candidato do PMDB ao governo Paulo Skaf e "E.A." é o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Há outros valores associados a outras obras realizadas em São Paulo, como o CSS (Contorno de São Sebastião) e CEML (Consórcio Monotrilho Leste), realizados pelo governo de São Paulo, mas com dinheiro do governo federal.

No entanto a imprensa não "martela" esse tipo de notícia na cabeça do leitor, o  excessivo bombardeio ao governo federal no noticiário, funcionando como artilharia para a oposição partidária, começa a dar sinais de fadiga de material. Ou seja, provoca cansaço no próprio leitor e telespectador, com consequente ceticismo em vez de chegar ao objetivo dos editores: levar a população ao sentimento antigoverno.

É absolutamente desejável em democracias sólidas que notícias de corrupção façam parte do cotidiano e sejam divulgadas com total transparência, da mesma forma que existe o noticiário policial, onde todo dia há notícias de crimes e criminosos. Funcionários públicos, maus policiais, políticos, juízes, procuradores, seja quem for que de fato cometa crimes, e corrupção é um deles, não há por que ser blindado no noticiário.

Mas no noticiário político denuncista, não há delimitação clara da individualização de condutas, buscando criar no imaginário popular a ideia de que todo um governo, uma estatal, um partido, serem todos uma grande "organização criminosa". No entanto, o governo da coligação petista iniciado em 2003 foi o que mais criou instrumentos para combater a corrupção.

Editores de notícias comprometidos com projetos de poder oposicionistas constroem há anos narrativas de forma seletiva, no final das contas buscando direcionar o leitor ou ouvinte a votar em candidatos de oposição. Deu certo com alguns eleitores, mas a maioria sente o cheiro de picaretagem quando o noticiário é seletivo demais, e o resultado das três últimas eleições presidenciais mostram isso.

O cidadão desconfia do ambiente político como um todo e dos próprios jornais e TVs. Não crê que a oposição seja melhor do que o governo neste quesito de combate à corrupção. Não por acaso, Aécio Neves (PSDB) não só perdeu a última eleição, como despontou nas pesquisas com rejeição mais alta do que a presidenta Dilma Rousseff, pela fadiga do discurso falso de combate à corrupção.

Além disso, ninguém aguenta ficar tantos anos seguidos ouvindo notícias de denúncias repetitivas, sem que a imprensa tradicional conte algo de novo para modificar o quadro, como falar nas causas e soluções.

O debate sobre o financiamento empresarial de campanha e da reforma política não ocupa o noticiário de grande audiência, e até para justificar o excesso de denuncismo precisaria receber a mesma ênfase. Seus repórteres nunca perguntam ao ministro Gilmar Mendes quando ele vai devolver o processo da ação da OAB para terminar o julgamento que declarará inconstitucional o financiamento de campanhas por empresas.

No jargão político a expressão "fadiga de material" geralmente é usada contra os governos que se desgastam após um tempo no poder. Mas ela também acontece com um discurso de oposição repetitivo que não convence mais. Nas urnas, faltam votos. Ao golpe, faltam adeptos. No jornalismo, a perda é, primeiro de credibilidade, seguida da perda de audiência.

Mas o governo também não pode se iludir apenas com o cansaço deste discurso oposicionista, pois não existe vácuo nem no poder, nem na pauta de notícias. Alguém sempre a ocupa. Se o governo não disputar essa pauta, democratizando as comunicações para haver mais circulação de informações e debate de ideias, a oposição, ainda que seja uma nova oposição, vai continuar ocupando sozinha.

Foreign Corruption

Propina a oficiais da FAB e a governador tucano constrange golpistas?

Episódio didático para aquele pequeno grupo de extremistas que sai com faixas pedindo "intervenção militar" como se fosse antídoto para a corrupção
por Helena Sthephanowitz publicado 14/12/2014 11:47, última modificação 14/12/2014 12:03
arquivo pessoal /reprodução
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Antídoto contra a corrupção não é volta do regime militar. É reforma política, a transparência e o fim da impunidade

Os poucos extremistas barulhentos que carregam faixas na Avenida Paulista pedindo "intervenção militar", "contra a corrupção", entraram em uma sinuca de bico com a notícia de que dois oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) teriam recebido suborno da empresa de manutenção aérea Dallas Airmotive, com sede nos Estados Unidos.

Outro caso de suborno da mesma empresa envolve um oficial do gabinete do governo de Roraima, na gestão do ex-governador Anchieta Júnior, do PSDB. O caso veio à tona quando a empresa fez um acordo com promotores federais na Justiça dos Estados Unidos para pagar a US$ 14 milhões de multa criminal por violar leis de Conspiração e o Foreing Corrupt Practices Act, lei estadunidense de 1977 que pune suborno a funcionários de governos ou políticos estrangeiros. O Departamento de Justiça divulgou o acordo, mas a versão pública do documento oculta os nomes dos subornados, substituindo por termos como "Oficial 1", "Empresa A" etc.

A Dallas Airmotive admitiu ter pago propinas entre 2008 e 2012 na América Latina em quatro casos. Além dos dois casos brasileiros, um funcionário da província de San Juan na Argentina e um oficial da Força Aérea Peruana foram corrompidos. Fazem parte do processo e-mails combinando o pagamento de propinas através de empresas de fachada para dissimular a propina e o destino.

No caso da FAB, o "Oficial 1", aparentemente o mais graduado, passa por e-mail informações para pagamento em julho de 2010: "Estou enviando as informações da empresa. Não se preocupe. A empresa aqui no Rio mostra o meu nome como sócio e por essa razão eu não poderia fazer negócios com vocês, o TCU (Tribunal de Contas da União) não permite, hahaha".

O "Oficial 2" da FAB, segundo o documento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, seria um sargento, aparentemente subordinado ao "Oficial 1", e outros emails demonstram que ele teve também uma viagem de turismo para a família bancada pela empresa.

No caso de Roraima, uma troca de e-mails em 26 de abril de 2011 entre administradores e agentes de vendas da empresa reclamam da ganância do "Oficial 3", pelo alto valor da propina pedida, e pelo pedido de pagar duas vezes, uma para ele, outra para um representante comercial.

Devem ter chegado a um acordo, pois o Diário Oficial do estado publicou a assinatura do contrato no dia 27, entre o então secretário-chefe da Casa Militar de Roraima, coronel Edison Prola, e a Dallas Airmotive do Brasil, no valor de R$ 935 mil, para serviços de manutenção de aeronave.

Apesar de o coronel Edison Prola ser o signatário do contrato, não se pode acusar-lo nem ninguém ainda enquanto a identidade do "Oficial 3" não for revelada pela Justiça dos Estados Unidos. Espera-se que o Ministério Público de Roraima cumpra o dever de buscar cooperação com os EUA para esclarecer esse caso, pois escândalos que envolvem governos tucanos tem um histórico impressionante de ficarem esquecidos no fundo das gavetas.

Voltando à FAB, não é justo enlamear a instituição toda por desvio pessoal de alguns seus membros, quando a maioria nada tem a ver com isso e repudia quem corrompe, como acontece em qualquer setor. A maioria dos funcionários da Petrobras também repudia diretores e gerentes que se corromperam. Militantes de verdade que têm ideal, sejam de partidos políticos ou não, de movimentos socais ou não, também repudiam quem se corrompe – por ferir valores e princípios, por prejudicar as lutas sociais coletivas e ainda mais por mera ganância.

Mas o episódio é didático para aquele pequeno grupo de radicais golpistas que saem com faixas pedindo "intervenção militar" como se fosse antídoto para a corrupção. É claro que não é. Corrupção é movida por uma mistura de fraqueza de caráter com ganância por dinheiro, esta última bastante turbinada nos últimos tempos neoliberais e defendida por muitos golpistas. A corrupção prospera e funciona bem quando é feita só nos bastidores, em ambientes controlados, longe dos olhos do povo, como ocorria na ditadura. A corrupção desanda quando é exposta. O povo vê mais a cara feia da corrupção, mas é apenas porque ela está sendo desbaratada e exibida ao público.

Além da reforma política proibindo o financiamento empresarial de campanhas políticas, antídoto para a corrupção é transparência e controle social sobre as instituições para não haver impunidade. E isso só é possível com democracia plena, que dá direito amplo à informação pelo público, inclusive aquelas informações que alguns órgãos que deveriam investigar com prioridade mas, sabe-se lá por que, ficam no escurinho do fundo das gavetas, enquanto oligarcas da mídia, donos de jornais e TVs, mantêm fora do noticiário.

refilmagem

Lava Jato volta a encontrar digitais tucanas em empreiteira investigada

Mídia silencia e confirma que o comportamento do PSDB e de sua imprensa aliada continua o mesmo: varrer a corrupção dos seus para debaixo do tapete
por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 11/12/2014 13:39, última modificação 11/12/2014 14:11
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Investigações sobre corrupção no Brasil voltam a esbarrar em tucanos, com silêncio da mídia

Sem manchete "espetaculosa", sem repercussão nos portais de seus jornais e sem chamada no televisivo Jornal Nacional, a revista Época, da Globo, publicou na terça-feira (9) que, a operação Lava Jato da Polícia Federal (PF) apreendeu, três semanas atrás, na sede da empreiteira Camargo Corrêa, uma tabela que relaciona políticos, obras e valores em dólares. Suspeita-se que a lista indique propinas pagas pela empreiteira entre os anos de 1990 e 1995.

Entre os políticos listados, segundo a revista, estão o ex-governador de São Paulo Mario Covas (PSDB), falecido em 2001; o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que nos anos 1990 foi deputado federal; Jorge Maluly Netto (falecido em 2012), que foi deputado e depois prefeito de Araçatuba pelo então PFL (hoje DEM);  e o atual suplente de José Serra no Senado, José Aníbal (PSDB), na época também deputado federal.

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Trecho da lista apreendida na empreiteira: possível lista de propinas

José Aníbal aparece três vezes na lista. Os valores associados a ele, segundo o documento, somam US$ 90 mil. O primeiro, de US$ 40 mil, relacionado a um projeto de "canalização, pavimentação e ponte" em Botucatu (interior de São Paulo). Os demais valores (US$ 30 mil e US$ 20 mil respectivamente), a um projeto que envolvia canalização, pavimentação e a construção de uma barragem em Jundiaí, também no interior paulista.

Esta não é a primeira vez que uma investigação da Polícia Federal encontra digitais dos tucanos nos cofres de empreiteiras.

Em 2009, a mesma Camargo Corrêa foi alvo da operação Castelo de Areia, que apurava suspeitas de corrupção e pagamento de propina a políticos para a obtenção de contratos com o governo. Na casa de um diretor da empresa, a PF apreendeu uma planilha cheia de siglas, nomes e números. Na ocasião, muitos atribuíram àquela planilha o caráter de prova definitiva de como o caixa dois da Camargo era gerido. Siglas e nomes da planilha foram entendidos como se fossem de políticos a quem se destinavam propinas.

Isso nunca foi comprovado, faltou uma investigação aprofundada e a Castelo de Areia teve curta duração e pouco impacto. O Superior Tribunal de Justiça suspendeu a investigação em 2010 e anulou todas as provas, entre elas a tal planilha. A Procuradoria-Geral da República recorreu ao Supremo Tribunal Federal, mas depois de quatro anos o STF ainda não se manifestou.

A reportagem da Época desta terça não cita todos os nomes de políticos e os partidos da oposição que foram flagrados na operação Castelo de Areia, mas de acordo com mesma revista, que em 2009 publicou reportagem  sob o título "Lavagem, doações ilegais a  políticos, superfaturamento...", os policiais federais passaram um ano ouvindo telefonemas e abrindo mensagens de e-mails de conhecidos doleiros de São Paulo e do Rio de Janeiro, em busca de provas sobre uma rede de evasão de divisas e lavagem de dinheiro dentro da Camargo Corrêa.

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Trecho de matéria da Época de 2009: Maia citado nominalmente

Quando, porém, passou a ouvir os diretores que faziam negócios com os doleiros investigados, a PF esbarrou também no caixa de contribuições políticas da construtora – e encontrou indícios de doações ilegais  para os partidos PSDB, DEM, PMDB, PPS, PDT, PP e PSB. O senador José Agripino Maia (DEM-RN) é citado nominalmente na reportagem .

Na ocasião, a Polícia Federal em São Paulo prendeu, também em 2009, quatro diretores da empreiteira, duas secretárias e três doleiros, todos acusados de praticar crimes como evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e operação de instituição financeira sem autorização. De acordo com decisão do juiz Fausto de Sanctis, que determinou a prisão de todos, a PF demonstrou que o grupo teria usado pelo menos quatro empresas de fachada para remeter irregularmente recursos da empreiteira para o exterior e poderia ter participado de um esquema de superfaturamento na construção de uma refinaria.

Em conversas gravadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça, os quatro tratavam dos negócios por códigos que envolviam nomes de animais. A PF calculou que o grupo teria remetido  para o exterior mais de R$ 20 milhões por meio daquele esquema.

Havia  ainda indícios de que o grupo pode ter participado do superfaturamento da construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. As conversas gravadas mostram o diretor Pietro Bianchi pedindo, com urgência, o transporte de dinheiro vivo em Recife. De acordo com a PF, o pedido poderia estar relacionado à construção da refinaria. Naquele ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) já suspeitava de superfaturamento em alguns itens da obra.

Agora, com a Lava Jato em curso e novos fortes indícios de participação de tucanos de alta plumagem em negócios obscuros, parece até que estamos assistindo uma refilmagem da mesma história. Se os acontecimentos das planilhas sobre os anos 90 e a Operação Castelo de Areia não tivessem sido engavetados, a depuração que se pretende fazer hoje já poderia ter ocorrido no passado.

No entanto, por se tratar de políticos do PSDB, a imprensa tradicional tirou logo de pauta e os tucanos trataram de abafar. Assim, o assunto caiu no esquecimento, os inquéritos foram arquivados ou continuam parados nas gavetas, e a Polícia Federal não pode prosseguir na investigação sem ordem judicial para seguir o caminho do dinheiro e chegar aos destinatários finais de propinas.

Aliás, a CPMI da Petrobras, criada pela oposição para coincidir com a campanha eleitoral, perdeu o ímpeto quando as investigações da Lava Jato passaram a "ir longe demais" atingindo o tucanato, seus aliados nos estados e seus altos financiadores de campanha. Já está encerrando seus trabalhos sem alarde.

Hoje, quem está no papel de presidente do PSDB é o senador Aécio Neves. Não cabe acusá-lo por supostos atos de seus sucessores no comando do partido, mas o comportamento tucano e de sua imprensa aliada continua o mesmo: varrer a corrupção dos seus para debaixo do tapete, em vez de investigar a todos e "cortar na própria carne", se for preciso.

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velha mídia

Lava Jato chega em Aécio e em contas suspeitas de campanha tucana

Já há indícios de que o PSDB pode ter cometido os erros de que acusa o PT. Veremos a quanto irá a disposição do partido e da velha mídia para frear a marcha natural da democracia brasileira
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 09/12/2014 16:40, última modificação 09/12/2014 17:40
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Empresa que tem como único cliente o PSDB: nome da firma que consta do endereço fornecido é outro

Uma pequena nota publicada hoje (9), na Folha de S.Paulo, indica que a Operação Lava Jato está encostando no candidato derrotado Aécio Neves (PSDB). Agentes da Polícia Federal responsáveis pelas investigações apreenderam no escritório da empresa UTC Participações, em São Paulo, anotações que mostram o interesse de algumas empreiteiras no andamento da CPI da Petrobras no Congresso.

Pelos papeis encontrados, diz a nota da Folha que Aécio foi procurado pela Construtora Norberto Odebrecht para não se aprofundar nos trabalhos da CPI e que os senadores também tucanos Álvaro Dias (PR) e Mario Couto (PA) teriam sido escolhidos por Aécio para "fazer circo".

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Junte a esse fato o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em sua delação premiada acusando o então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra – morto em março deste ano –, de o assediar e extorquir R$ 10 milhões para que a CPI da Petrobras aberta em julho de 2009 no Senado fosse encerrada antes que o ex-funcionário da estatal fosse implicado. Segundo Costa, o tucano disse a ele que o dinheiro seria usado para a campanha de 2010.

Aos que tomaram seu depoimento prestado sob delação premiada, agora na Operação Lava Jato, Costa afirmou que os R$ 10 milhões foram pagos em 2010 a Guerra, e só depois que aquela CPI da Petrobras foi encerrada sem punições, em dezembro de 2009. Aécio Neves na época era governador de Minas, com ambição de concorrer à Presidência da República. Desistiu e saiu candidato ao Senado.

Atualmente, os tucanos voltam sua artilharia para pressionar pela reprovação de contas de campanha da presidenta Dilma Rousseff, hipótese reforçada pela relatoria da análise nas mãos do ministro Gilmar Mendes.

Mas uma outra notinha, desta vez no jornal O Estado de S. Paulo, pode ser o início da operação abafa sobre as contas de campanha do tucano. Segundo a matéria, há indícios de uso de caixa dois e de empresas de fachada na campanha de Aécio Neves.

Um caso é o da empresa Marcelo Martins ME. Segundo as contas apresentadas à Justiça Eleitoral, a firma recebeu R$ 1,4 milhão entre os dias 31 de julho e 19 de setembro de 2014, por publicidade em placas, estandartes e faixas.

A microempresa foi constituída em julho deste ano, mesmo mês em que iniciou a emissão de faturas para a campanha de Aécio, a qual foi sua cliente exclusiva, segundo os dados da Justiça Eleitoral. Mas o que mais chamou atenção foi que, no endereço da empresa, em Sorocaba (SP), funciona a sede de outra empresa, a Logmax Logística e Transporte, que aparentemente nada tem a ver com a empresa de impressão e da qual Marcelo Martins, dono da empresa de impressão, não é sócio, segundo dados da Junta Comercial de São Paulo.

Até o momento, porém, além da notinha, nenhum veículo da imprensa tradicional foi até Sorocaba conferir a realidade.

Claro que pode ser que a Marcelo Martins Impressão ME não tenha cometido ilícitos, mas pelos indícios é preciso conferir. Se a empresa fosse fornecedora da campanha petista, será que seria ignorada como está sendo? Ou haveria equipes de repórteres virando Sorocaba ao avesso, vasculhando a vida dos donos das duas empresas e suas conexões?

O PSDB aposta suas fichas no tapetão do Judiciário para ainda tentar reverter a derrota sofrida nas eleições presidenciais. Depois de fazer alarde com boatos na internet sobre boletins de urnas falsificados e pedir auditoria da totalização dos votos ao Tribunal Superior Federal (TSE), teve os dados colocados à disposição para fazer a auditoria que bem entendesse, mas o partido não tocou mais no assunto.

Agora que há indícios de que pode ter cometido os erros de que acusa o PT, veremos a quanto irá sua disposição para frear a marcha natural da democracia brasileira.

Trensalão não interessa?

Lava Jato dá tratamento diferenciado para doleiro envolvido no caso Siemens

Enquanto integrante de grupo de Youssef com histórico nas operações do 'trensalão' paulista foi solto sob fiança a ser paga a prestações, envolvidos no esquema do governo de SP seguem sem ser incomodados
por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 04/12/2014 12:21, última modificação 04/12/2014 13:38
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Operação Lava Jato ainda dá sinais de que investigações são seletivas e podem seguir lógica da partidarização

No dia 6 de dezembro de 2013, Mark William Gough, vice-chefe e diretor da Siemens AG, responsável por evitar internamente casos de corrupção, veio da Alemanha prestar depoimento voluntário na sede do Ministério Público Federal em São Paulo, colaborando com investigações sobre o pagamento de propinas para autoridade do governo tucano paulista em contratos relativos aos trens metropolitanos de São Paulo.

Gough contou que a Siemens foi alvo de uma grande investigação mundial sobre ilícitos praticados em diversos países, e a partir de 2007 passou a fazer também uma investigação interna. Em 2008, um empregado da empresa no Brasil denunciou uma conta bancária em Luxemburgo que seria usada para movimentar um caixa 2 para pagamento de propinas e desvios por meio de paraísos fiscais. O banco era o Itaú e esta conta acabou motivando a demissão do então presidente da filial brasileira, Adilson Primo.

A investigação descobriu que, em 2003 e 2004, empregados de alto escalão da Siemens no Brasil autorizaram a transferência de cerca de US$ 7 milhões provenientes de contas legítimas e contabilizadas nos Estados Unidos e Alemanha para uma conta irregular no Itaú de Luxemburgo, controlada por eles mesmos, através de empresas possivelmente de fachada criadas na Europa e no Caribe.

No começo de 2011, Gough pediu à procuradoria de Luxemburgo abertura de investigação criminal, pois o extrato tirado no banco Itaú do paraíso fiscal "era  totalmente incompreensível. Era o extrato bancário mais confuso que o depoente já viu na vida, sem nenhuma descrição de transações, mas apenas valores", segundo depoimento de Gough ao Ministério Público Federal (MPF).

Na Procuradoria de Luxemburgo as investigações avançaram, seguindo o caminho do dinheiro, com a quebra do sigilo bancário. Parte do dinheiro foi parar na conta da empresa Cristal Financial Services, sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, cujos proprietários são Raul Henrique Srour e Richard Andrew de Mol Van Otterloo. Ambos foram condenados como doleiros no âmbito do caso Banestado a penas leves por aceitarem fazer delação premiada. Apesar de movimentarem cerca de US$ 1 bilhão como doleiros entre 2000 e 2003, suas penas foram reduzidas à doação de 50 cestas básicas e um ano e nove meses de prestação de serviços comunitários.

Raul Henrique Srour, tido como integrante do grupo de Alberto Youssef, foi novamente flagrado operando como doleiro na recente Operação Lava Jato. Dentro da estratégia de dividir as denúncias, o Ministério Público Federal do Paraná rapidamente ofereceu à Justiça uma primeira denúncia contra ele no dia 24 de abril de 2014, restrita ao crime de fraude ao usar nomes de terceiros para realizar operações de câmbio e para comprar um carro. A denúncia faz menção à conta dos executivos da Siemens no Itaú de Luxemburgo, mas apenas como indício de crimes antecedentes, sem aprofundar nada sobre o assunto.

Em junho de 2014, o juiz Sérgio Moro concedeu liberdade provisória à Raul Srour mediante fiança que teve o valor de R$ 7,2 milhões fixados inicialmente reduzido para R$ 2 milhões, sendo R$ 200 mil de entrada e mais 18 mensalidades de R$ 100 mil. O parcelamento é de difícil compreensão no caso de fiança, já que o fundamento seria a perda da caução em caso de fuga e retirar do acusado meios para continuar operando no mercado ilegal de câmbio. Porém, o parcelamento dá a chance do suposto criminoso pagar só a entrada de 10%, fugir e dar o calote no restante.

Outro ponto de se estranhar é o fato de Raul Srour ter recebido tratamento diferenciado ao do Alberto Youssef, pois foi solto em condições camaradas, sem fazer acordo de delação premiada – que se saiba – no que diz respeito a coisa maiores, como a empresa nas Ilhas Virgens Britânicas envolvida no caso Siemens.

No depoimento de Mark Gough, feito há um ano. está registrado: "O depoente informa que as autoridades de Luxemburgo estão interessadas em entrar em contato com as autoridades brasileiras".

Passado um ano, só agora uma delegação de procuradores brasileiros viaja para a Suíça em busca de provas sobre contas usadas para suposta lavagem de propinas nos contratos de trens paulistas.

Em 2013 o ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) João Roberto Zaniboni foi condenado pela Justiça suíça por lavar dinheiro de propina no país europeu. Aqui no Brasil, ele e os demais envolvidos no escândalo do governo tucano continuam soltos.

Circula hoje nos jornais, com discrição, que a Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o "cartel metroferroviário" que operou em São Paulo entre 1998 e 2008. São indiciados 33 pessoas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de cartel e crime licitatório. Entre os indiciados há servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais envolvidos. "A vítima é a sociedade", avalia a Polícia Federal. José Serra e Geraldo Alckmin não sabiam de nada.

Sinais trocados

Para 'desmamar' oligarquias, Levy funciona melhor fazendo o mesmo que Mantega faria

Mídia tradicional insufla reação inicial das bases populares que apoiam Dilma, insinuando que ela faria um governo parecido com o prometido por Aécio na área econômica. Mas esta visão é falsa
por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brail Atual publicado 29/11/2014 10:53
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Mercado 'se acalma' com anúncio de novo ministro, mas política econômica segue sendo a do governo Dilma

É curioso como política às vezes é feita com sinais trocados. Se fosse para adotar "medidas amargas" contra o trabalhador, um nome para o ministério da Fazenda mais ligado ao petismo enfrentaria menos resistência popular para implementá-las. Se for para adotar medidas que contrariem alguns interesses empresariais e do mercado financeiro, como "desmamar" das tetas do Estado setores que recebem incentivos e já não dão oretorno socioeconômico esperado, enquanto preservam-se conquistas sociais, nada melhor do que um ministro da Fazenda com fama e perfil de técnico austero e ortodoxo.

Fica mais difícil dos grandes grupos econômicos "desmamados" reclamarem de decisões "técnicas" que eles mesmos pregaram.

Houve reação inicial das bases políticas mais populares que apoiam Dilma Rousseff, insufladas pela mídia oposicionista, insinuando que ela faria o governo prometido por Aécio Neves (PSDB). É uma visão falsa.

No caso tucano, Armínio Fraga, seria "o" formulador econômico de Aécio, seu eventual ministro da Fazenda seria uma espécie de czar na economia – redução dos bancos públicos, achatamento salarial e privatizações estiveram em sua agenda desde sempre.

Dilma, que sempre exerceu de fato a profissão de economista é ela mesma a formuladora da política econômica que, ressalte-se, foi debatida com a sociedade durante a campanha eleitoral. O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, assim como os outros ministros da área, serão os que porão as medidas em prática.

Pelas primeiras declarações de Levy – admitindo preservar conquistas sociais, negando haver a crise que o noticiário oposicionista vem insistindo em manter nas manchetes, e afirmando que os ajustes serão suaves – presume-se sem muita dificuldade que ele não fará nada substancialmente diferente do que o atual ministro Guido Mantega faria se continuasse no cargo.

A diferença é que, fazendo a mesma coisa, será elogiado por uns e menos criticado por outros, enquanto Mantega seria massacrado por qualquer coisa que fizesse – por conta da campanha contra encampada pela mídia, a gosto do mercado.

Ações econômicas que precisam ser tomadas estão mais do que mapeadas, tanto pelo monitoramento constante do dia a dia de quem está dirigindo a economia do país, como pelo pacto formado na campanha eleitoral com os anseios populares.

São medidas econômicas necessárias: preservar e gerar empregos, renda, programas sociais, investimentos, aumentar o crescimento econômico, reduzir juros e a inflação. Os instrumentos para isso também são conhecidos e Guido Mantega já os usou em vários anos em que esteve à frente da Fazenda.

Tido como austero nos cortes quando foi Secretário do Tesouro Nacional no primeiro governo Lula, Levy adiantou ter como meta um superávit primário de 1,2% do PIB em 2015, e 2% em 2016 e 2017, anos em que há previsão de maior crescimento econômico, com consequente aumento da arrecadação.

São números relativamente tranquilos de se cumprir sem comprometer conquistas sociais, e suficientes para criar ambiente econômico favorável à queda de juros, ao investimento privado e ao crescimento econômico, com consequente aumento de arrecadação, levando recursos para a área social. Mantega já fez superávits bem superiores na maioria dos anos que esteve à frente da Fazenda.

Outra meta que o novo ministro terá é aumentar a arrecadação. Em 2014, com a desaceleração das atividades econômicas, com desonerações fiscais, e com uma quase "greve" de investimentos por empresários brasileiros, a arrecadação ficou aquém da esperada. Como se não bastasse, até decisões judiciais desfavoráveis no Supremo Tribunal Federal, em ações contestatórias sobre normas de cobrança de impostos, prejudicaram a arrecadação.

O ex-governador de São Paulo Claudio Lembo, um liberal convicto disse anos atrás: "Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações."

Quando foi secretário de Fazenda do Rio de Janeiro, Levy aumentou bastante a arrecadação daquele estado, para contrariedade dos neoliberais, que só falam em cortar impostos, inclusive dos setores mais ricos e lucrativos com privilegiada capacidade contributiva.

Para abrir a bolsa da burguesia, como disse Lembo, hoje um nome como Levy no ministério da Fazenda funciona melhor do que alguém como Mantega, mesmo que os dois façam exatamente a mesma coisa.

lava jato

Delator omitiu ou a mídia escondeu empresa offshore no paraíso fiscal da 'privataria'?

por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 26/11/2014 15:57
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Empresa de Augusto Mendonça teve contratos milionários com a Petrobras: mídia seletiva?

Não consta no noticiário dos vazamentos do depoimento do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que fez acordo de delação premiada sobre corrupção na Petrobras, uma empresa offshore dele na Ilhas Virgens Britânicas.

O executivo declarou ter usado suas empresas no Brasil para pagar propinas a diretores corruptos da Petrobras por contratos com a empresa Toyo-Setal, controlada pela japonesa Toyo Engineering. As empresas brasileiras de Augusto Mendonça apareceram depositando valores nas empresas de fachada controladas pelo doleiro Alberto Youssef.

O nome do executivo aparece na plataforma “Offshore Leaks”, um banco de informações sobre contas em paraísos fiscais divulgadas ao público na internet por um coletivo de jornalistas investigativos do ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists), com sede em Washington. O trabalho do grupo é apoiado por 38 veículos, como o jornais The Guardian, do Reino Unido, Le Monde, da França, e The Washington Post, dos Estados Unidos.

Augusto Mendonça aparece ligado como beneficiário da offshore "The Memphis Trust", sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Os outros beneficiários são sua mulher, a atriz Giselle Cocchiararo Fraga Ribeiro de Mendonça (de nome artístico Gisele Fraga), e duas outras mulheres com o mesmo sobrenome: Carolina Follegatti Ribeiro de Mendonça e Karin Follegatti Ribeiro de Mendonça. As duas últimas são sócias da CMX Participações S.A., empresa com sede em São Paulo, criada em 2008.

O empresário também aparece com seu nome ligado à outra empresa nas  Ilhas Virgens Britânicas, "Memphis Enterprises International Limited". Empresas offshore nem sempre estão associadas a negócios ilícitos, mas dada as atividades já confessadas pelo empresário, no mínimo precisa ser melhor investigada.

Como os vazamentos da Operação Lava Jato na mídia têm sido seletivos e com viés político, não se sabe se o delator não contou tudo e omitiu esta offshore, ou se foi a própria mídia tradicional que fugiu da pauta dos paraísos fiscais, um assunto explosivo que assombra antigos escândalos ligados a governos tucanos, como o da "privataria tucana", do Banestado e das propinas dos trens e Metrô de São Paulo.

Russomanno e Eduardo Gomes

Augusto Mendonça, por meio de uma de suas empresas, a Yellowwood Consultoria, aparece como sócio do deputado Celso Russomanno (PRB-SP) e da filha do deputado federal licenciado Eduardo Gomes (SD-TO) no Bar do Alemão, badalada casa em área nobre de Brasília. É um empreendimento de R$ 4,2 milhões declarados.

Quando Russomanno foi candidato a prefeito de São Paulo em 2012, ele teve dificuldade para explicar como ele tinha R$ 1 milhão na sociedade se não havia colocado dinheiro nenhum seu. Ele disse na época que pagaria sua parte trabalhando na administração do bar.

Agora a Yellowwood Consultoria aparece na Operação Lava Jato recebendo R$ 18,7 milhões da outra empresa de Augusto Mendonça, a Tipuana, a mesma que abasteceu os cofres de Youssef, segundo reportagem da revista IstoÉ.

Além dos negócios, as relações de Russomano com Augusto Mendonça se estendem à vida social. Em 2005, o deputado foi padrinho de casamento do empresário com a atriz Gisele Fraga

delações

Investigações aumentam ligações da gestão FHC à corrupção na Petrobras

Em depoimentos à Polícia Federal, lobista e ex-diretor contam que começaram a praticar seus crimes há mais tempo que a mídia velha tenta convencer a opinião pública
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 24/11/2014 15:05, última modificação 27/11/2014 12:05
Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados
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Envolvidos nas denúncias de negócios obscuros na Petrobras vão revelando origens da corrupção na estatal

Quando Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso se juntam para fazer críticas ao governo Dilma e à Petrobras, ou é sinal de que ambos estão com sérios problemas de memória, ou que não estão acompanhando as notinhas que vez por outra têm saído na imprensa amiga dos tucanos

Na sexta feira (21), o ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, depois de fazer acordo de delação premiada como forma de diminuir seu possível tempo de prisão, relatou em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que recebeu cerca de US$ 100 milhões em propinas por negócios escusos na Petrobras desde 1996, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Barusco se aposentou na Petrobras em 2010 e, a partir daí, foi diretor de Operações da Sete Brasil, empresa que tem contrato atualmente com a Petrobras.

Fazendo coro com Barusco, na mesma semana foi a vez de outro diretor, o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, dizer à Polícia Federal que começou a fazer negócios com a Petrobras durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Contou Baiano, que, por volta do ano de 2000, celebrou contratos milionários com uma empresa espanhola, que na época o país vivia o apagão da energia e que a estatal buscava parceiros internacionais na área de produção de energia e gás para suprir a demanda. Ele disse também que conheceu Nestor Cerveró  no governo Fernando Henrique. Na ocasião, segundo ele, Cerveró era um dos gerentes da Petrobras.

De acordo com uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo no ano de 1999, sob gestão de FHC, a estatal usou decreto criado por ele mesmo para não aplicar a Lei de Licitações em parte dos contratos. Amparada por um decreto presidencial de 1998 e por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), a Petrobras fechou acordos sem licitação de cerca de R$ 47 bilhões (valor não atualizados)

Somente entre 2001 e 2002, no mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), a Petrobras contratou cerca de R$ 25 bilhões sem licitações, em valores não atualizados.

Em 2009 teve uma CPI  da Petrobras como agora. O requerimento foi de Álvaro Dias e recebeu assinaturas de apoio dos então senadores Demóstenes Torres (que era do DEM) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Na época ninguém entendeu o fato de, após alguns dias de funcionamento, a CPI criada por parlamentares do PSDB ter sido abandonada sem que nada fosse investigado. A comissão foi instalada em julho e acabou em novembro. Sérgio Guerra e Álvaro Dias, também do PSDB, abandonaram a comissão no fim de outubro.

Somente no mês passado todos conheceram o real motivo da desistência.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato após decidir colaborar com o Ministério Público Federal, afirmou em depoimento que repassou propina no valor de R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, para que ajudasse a esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a Petrobras em 2009. Guerra era senador e integrava aquela CPI. Ele morreu em março deste ano e foi substituído por Aécio Neves no comando do PSDB.

Segundo depoimento de Costa, as  empresas que prestam serviços à Petrobras tinham como objetivo nessa época encerrar logo as investigações da CPI , porque as empreiteiras temiam prejuízos. O PSDB sempre culpou o PT e Lula pelo fim da CPI. Um dos textos do site do PSDB publicado em março deste ano, traz o seguinte título: “Governo engavetou CPI da estatal em 2009”  Agora sabemos que o PSDB atribuiu  ao PT uma culpa que ele não teve

Junto a todos esses fatos, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse em depoimento à Polícia Federal que tinha contato próximo com o arrecadador de campanha do PSDB, o Doutor Freitas, Sérgio de Silva Freitas, ex-executivo do Itaú que atuou na arrecadação de campanhas tucanas em 2010 e 2014 e que esteve com o empreiteiro na sede da UTC.

Ainda de acordo com o depoimento, o objetivo da visita do "doutor Freitas" foi receber recursos para a campanha presidencial de Aécio originadas de propinas entre construtoras que prestavam serviços à Petrobras.

Vale aqui recordar o comentário do jornalista da Rede Band, Ricardo Boechat – que pode ser taxado de tudo, menos de ser petista: “Fernando Henrique Cardoso está sendo oportunista quando diz que começa a sentir vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que na Petrobras se roubou durante o seu governo”

Operação Lava Jato

Polícia Federal chega no 'Doutor Freitas' e Aécio Neves desaparece

Após depoimentos de executivos que fizeram acordos de delação premiada afirmando que existia um 'clube' de empreiteiras que fraudava licitações e pagava propinas, misteriosamente o tucano sumiu da imprensa
por Helena Sthephanowitz publicado 21/11/2014 15:22, última modificação 21/11/2014 18:56
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aecio neves

De 11 sessões no Senado, Aécio só apareceu em cinco. Precisa aparecer para explicar o que sempre chamou de 'corrupção'

Nas últimas entrevistas, o senador Aécio Neves (PSDB), apareceu histérico tentando pautar desesperadamente a mídia na Operação Lava Jato para atacar o governo Dilma e afastar os holofotes dos tucanos. Parece que vai ser difícil agora.

Depois de muita enrolação, com direito a manchete do tipo “Doações de investigadas na Lava Jato priorizam PP, PMDB, PT e outros”, para não citar PSDB, apareceu o Doutor Freitas. Notinhas tímidas, em letras miúdas, no rodapé de páginas dos grandes jornais informam que o dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse em depoimento à Polícia Federal que tinha contato mais próximo com o arrecadador de campanha do PSDB, o Doutor Freitas, Sérgio de Silva Freitas, ex-executivo do Itaú que atuou na arrecadação de campanhas tucanas em 2010 e 2014 e esteve com o empreiteiro na sede da UTC. Ainda de acordo com o depoimento, objetivo da visita do Doutor Freitas foi receber recursos para a campanha presidencial de Aécio.

Dados da Justiça Eleitoral sobre as eleições de 2014 mostram que a UTC doou R$ 2,5 milhões ao comitê do PSDB para a campanha presidencial e mais R$ 4,1 milhões aos comitês do PSDB em São Paulo e em Minas Gerais, além de R$ 400 mil para outros candidatos tucanos.

Depois dos depoimentos de dois executivos da Toyo Setal que fizeram acordos de delação premiada, e afirmaram que existia um "clube" de empreiteiras que fraudava licitações e pagava propinas, misteriosamente o tucano Aécio Neves sumiu da imprensa.

Aécio é senador até 2018, mas também não é mais visto na casa. De 11 sessões, compareceu apenas a cinco. O ex-candidato tucano precisa aparecer para explicar a arrecadação junto à empreiteira, o que, para ele, sempre foi visto como "escândalo do PT", e outras questões. Como se não bastassem antecedentes tucanos na Operação Castelo de Areia, como se não bastasse a infiltração de corruptos na Petrobras desde o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como se não bastasse o inquérito que liga o doleiro Alberto Youssef à Cemig, basta observar o caso da construção do palácio de governo de Minas na gestão de Aécio quando foi governador.

Para quem não se lembra, a "grande" obra de Aécio como governador de Minas, além dos dois famosos aecioportos, não foi construir hospitais, nem escolas técnicas, nem campi universitários. Foi um palácio de governo faraônico chamado Cidade Administrativa de Minas, com custo de cerca R$ 2,3 bilhões (R$ 1,7 bi em 2010 corrigido pelo IGP-M). A farra com o dinheiro público ganhou dos mineiros apelidos de Aeciolândia ou Neveslândia.

Além de a obra ser praticamente supérflua para um custo tão alto, pois está longe de ser prioridade se comparada com a necessidade de investimento em saúde, educação, moradia e mobilidade urbana, foi feita com uma das mais estranhas licitações da história do Brasil.

O próprio resultado deixou "batom na cueca" escancarado em praça pública, já que os dois prédios iguais foram construídos por dois consórcios diferentes, cada um com três empreiteiras diferentes.

Imagina-se que se um consórcio ganhou um dos prédios com preço menor teria de construir os dois prédios, nada justifica pagar mais caro pelo outro praticamente igual.

Se os preços foram iguais, a caracterização de formação de cartel fica muito evidente e precisa ser investigada. Afinal, por que seis grandes empreiteiras, em uma obra que cada uma teria capacidade de fazer sozinha, precisariam dividir entre elas em vez de cada uma participar da licitação concorrendo com a outra? Difícil de explicar.

O próprio processo licitatório deveria proibir esse tipo de situação pois não existe explicação razoável. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

No final das contas, nove grandes empreiteiras formando três consórcios executaram a obra. Cinco delas estão com diretores presos na Operação Lava Jato, acusados de formação de cartel e corrupção de funcionários públicos.

Em março de 2010 havia uma investigação aberta no Ministério Público de Minas Gerais para apurar esse escândalo. Estamos em 2014 e onde estão os tucanos responsáveis? Todos soltos. A imprensa mineira, que deveria acompanhar o caso, nem toca no assunto de tão tucana que é. E a pergunta do momento é: onde está Aécio?

lava jato

Financiamento de empresas a campanhas pode constranger até o TCU

Ministros do tribunal de contas que já tiveram campanhas eleitorais custeadas por empresas encrencadas no próprio tribunal enfrentam situações conflitantes com os fundamentos republicanos
por Helena Sthephanowitz publicado 20/11/2014 10:21
elza fiúza/arquivo abr
augusto nardes

Em 2004, quando era deputado, Nardes, presidente do TCU, respondeu à AP 363 no STF. Motivo: financiamento de campanha

O Tribunal de Contas da União (TCU), apesar do nome, não faz parte do Poder Judiciário, e sim do Legislativo. De seus nove ministros conselheiros, seis são indicados pelo Congresso Nacional em votação no plenário e sempre são escolhidos parlamentares ou ex-parlamentares, em processo de hábil articulação política para arregimentar votos da maioria dos colegas ou ex-colegas. As outras três vagas são indicadas pela Presidência da República, sendo duas preenchidas obrigatoriamente por funcionários de carreira dentre auditores e membros do Ministério Público que atuam no Tribunal. Em todos os casos, quem dá a palavra final sobre a aprovação do nome ou não é o Senado Federal, pelo voto da maioria dos senadores.

Eleitos e empossados, os ministros do TCU têm seus cargos vitalícios, não podendo ser removidos, para ter independência.

Estse processo de escolha não é necessariamente ruim, mas traz um defeito, pois os ministros irão julgar as contas públicas de todos os órgãos federais e, enquanto houver financiamento empresarial de campanha eleitoral, muitos deles já tiveram no passado campanhas financiadas por empresas encrencadas no próprio tribunal, o que cria situações conflitantes com os fundamentos republicanos.

Sem colocar em dúvida a honra de ninguém, e muito menos fazer ilações sobre envolvimento com delitos alheios, o modelo de financiamento empresarial de campanha eleitoral acaba por levar a situações que constrangem os próprios ministros dos Tribunais de Contas, pela própria conjuntura em que estão inseridos.

Vejamos um exemplo: o atual presidente do TCU, Augusto Nardes, era deputado do PP no ano de 2004 e vice-presidente nacional do partido. Segundo depoimento do doleiro Alberto Youssef à Justiça Federal do Paraná, a bancada de deputados do PP estava obstruindo votações na Câmara por 90 dias, exigindo a nomeação de Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras. Em 2005, Nardes foi eleito ministro do TCU pela maioria dos votos da Câmara dos Deputados.

Quando estourou a Operação Castelo de Areia, a atuação de Nardes foi questionada nas contas que envolviam a Camargo Correa. Guilherme Cunha Costa, representante da empreiteira em Brasília na época da operação, era diretor da Fiesp atuando em Brasília em 2005, quando atuou para que Nardes fosse nomeado ministro do TCU.

Em 2009, a coluna "Painel" da Folha de S.Paulo noticiou "(...) Guilherme Cunha Costa, que até 2007 era o operador político da Fiesp em Brasília. Nesse ano, a pedido do vice-presidente da Camargo Corrêa, Fernando Botelho, transferiu-se para o escritório da construtora na capital. Mas, segundo congressistas, Costa continua a lhes transmitir as mensagens do presidente da federação, Paulo Skaf. Em 2005, quando Severino Cavalcanti (PP-PE) presidia a Câmara, Costa atuou para instalar o ex-deputado Augusto Nardes no TCU. Pelo gabinete do ministro transitam processos que envolvem a Camargo".

Em 2004, quando era deputado, Nardes respondeu à Ação Penal 363 no STF. Motivo: financiamento de campanha. Pela denúncia do Ministério Público Federal, a mulher do deputado, Isabel Cristina Nardes, foi acusada de receber R$ 20 mil de doação para a campanha do marido em 1998, da qual era coordenadora, mas não contabilizou na prestação de contas junto à Justiça Eleitoral. O plenário do STF decidiu aplicar o benefício da suspensão do processo mediante penas alternativas propostas pelo MPF e aceitas pelo deputado. Nardes teve de proferir palestras durante dois anos em escolas da rede pública sobre sistema democrático e processo eleitoral e doou R$ 1 mil ao Programa Fome Zero na época.

De 2008 a 2012, Cajar Onésimo Ribeiro Nardes, irmão do presidente do TCU, foi diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão com diversos contratos com empreiteiras. Em 2014, Cajar Nardes candidatou-se a deputado federal pelo PR no Rio Grande do Sul. Recebeu R$ 769 mil de doação de campanha, a maioria de empreiteiras, não as que fazem parte da Lava jato, exceto R$ 100 mil  do Grupo Odebretch através da Braskem. As regras eleitorais exigem que candidatos e partidos procurem financiar suas campanhas junto a empresários, e é natural que procurem a quem conhecem. É legal, mas causa desalento no eleitor a independência e integridade do mandato frente às pressões do poder econômico.

Em 2010, outro irmão do presidente do TCU, Pedro Reus Ribeiro Nardes, foi candidato a deputado federal, pelo PP. Teve R$ 696 mil em doações de campanha, a maior parte vinda do diretório estadual do partido acusado de ter Alberto Youssef como operador de propinas junto ao ex-diretor Paulo Roberto Costa na Petrobras. Não se pode acusar todos os membros de um partido pelos atos dos outros, caso não tenham participado de ilícitos, mas de novo cria situações que causam desalento no cidadão eleitor e deteriora a imagem da atividade política.

Houve outros casos até de maior envolvimento de parentes de outros ex-ministros do TCU com empreiteiras. Nos Tribunais de Contas dos Estados há casos piores, como em São Paulo, dos ex-conselheiros Roberto Marinho e Eduardo Bittencourt, envolvidos diretamente em graves denuncias de corrupção.

Para o bem geral da nação e dos cofres públicos, é imprescindível e urgente proibir o financiamento empresarial de campanha. Como se vê, de uma forma ou de outra, acaba contaminando não apenas a representação popular nos parlamentos federais, estaduais e municipais, mas também interfere indevidamente até na composição de órgãos de controle, como os tribunais de contas, colocando na cabeça do cidadão eleitor dúvidas sobre a integridade destas instituições.

O financiamento empresarial, além de enfraquecer a legitimidade das instituições públicas perante a opinião pública, causa situações de constrangimento a parlamentares, ministros, governantes e conselheiros honestos.