Você está aqui: Página Inicial / Blogs / Blog da Helena

Blog da Helena

por publicado , última modificação 22/10/2014 16:25

Ou juiz libera todos os nomes do PSDB envolvidos em desvios, ou não cita ninguém

Magistrado responsável por audiências sobre corrupção na Petrobras deveria trabalhar para descobrir parlamentares tucanos envolvidos em esquemas e determinar envio do caso ao STF
por helena publicado 22/10/2014 16:25
Gabriela Kossoy/Câmara
petrobras_cpi_gabriela kossoy_camara.jpg

A exemplo de 2009, CPI que tem como tema a Petrobras caminha para desfecho sem resultados relevantes

O braço direito de Alberto Youssef, Leonardo Meirelles, afirmou, em depoimento em  Curitiba, que outros políticos do PSDB, além do ex-presidente do partido Sérgio Guerra, receberam propina da Petrobras pela mão do doleiro a que representa.

Meirelles falou sobre envolvimento de políticos do PSDB em perguntas de seu advogado Haroldo Nater durante audiência com o juiz Sérgio Moro, responsável pelas audiências resultantes da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Quando o advogado perguntou se outros partidos, além  daqueles que ele já havia citado, foram beneficiados com desvios de dinheiro da estatal pelo grupo de Youssef, Leonardo Meirelles respondeu que acreditava que sim, e que sabia do envolvimento do PSDB.

Ao ouvir o vídeo da gravação  do depoimento, causa estranheza o fato de que exatamente quando o advogado pediu mais detalhes sobre quem seria esse político do PSDB do Paraná, um padrinho político local, o juiz interveio, e de uma maneira até estranha. Moro disse algumas vezes que não precisaria identificar os personagens sobre os quais estava falando. Se Meirelles mencionasse o envolvimento de políticos com foro privilegiado, Moro teria de interromper o processo e mandar os autos para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Meirelles confirmou que presenciou uma conversa por telefone entre Youssef e Sérgio Guerra. O ex-senador estaria cobrando uma promessa não devidamente cumprida pelo doleiro.

Em um dos depoimentos da delação premiada sobre o caso da Petrobras, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa disse que pagou R$ 10 milhões para Sérgio Guerra com o objetivo de esvaziar a CPI a respeito da empresa em 2009. A comissão, que começou de forma ruidosa para investigar supostas fraudes na construção da refinaria de Abreu e Lima, entre outras obras, terminou sem qualquer resultado concreto.

De quatro em quatro anos tem eleições, e é justamente nessas épocas que o PSDB faz CPI que atinge a Petrobras e o calendário eleitoral.

Em 2009 buscou uma CPI como a que faz agora. O requerimento foi de Álvaro Dias. Contou com as assinaturas de apoio dos então senadores Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Em 2008 já havia a disputa judicial com a sócia Astra Oil pela refinaria de Pasadena, no Texas, que também está sendo citada agora. Ninguém na CPI de 2009 tocou no assunto. O caso tampouco despertou o interesse da velha imprensa, que somente este ano decidiu abordar a questão, e com alarde.

Não se questiona a necessidade de qualquer órgão de Estado ou empresa estatal esclarecer dúvidas levantadas. Mas o que estamos vendo é um esforço dos principais telejornais em não informar pelo menos as partes que já foram esclarecidas pelo delator. E se fossem nomes do partido de oposição ao PSDB, será que a imprensa também não teria tido interesse de descobrir estas identidades?

Não se pode mencionar nomes de parlamentares tucanos pelo fato de se beneficiarem do foro privilegiado, como alegou o juiz Moro. No entanto, é no mínimo estranho que o mesmo juiz empenhado em combater desvios impeça que se dê nomes aos bois e deixe de enviar o processo para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A CPI de 2009, no ano anterior às eleições, deu em nada. E, agora, estamos descobrindo os motivos. A CPI desse ano, criada a seis meses das eleições, com parlamentares em campanha, ficando menos tempo em Brasília, levaria a algum resultado edificante? Até agora, não mostrou nenhum resultado, com provas concretas.

Pelo que estamos assistindo, uma CPI, para a oposição do governo, virou instrumento de uso eleitoreiro e encobre interesses escusos, que aos poucos são revelados.

fina sintonia

Aécio governador não sabe quanto pagou. Aécio dono de rádio não sabe quanto recebeu

A ética política que o país persegue já deveria ter inspirado o candidato tucano a liberar informações sobre gastos de seus governo em Minas em portais da transparência. Só que não
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 17/10/2014 12:12, última modificação 17/10/2014 12:53
Ag. Senado
aecioradio.jpg

Aécio: informações que relacionam governo de MG com sua família, e que deveriam ser públicas, sob sigilo

O candidato Aécio Neves (PSDB) tem dificuldades enormes na hora de lidar com perguntas que envolvem negócios públicos com privados  e seus familiares

No caso do aeroporto de Cláudio, construído em terras de uma fazenda de seu tio-avô,   e ao  lado de umas de suas   fazendas ele demorou uma semana para responder que pousou no aeroporto, mesmo sem  estar  homologado para uso público.

Agora, o candidato  reage mal diante de perguntas sobre propagandas do governo de Minas em suas rádios. Ao ser questionado, no debate da Band, terça-feira (14), Aécio  se irritou, afirmou "não ter ciência" e que a pergunta deveria ser dirigida ao governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), seu aliado.

Resposta infeliz: no período de 2003 a 2010, o governador era o próprio Aécio Neves. Portanto, ele pagou as rádios com uma mão, já que era governador e, com a outra, recebeu o dinheiro, que coube às suas rádios. Ou seja, ele mesmo teria duas fontes para consultar que valores suas rádios receberam dos cofres públicos de Minas: pedir um levantamento na contabilidade das suas emissoras – o que parece ser mais rápido –, ou pedir um levantamento na Subsecretária de Comunicação do Estado de Minas.

Aliás, convenhamos, hoje em dia, a ética na gestão pública já inspira que informações como estas deveriam estar automaticamente disponíveis em portais da transparência do governo do estado.

Uma terceira opção seria perguntar à sua própria irmã, a jornalista Andrea Neves da Cunha, nomeada pelo governador para comandar o "Grupo Técnico de Comunicação Social", órgão responsável por coordenar, alocar verbas e fiscalizar a publicidade do governo de Minas Gerais.

Há anos a oposição aos governos tucanos na Assembleia Legislativa de Minas pede informações sobre gastos com propaganda governamental nas rádios e jornal pertencentes à família de Aécio, sem obter resposta. A desculpa é a de que o estado contrata agências de publicidade e são elas que contratam as rádios.

Óbvio que é uma desculpa inaceitável, pois as agências de publicidade têm obrigação de prestar contas dos serviços que prestaram, descrevendo onde, quando e quanto foram veiculadas, para receber pagamentos dos cofres públicos. Se não fazem isso, só agrava a coisa pelo descontrole e pela possibilidade de fazer pagamentos por serviços não prestados.

Se Aécio quer preservar longe dos olhos do povo seus negócios, não deveria receber dinheiro público. A partir do momento que recebeu é obrigado sim a dar todas as explicações e com transparência, gostando ou não.

Aécio pertence a oligarquias políticas mal acostumadas, em que são comuns as práticas de nepotismo e patrimonialismo, coisas que o Brasil luta para se livrar e ter personalidades políticas mais republicanas.

O próprio Aécio tirou proveito de seu pai ser deputado federal, do qual ganhou salários como assessor de gabinete por três anos, quando ainda era estudante no Rio de Janeiro, sem ter como trabalhar nem em Brasília, nem em Minas, estado pelo qual o pai foi eleito.

Recém-formado, Aécio ganhou outro cargo na Caixa Econômica Federal, não de estagiário como recém-formados costumam conseguir. Sem nenhum concurso, foi nomeado logo Diretor de Loterias pelos então presidente, José Sarney, e ministro da fazenda, Francisco Dornelles, seu primo.

As próprias concessões das rádios da família Neves seguiu critérios patrimonialistas.

Não as obteve vencendo licitação, foi por ser "amigo do rei", quando era deputado durante o governo Sarney, a quem apoiava. O então ministro das comunicações, Antônio Carlos Magalhães (PFL), distribuía concessões de rádios e TVs para deputados e senadores da base governista da época.

Estas concessões eram muito cobiçadas porque, além de gratuitas, eram altamente lucrativas e dava um grande poder de influência política, próprio dos meios de comunicação de massa. Quem dominava a mídia, dominava o teor do noticiário (como ainda é hoje), podendo atuar favoravelmente à oligarquia política do dono da rádio e/ou da TV, além de cerrar fogo contra os adversários políticos.

O comportamento arredio, de procurar varrer para baixo do tapete o assunto, só faz criar suspeitas de que, se precisa ficar escondido, é porque deve ter algo muito errado.

a conferir

Dornelles, o homem-bomba da CPI da Petrobras que constrange Aécio

Senador e primo do candidato tucano presidiu o PP, responsável por Paulo Roberto Costa, o investigado, chegar aonde chegou na Petrobras. Um depoimento seu poderia ajudar a entender a engrenagem do esquema
por Helena Sthephanowitz publicado 14/10/2014 09:07, última modificação 14/10/2014 10:33
Roberto Stuckert Filho
Dornelles

Testemunho do primo de Aécio à CPI da Petrobras poderia ser contribuição importante, não fosse incômoda

Em depoimento na Justiça Federal do Paraná, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, disse que foi indicado pelo PP (Partido Progressista) para a diretoria de Abastecimento da empresa. Proibido pelo juiz Sérgio Moro de citar nomes de parlamentares ou autoridades que detivessem foro privilegiado, Costa citou apenas o nome de José Janene, ex-deputado, morto em 2010.

No entanto, Costa fez questão de afirmar que só conheceu Janene em 2004. É obvio que já conhecia outros membros do PP bem antes disso, afinal não se imagina que um esquema de corrupção clandestino recrute profissionais através de anúncios de empregos nos classificados de jornais ou internet do tipo "Procura-se diretor corrupto. Exige-se, além da capacidade técnica, intermediar propinas junto a empreiteiras. Remuneração: participação no rateio das propinas".

Um dos principais líderes do PP em 2004 era o senador Francisco Dornelles (RJ), que tornou-se presidente do partido a partir de 2007, ficando até 2103. Segundo o depoimento de Paulo Roberto, foi a partir de 2007 que passou a ter mais obras em refinarias, sua área de atuação e que o esquema teria produzido mais movimentação financeira.

Não vamos aplicar a deturpação da teoria do domínio do fato para criminalizar o senador Dornelles apenas por ele ser presidente do partido. Mas no mínimo ele foi uma testemunha privilegiada de boa parte do que se passou neste período, nas conversas e reuniões partidárias.

Como senador e homem público, deve seu testemunho à CPI da Petrobras para explicar como foi o processo de aproximação de Paulo Roberto Costa com o PP, e descrever como se dava a relação do ex-diretor com o partido no período em que foi presidente da agremiação.

Mas há problemas políticos no caminho, típicos da disputa eleitoral, para este depoimento acontecer.

O senador Dornelles é também primo do candidato a presidente da República pelo PSDB, Aécio Neves, para quem faz campanha no Rio de Janeiro, onde é também candidato a vice-governador de Luiz Fernando Pezão (PMDB), a disputar o segundo turno. Aliás, o próprio Dornelles assinou a nomeação do então jovem recém-formado Aécio Neves diretor da Caixa Econômica Federal quando foi Ministro da Fazenda de José Sarney em 1985, o que torna mais conturbado seu necessário testemunho em uma CPI em meio ao processo eleitoral.

Infelizmente, o juiz  Sérgio Moro se contentou com a resposta, bem orientado por advogados da defesa, que incrimina apenas o ex-deputado morto e a citação da sigla partidária, sem perguntar como ocorreu o processo anterior de aproximação de Paulo Roberto com o PP, que desvendaria para o cidadão brasileiro como nascem esses esquemas de corrupção que cooptaram um engenheiro de carreira e concursado.

O depoente, por instrução do juiz para não anular o depoimento, não poderia citar nomes de pessoas com foro privilegiado, referindo-se a eles como "agentes políticos", mas precisava detalhar como se deu sua própria atuação desde o começo, como foi a aproximação de um técnico de carreira concursado com agentes políticos do PP para cometer atos ilícitos e obter vantagens indevidas.

Em nome da transparência e do interesse público, se a Justiça Federal do Paraná deixou esta lacuna, a CPI precisa preenchê-la. Além da punição criminal de envolvidos, função de CPI é também aprimorar as instituições levando à criação de leis, normas e sistemas que evitem que tais esquemas se repitam. Conhecer a gênese e o funcionamento da engrenagem dos crimes de corrupção é tão importante como punir os responsáveis pelos ilícitos já praticados.

Outro ingrediente explosivo para o ambiente eleitoral é que Paulo Roberto Costa foi diretor da Gaspetro, subsidiária da Petrobras. Segundo seu próprio depoimento, as indicações para diretorias eram políticas desde que ele ingressou na Petrobras, em todos os governos, mas o juiz Moro também não fez perguntas sobre essas nomeações anteriores durante o depoimento. Naquele período, a Gaspetro realizou grandes obras com empreiteiras, como o gasoduto Brasil-Bolívia, e havia parcerias para construir termoelétricas a gás. O PP apoiou também o governo de FHC e indicou pessoas para cargos, inclusive o próprio Dornelles foi ministro do Desenvolvimento (1996-1998), e depois do Trabalho (1999-2002).

Outra solução para o cidadão ter conhecimento com transparência de como se deu a aproximação de Paulo Roberto Costa com o PP seria o próprio juiz  Sérgio Moro fazer outro depoimento aberto ao conhecimento público com perguntas que tragam respostas a essas lacunas. Senão, o depoimento já tomado, e explorado eleitoralmente, com versões ao gosto de marqueteiros, e de editorialistas com suas visões subjetivas dos fatos e suas preferências políticas, se tornará peça histórica de interferência indevida no processo eleitoral, qualquer que seja o resultado das urnas.

Detalhe importante que ainda será tratado devidamente: já há colunistas, como Paulo Moreira Leite, que diz ter apurado nos meios jurídicos associando a divulgação anormal do depoimento de Costa a uma possível nomeação do juiz Sérgio Moro a ministro do STF, caso Aécio Neves seja eleito.

ponto obscuro

Aécio força campanha com Petrobras, mas abafou CPI sobre má gestão tucana em 2001

O debate superficial e com fins eleitorais por setores da imprensa pode favorecer Aécio. Mas terá o candidato moral para falar sobre investigação de corrupção na estatal?
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 12/10/2014 13:55
p36 afunda.jpg

Plataforma afunda em 2001: sinais de má gestão e corrupção mas, presidente da Câmara, Aécio Neves abafou CPI

O candidato do PSDB, Aécio Neves segue mantendo as denúncias de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da estatal que tenta reduzir sua pena – que pode chegar a 50 anos de prisão – como um dos principais temas de sua campanha para este segundo turno das eleições presidenciais.

Mas aqui cabe uma questão: Aécio tem  realmente um perfil adequado para falar sobre corrupção, levando em conta alguns de seus atos no passado em relação à Petrobras?

Lembremos. Em 14 de fevereiro de 2001, Aécio foi empossado presidente da Câmara dos Deputados, época em que seu partido detinha a presidência da República com o governo de Fernando Henrique Cardoso. No mês seguinte, madrugada do dia 15 de março de 2001, ocorreram duas explosões, seguidas do afundamento da plataforma de petróleo P-36 da Petrobras, no campo de Roncador, na Bacia de Campos, estado do Rio. Onze trabalhadores morreram.

Detalhe: a plataforma teve sua construção iniciada na Itália e foi concluída no Canadá, numa época em que o governo brasileiro preferia recorrer a "parcerias" no exterior, em vez de estimular a indústria nacional.

Pois bem. O CREA-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro), órgão independente e apartidário, periciou o afundamento e produziu um relatório final apontando como causas erros de gestão ao antecipar de forma irresponsável o tempo de montagem no Canadá, da adaptação malfeita de plataforma de perfuração para plataforma de produção, e um erro de projeto "profundo e claro, quando foi colocado um tanque de drenagem de emergência dentro de uma das colunas de toda a plataforma, fazendo Com que, quando ocorreu a explosão, realmente ela ficasse sem sustentação", nas palavras do então presidente do CREA-RJ, José Chacon.

O relatório do Crea-RJ foi encaminhado ao Ministério Público, ao Ministério do Meio Ambiente, à Agência Nacional de Petróleo (ANP), à Marinha do Brasil, à Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) e ao Congresso Nacional, com pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para responsabilizar os envolvidos no acidente.

Pois Aécio, como presidente da Câmara dos Deputados na época, agiu na direção de abafar CPI que pudesse investigar responsabilidades. Para tanto, entre outra manobras, ele usou o relatório da ANP que, na época tinha como diretor-geral o então genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn. Este, resumidamente, concluiu que “as causas das explosões na P-36 estiveram relacionados a não-conformidades quanto a procedimentos operacionais, de manutenção e de projeto” e, na prática, associava a responsabilidade da tragédia aos próprios trabalhadores.

Aliás no governo de FHC, a  Procuradoria-Geral da República tinha a tristemente famosa postura de “engavetar” tudo que pudesse responsabilizar o governo tucano, a ponto do então procurador, Geraldo Brindeiro, nomeado por FHC,  ganhar o apelido de ‘engavetador-geral’ da República. Na presidência da Câmara, o então deputado Aécio Neves, não ficava para  atrás. Todas as tentativas da oposição de abrir CPIs que pudessem atingir o PSDB eram barradas pela maioria governista da época, com a participação ativa de Aécio nas articulações.

O resultado era a impunidade. Havia crimes, mas criminosos eram sujeitos ocultos. Havia dolo, sem autores. Ninguém foi responsabilizado pelo afundamento da P-36. Prejuízos ao erário não voltavam aos cofres públicos. A lição era de que o crime de alta corrupção recompensava quem não tinha escrúpulos.

Atualmente, há duas CPIs investigando a Petrobras. O ex-diretor Paulo Roberto Costa, entrou na empresa como engenheiro concursado na década de 1970. Subiu na carreira, chegando a diretoria no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Como funcionário de carreira e com desempenho técnico bem avaliado na época permaneceu na diretoria após 2003, no governo Lula. Em 2012 foi afastado por Dilma e acabou preso por acaso, por manter conexão com o doleiro Alberto Youssef, em outra investigação, que investigava lavagem de dinheiro e nada tinha a ver com a Petrobras.

Mas a conexão abriu nova linha de investigação. Sem saída, diante da eminência de condenação a uma longa pena, negociou uma delação premiada e a devolução de propinas recebidas por empreiteiras. Daí em diante, o vazamento de seus depoimentos passou a montar um outro cenário que prenuncia a montagem de uma nova tentativa de golpe midiático para tentar deformar o juízo do eleitorado. Mas isso é assunto para depois

Importante é frisar, mais uma vez, que hoje ainda há crimes sendo cometidos dentro das estatais sim mas, diferentemente do governo FHC, agora sabe-se buscam-se os criminosos e busca-se também puni-los. Quando há dolo, responsabiliza-se os autores e a recuperação do dinheiro público desviado. É assim que se combate a impunidade. E isso jamais foi feito nos governos tucanos de forma geral –haja vista a quantidade de CPIs barradas pela maioria submissa à vontade do governador Geraldo Alckmin em São Paulo.

O debate superficial, seletivo e parcial, dirigido com fins eleitorais por setores da imprensa que mandam às favas os fatos e destacam o que acham interessante para eleger seu candidato do PSDB, pode favorecer Aécio. Mas o debate aprofundado o desfavorece. Ao deflagrar o debate superficial porém, é inevitável seu aprofundamento.

telhado de vidro

Aécio critica, mas já foi beneficiado por 'aparelhamento' em divisão da Caixa

Tucano omite de sua biografia uma nomeação sem concurso para o cargo de diretor de Loterias da instituição
por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 10/10/2014 13:37
PSDB.org

A campanha de Aécio Neves faz tudo para passarem despercebidas passagens de sua biografia que contradizem seu discurso. Por exemplo, ele próprio já foi um beneficiário do tal “aparelhamento” do Estado que ele tanto fala em combater. Está lá no Diário Oficial da União, de 14 de maio de 1985.

Qualquer filho do seu José ou da dona Maria, brasileiros comuns como eu e você, se quiser trabalhar na Caixa Econômica Federal, tem de fazer concurso e começar de baixo. Só consegue subir na empresa, degrau por degrau, mostrando serviço, ralando para chegar a gerente.

fac-simile p.txt.jpg
Diário Oficial mostra nomeação do jovem Aécio Neves para diretor da CEF. Irregular e fora da biografia

Mas naquela ocasião o recém-formado Aécio Neves não precisou. Graças ao fato de ser filho de político (seu pai, Aécio Neves da Cunha, era deputado pelo PFL até 1986), neto de político (Tancredo Neves, que havia morrido há menos de um mês), e primo de político, o então ministro da Fazenda do governo Sarney, Francisco Neves Dornelles.

Por isso, teve “QI elevado” para ser nomeado para o poderoso e cobiçado cargo de Diretor de Loterias da Caixa Econômica Federal, aos 25 anos, atropelando todos os funcionários de carreira da Caixa mais gabaritados para o posto.

Essa nomeação política, baseada no parentesco entre poderosos, diz muito sobre os valores e princípios do candidato. Aquela conversa de “aparelhamento” e meritocracia do tucano é para boi dormir, só existe nos discursos. Na prática, é um tal de dar cargos para os amigos, cunhados, concunhados, aeroporto para a família, colocar no TCE a mulher do vice e sócio de Marcos Valério, contratar sem licitação empresas dos “amigos” e “otras cositas más”...

Sou capaz de apostar que perto de 99% dos eleitores brasileiros não sabem dessa passagem na biografia do tucano.

Confronto direto

Vitrine de Aécio Neves quebrou em Minas Gerais

Comparação direta entre dois candidatos envolve propostas para o futuro, biografia, realizações e confiança a partir do que fez no passado. Quadro mineiro põe em xeque credenciais do tucano
por Helena Sthephanowitz publicado 06/10/2014 13:42
orlando brito/fotospúblicas
aécio neves

Muitos vão querer saber melhor as razões de Aécio ter perdido a eleição justamente onde é mais conhecido

O candidato Aécio Neves (PSDB) entra no segundo turno com um paradoxo difícil de explicar ao eleitor: foi demitido pelo povo mineiro. Teve uma votação nacional acima do que as pesquisas indicavam, ultrapassando com folga Marina Silva (PSB), chegando em segundo lugar na disputa pelo segundo turno, mas sofreu uma derrota acachapante em Minas Gerais, seu reduto eleitoral, onde fez toda sua carreira política.

Aécio entrou na campanha acreditando que largaria com ampla vantagem no seu estado, o segundo maior colégio eleitoral, e esperava equilibrar o resultado em São Paulo, o maior colégio, onde ele era uma incógnita. O resultado foi bem diferente. Em Minas, onde reinou nos últimos 12 anos, mantendo a hegemonia tucana em todas as eleições estaduais, teve uma votação menor do que sua adversária no segundo turno, Dilma Rousseff (PT), e ainda viu seu candidato a governador perder em primeiro turno para o candidato Fernando Pimentel (PT), aliado de Dilma. Enquanto isso, de São Paulo veio sua maior vitória, casada com o bom desempenho nas urnas do PSDB paulista.

Esse quadro dificulta a campanha do candidato tucano no segundo turno. Sua maior credencial a ser exibida ao eleitor era justamente os governos de Minas, onde foi governador por oito anos. Ao perder a eleição onde é bem conhecido, parte do eleitorado que votou nele onde era desconhecido, pode ficar com a pulga atrás da orelha.

No mínimo, muitos vão querer saber melhor as razões de ele ter perdido a eleição justamente onde é mais conhecido.

O tucano sofreu um forte desgaste de imagem recentemente quando foi descoberto que construiu aeroportos com dinheiro público, quando era governador, em locais que beneficiam suas propriedades particulares e de sua família, sem conseguir justificar com critérios técnicos. O aeroporto da cidade Cláudio foi construído a seis quilômetros de sua fazenda e em terras de seu tio-avô, desapropriadas em um processo rumoroso. O Ministério Público de Minas Gerais abriu investigação para analisar que estudos embasaram a decisão de construir ali, se já existe outro aeroporto ao lado, em Divinópolis que atende a região.

Outro aeroporto foi construído na cidade de Montezuma, onde Aécio também tem fazenda. Nos dois casos, são cidades pequenas, cujos aeroportos ficam ociosos, trancados, ainda pendentes de regularização na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e que, na prática, foram usados para uso privado do ex-governador tucano e de seus familiares.

Outros problemas são escândalos no entorno político de Aécio. Recentemente, o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB) renunciou ao mandato quando iria ser julgado no STF pelo "mensalão" tucano. A renuncia evitou o julgamento fazendo o processo voltar à justiça de Minas. A manobra de última hora foi vista por boa parte do eleitorado como confissão de culpa e busca pela impunidade, afinal se houvesse convicção de inocência poderia enfrentar o julgamento e preservar o mandato. Além disso, foi vista como uma operação para abafar o escândalo de forma ao julgamento não ocupar o noticiário próximo à campanha eleitoral.

A mesma manobra foi feita por outro político bastante próximo a Aécio. O ex-senador Clésio Andrade (PMDB) também renunciou ao mandato quando o STF já iria marcar seu julgamento pelo mesmo escândalo. Apesar de hoje estar no PMDB, o ex-senador foi vice-governador de Aécio de 2003 a 2006, e chegou ao Senado como suplente, em vaga conquistada em coligação com o tucano nas eleições de 2006.

Outro caso rumoroso envolvendo um aliado foi o do senador Zezé Perrella, quando um helicóptero de sua família foi apreendido com quase meia tonelada de cocaína. As investigações não encontraram envolvimento do senador e de sua família no crime de tráfico de drogas, mas não deixa de ser constrangedor o descontrole sobre as atividades ilícitas que eram feitas com o helicóptero. Tudo isso criou uma agenda negativa para o tucano mineiro.

Além disso, Aécio sempre contou com uma imprensa majoritariamente dócil em Minas, que blindava malfeitos e fracassos, divulgando uma agenda positiva dos governos tucanos. Ao longo de 12 anos, a percepção de que o governo tucano de Minas não estava atendendo aos anseios da população chegou à maioria do povo, que resolveu votar contra a continuidade do grupo político de Aécio.

Em eleições de dois turnos, a comparação direta entre apenas dois candidatos envolve propostas para o futuro, biografia, realizações e confiança a partir do que fez no passado. A vitrine de realizações de Aécio entrou quebrada no segundo turno, pelo resultado da eleição em Minas.

Jogo

'Folha' esconde incerteza sobre eleição de Alckmin no 1º turno

Faltando quatro dias para as urnas, ainda há uma diferença gigantesca entre intenções de votos espontâneas e estimuladas para governador de São Paulo, mas jornal sustenta clima de 'já ganhou'
por Helena Sthephonowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 02/10/2014 10:44, última modificação 02/10/2014 12:31
arquivo rba
Alckmin

Anális dos números do Datafolha mostra que vitória de Alckmin pode não acontecer no primeiro turno

Quanto mais próximo do dia da eleição, mais as pesquisas registram proximidade entre os números de intenções de votos espontânea e estimulada. É o que ocorre na eleição presidencial, mas faltando quatro dias para irmos às urnas, ainda há uma diferença gigantesca entre intenções de votos espontânea e estimulada para governador de São Paulo, sobretudo no caso de Geraldo Alckmin (PSDB).

Na última pesquisa Datafolha para presidente, fechada no dia 30 de setembro, a diferença entre intenções de voto espontâneo e estimulado é pequena. Dilma Rousseff (PT) tem 35% na espontânea e 40% na estimulada. Marina Silva (PSB), 20% na espontânea e 25% na estimulada. Aécio Neves (PSDB), 16% na espontânea e 20% na estimulada. Todos os candidatos tem um acréscimo que não passa de cinco pontos.

Já na pesquisa para governador de São Paulo, feita pelo mesmo instituto Datafolha, também fechada no dia 30, Geraldo Alckmin tem 31% na espontânea e dá um incrível salto para 49% na estimulada. Os números respectivos de Paulo Skaf (PMDB) são 14% e 23%, e os de Alexandre Padilha (PT) são de 5% e 10%.

Pesquisa espontânea é aquela em que apenas se pergunta ao pesquisado em quem irá votar sem citar nenhum nome de candidato. Só quem tem candidato definido responde. É um voto consolidado que dificilmente muda. Já a pesquisa estimulada mostra um disco ao eleitor com os nomes de todos os candidatos em disputa, sem opção de voto nulo, para o eleitor escolher um deles.

Logo, o eleitor pesquisado é induzido a escolher um nome, mesmo que não tenha decidido ainda ou que não pretenda votar. A pesquisa estimulada serve para indicar tendência, para onde penderia os indecisos, mas faltando quatro dias para a eleição pode-se afirmar que a diferença entre a pesquisa espontânea e a estimulada é um voto volátil, que pode mudar, que ainda está em disputa, que "não tem dono".

É verdade que estatisticamente em eleições passadas os votos de indecisos costumam se distribuir proporcionalmente às intenções de votos dos candidatos. Mas estamos diante de um fenômeno diferente de eleições passadas. Faltando quatro dias para as eleições, 36% dos pesquisados dizem ainda não ter candidato a governador em São Paulo quando a pesquisa é espontânea.

Na sondagem para presidente também há 22% que disseram espontaneamente não saber ainda em quem votar. Há mais 5% que declaram votar nulo ou em branco. Mas neste caso o desinteresse do eleitor bate com o percentual de abstenção, brancos e nulos observado na eleição de 2010 (pouco mais de 26%). Enquanto na sondagem para governador de São Paulo o número ultrapassa 10 pontos.

Se depender das pesquisas, Alckmin é favorito, sem dúvida, mas é menos favorito do que a pesquisa estimulada que aparece com destaque nas manchetes dos jornais e TVs aparenta. E há maior probabilidade do que parece de haver segundo turno, com o alto número de 36% de eleitores que irão decidir seu voto de última hora. O número de indecisos nesta altura do campeonato, talvez, seja inédito em eleições para o governo paulista, pelo menos no passado recente.

Curioso o jornal Folha de S. Paulo esconder os números da pesquisa espontânea e só mostrar a estimulada na hora de dar a notícia. Já o portal G1 publicou os dois resultados.

Assim, a Folha está fazendo o jogo da campanha de Alckmin, que deseja criar um clima de "já ganhou", inclusive desmotivando a militância de outros candidatos. O jornal esconde que ainda existem mais votos em disputa de última hora do que o percentual que o governador tucano tem consolidado, deixando a eleição paulista ainda em aberto.

eleições 2014

Brasil tem inflação menor do que maioria dos países em desenvolvimento

Embora oposição ainda mantenha alarmismo em relação aos preços, assunto está em baixa nas pautas dos jornais e dos debates
por Helena Sthephanowitz publicado 29/09/2014 16:43, última modificação 29/09/2014 17:20
ichiro guerra
debate record

Em debate, candidatos da oposição ainda citam a inflação como alvo de críticas, apesar do contexto mundial

A inflação está em baixa, inclusive, na pauta eleitoral da oposição partidária e midiática. Parece não sensibilizar mais a maioria do eleitorado que a enxerga estável e vê seu poder aquisitivo aumentado nos últimos anos, com ganhos reais nos salários.

Mesmo assim, candidatos da oposição ainda citam a inflação como alvo de críticas. No debate entre presidenciáveis na TV Record na noite de domingo (28), Aécio Neves (PSDB), em suas considerações finais, falou em “apresentar uma proposta ao país que permita que a inflação volte a ser controlada”. Pastor Everaldo (PSC), que tem feito “tabelinha” com o tucano nos debates, focou mais tempo nessa pauta. Acontece que o assunto se tornou secundário, tanto no debate quanto na campanha.

Será que haveria fundamento nas críticas ou um alarmismo foi desencadeado pela imprensa oposicionista para abastecer os candidatos da oposição, desde o aumento momentâneo do tomate no ano de 2013? Ou será que o mercado financeiro bate nesta tecla para fazer pressão por juros mais altos e para colocar a raposa tomando conta do galinheiro, capturando o Banco Central para o sistema financeiro privado?

Do ponto de vista da economia interna do Brasil, a inflação vem sendo mantida controlada dentro da meta estabelecida, sempre dentro da faixa perseguida até 6,5% ao ano. Considerando os desafios de manter e criar empregos em um ambiente de crise internacional, faz sentido para qualquer governo responsável com o bem-estar social equilibrar a criação de empregos com o limite tolerável de inflação, em vez de forçar a taxa cair para o centro da meta (4,5%) ao custo de maior desemprego.

Mais curioso é jornalistas de economia, como Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, que sempre comparam a outros países quando há números desfavoráveis ao Brasil, ignorarem completamente o que se passa no mundo na hora de falar sobre inflação.

Entre as grandes potências mundiais em desenvolvimento composta pelos Brics, só a China, com 2,3%, está melhor do que o Brasil no quesito inflação. A Rússia está com uma taxa de 7,6% ao ano. A Índia, 7,8%. A África do Sul, 6,4%. Mesmo a China que adota a política econômica de “um país, dois sistemas”, tem em uma inflação de 6,07% em Macau e 3,9% em Hong Kong.

Entre outros países em desenvolvimento do G-20, os maiores também administram uma inflação maior do que o desejável nas épocas de fartura. Nigéria tem hoje uma taxa de 8,5%; Egito, 11,49%; Indonésia, 3,99%; Irã, 14,60%; Paquistão, 6,99%; Turquia, 9,54%; México, 4,15%; Chile, 4,5%, e Argentina, 10,9%.

Entre as grandes economias, quem está com inflação realmente baixa no mundo, salvo exceções, é quem adotou políticas recessivas e enfrenta alto desemprego, como a Europa e Estados Unidos. Até o Japão tem uma inflação alta para seus padrões (3,3%). A Europa já quer desesperadamente elevar a inflação, que está abaixo da meta, para aquecer a economia.

Praticamente todos os países cujo povo menos sofre as consequências da crise estão com inflação um pouco acima do que seria normal em outras circunstâncias mais favoráveis. Por isso, é falsa como uma nota de R$ 3 a ideia de que estejam com inflação descontrolada. O que há é um equilíbrio entre medidas de controle da inflação e, ao mesmo tempo, preservação de empregos. As propostas da oposição estão em linha com a ruptura desse equilíbrio, sacrificando empregos, salários e aposentadorias, para agradar ao apetite insaciável do mercado financeiro.

eleições 2014

Marina desdenha da luta dos mais pobres por políticas públicas governamentais

Candidata do PSB faz declaração desastrosa no Rio de Janeiro desprezando as políticas transformadoras para ascensão social ocorridas no país
por Helena Sthephanowitz publicado 27/09/2014 09:42
Manu Dias/Govba
minha casa minha vida

Antes do Minha Casa, Minha Vida, por mais que trabalhassem duro, famílias não conseguiam comprar a casa própria

Assustadora a declaração da candidata à Presidência da República Marina Silva (PSB) desdenhando das políticas públicas transformadoras para ascensão social da população mais pobre.

Na sequência de encontro com presidenciáveis promovido pela Central Única das Favelas (Cufa) no Rio de Janeiro, Marina visitou a sede da entidade na quinta-feira (25), e disse: "Não é correto o governo, de quem quer que seja, se apropriar do esforço das pessoas e tentar passar a ideia de que tudo o que você conquistou foi porque o governo te deu".

Óbvio que o esforço individual de cada um é fundamental. Não adianta haver oportunidades se a pessoa não souber aproveitá-las. Mas também não há esforço que chegue quando o trabalhador, o estudante, o empreendedor só encontra portas fechadas à sua frente, por não existir oportunidade.

Com essa declaração desastrosa, a candidata do PSB deseduca politicamente a população mais pobre a não participar da disputa para influir nas decisões governamentais.

Cada cidadão precisa de leis e políticas públicas que valorizem seu esforço. O mesmo trabalhador de salário mínimo que lutava para ganhar US$ 100 por mês, hoje ganha mais de US$ 300, graças a políticas de valorização do trabalhador. Da mesma forma, sem política de crédito que só bancos públicos oferecem, e sem incentivos para vender alimentos, o agricultor tem dificuldade para produzir.

O estudante pobre que, muitas vezes, se esforçava mais do que um rico, podia até passar no vestibular, mas se a faculdade era particular, muitos deles não conseguiam prosseguir nos estudos, antes de haver políticas públicas como o ProUni, o Fies e cotas nas universidades para alunos que estudaram em escolas públicas.

Antes de ter uma política pública como o "Minha Casa, Minha Vida", tinha famílias que passavam a vida toda se esforçando para conseguir a casa própria e, por mais que trabalhassem duro, não conseguiam.

Faz parte do esforço do cidadão a consciência para se organizar e fazer a luta política para obter conquistas, inclusive escolhendo qual governo quer na hora de votar, e pressionando os poderes legislativo e executivo durante os mandatos.

Políticas governamentais e governos, na verdade, são disputados tanto por banqueiros que estão com Marina, como por trabalhadores, e pelos mais diversos segmentos da sociedade. Cada um com suas reivindicações, cada grupo puxa a brasa para sua sardinha e cada um vota, apoia, pressiona e participa para ter suas demandas atendidas.

Governos populares não dão coisas como se fossem caridade, eles atendem o que a população necessita, reivindica e reclama.

Quando Marina desdenha destas conquistas sociais realizadas em governos populares, Marina está negando a política como instrumento de transformação da sociedade. No fundo, ela está fazendo apologia neoliberal de que cada um deve se virar apenas por si mesmo, individualmente, dançando como a banda do livre mercado tocar, sem batalhar por conquistas coletivas e por direitos através da organização do Estado.

Instável

Nova política 'envelhece' ao sabor de queda nas pesquisas

Há não muito tempo, Marina criticava aliança de seu partido com Alckmin em SP. Agora liberou até aparecer em 'santinho' ao lado do tucano
por Helena Sthephanowitz publicado 24/09/2014 10:43, última modificação 24/09/2014 11:37
DANIEL SOBRAL/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Marina em SBC

Candidata do PSB durante campanha em São Bernardo

Na sexta-feira (19), a candidata à presidência Marina Silva (PSB) causou confusão que por pouco não provocou o cancelamento da agenda em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. Quando Marina e seus correligionários chegaram à Praça da Matriz, a candidata não aceitou a presença de cartazes mostrando ela ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição em São Paulo. Um coordenador da campanha protestou e exigiu que o material com a imagem da candidata com o tucano fossem imediatamente retirados do local.

Depois de muita discussão e corre corre, os cartazes foram retirados e Marina subiu no palanque. Discursou para cerca de 200 pessoas, que de acordo com uma matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo, foram mobilizados por um candidato a deputado da região, que se autointitula de "deputado da Marina". A Folha ainda lembrou que duas semanas antes, o ex-presidente Lula esteve no mesmo local com a presidente Dilma Rousseff para um comício que lotou a praça.

Hoje (23), de acordo com a colunista Mônica Bergamo, a candidata autoriza que os "santinhos" de sua campanha a serem distribuídos pelo PSB em São Paulo na reta final do primeiro turno incluam o nome do tucano Geraldo Alckmin, candidato à reeleição ao governo do estado. Marina se recusava a aparecer ao lado do governador tucano quando tinha dianteira folgada. Mas depois de sucessivas quedas nas pesquisas, inclusive no estado, recuou.

Em São Paulo, o PSB está coligado com o PSDB e indicou o deputado Márcio França, coordenador do comitê financeiro de Marina, para vice de Alckmin. A candidata do PSB condenava a aliança, recusava a fazer campanha ao lado do tucano e havia vetado propaganda que exibisse sua imagem e a de Alckmin juntos. Agora, liberou.

Em junho, quando sua chapa ainda era liderada por Eduardo Campos, ela havia dito em entrevistas que seu grupo político, a Rede, que não alcançou os requisitos para ter seu registro oficial como partido, não subiria "em hipótese alguma, no palanque do PSDB". Afirmara também que não apoiaria aliança entre o PSB e o governador de São Paulo. Queria uma candidatura própria no estado.

Agora, segundo comentários dos bastidores de campanha, essa posição de veto à candidatura tucana poderá ser revista, de olho nos votos do tucanato paulista que está há 20 anos no poder.

Outro recuo

O candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, Beto Albuquerque (PSB), afirmou que a presença do PMDB é fundamental para governar. “Ninguém governa sem o PMDB”. Isso depois de o vice- presidente, Michel Temer, afirmar que se o PSB ganhar o PMDB ficaria na oposição. Marina sempre criticou a aliança de sua adversária, Dilma Rousseff (PT), com quadros do PMDB. Ao que parece, nunca se sabe até quando vai a data de validade das teses propagadas por essa tal “nova política”.