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Blog da Helena

por publicado , última modificação 23/04/2014 11:46

em resposta

Petrobras tem chance histórica de aplicar corretivo no mau jornalismo

Imagine o Jornal Nacional passar alguns dias tendo de ler direito de reposta após direito de resposta. Seria a desmoralização da qualidade do jornalismo dos veículos de imprensa que tiveram má conduta
por Helena Sthephanowitz publicado 23/04/2014 11:46, última modificação 23/04/2014 12:09
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Ataques da oposição e da mídia à Petrobras, injustamente, deveriam receber resposta adequada do governo

Quando a esmola é demais, o santo desconfia, já dizia minha avó. No caso da Petrobras, a esmola demais é o quase silêncio do governo federal durante semanas diante de ataques à imagem da empresa, usando a compra da refinaria de Pasadena e outros casos que "não pegaram".

Só duas coisas poderiam explicar essa conduta. A primeira seria a tranquilidade do conhecimento do terreno onde pisa. A oposição estaria escolhendo lutar em um terreno favorável à gestão da empresa e ao próprio governo. Seria mais ou menos como atrair tropas para emboscadas, no caso de guerras.

A oposição avança sobre a Petrobras, mas a empresa vive um ano particularmente bom, quebrando recordes após recordes de produção. Até mesmo um relatório final de uma auditoria interna de 45 dias sobre todo o processo de compra da Refinaria de Pasadena pode se revelar favorável às decisões tomadas pela empresa.

Neste caso a oposição avança muito agora, mas estaria avançando em uma areia movediça, que a levaria a afundar nos próximos meses. Justamente no período eleitoral mais quente, as denúncias de irregularidades estariam esvaziadas, pelo menos em parte, seja pela improcedência, seja pela punição de eventuais responsáveis, e a empresa estará apresentando resultados robustos dos investimentos, o que desmentirá as críticas à gestão. O que restará à oposição dizer? Que aumentará a gasolina em obediência à mão invisível do mercado internacional?

A segunda explicação seria aplicar uma espécie de corretivo exemplar ao mau jornalismo, que não espera apurar informações e já faz seus "testes de hipóteses", pré-condenando negócios e pessoas com base em boatos. Esse corretivo viria através do departamento jurídico da empresa exigindo direito de resposta à altura dos ataques recebidos.

Imagine o Jornal Nacional da TV Globo passar alguns dias tendo que ler direito de reposta após direito de resposta. Imagine as revistas terem de ceder toda semana páginas e mais páginas para a publicação de desmentidos de reportagens erradas de edições passadas. Imagine o mesmo com os jornais. Seria a própria desmoralização da qualidade do jornalismo dos veículos de imprensa que tiveram má conduta.

Pois a Petrobras está com esta chance histórica nas mãos. De onde veio a lorota repetida centenas de vezes de que a refinaria de Pasadena custou apenas US$ 42,5 milhões um ano antes da Petrobras entrar no negócio? Hoje se sabe com certeza que custou pelo menos US$ 360 milhões, comprovados em balanços oficiais.

Todas as reportagens que espalharam a informação falsa, sem qualquer apuração séria, são motivo de sobra e irrefutável para exigir direito de resposta. Se a mentira foi repetida dez vezes no mesmo telejornal, a Petrobras deve exigir dez direitos de resposta. Se usaram infográficos para mentir de forma mais didática, o direito de resposta deve usar infográfico também para desmentir.

No último dia 17 a empresa Astromarítima Navegação ganhou um direito de resposta de 50 segundos no Jornal Nacional. O telejornal havia feito matéria antes, no dia 14, induzindo o telespectador a entender que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, cobraria comissão da empresa por contratos com a Petrobras. No dia 17, o apresentador Heraldo Pereira teve que ler o desmentido: "A empresa Astromarítima procurou o Jornal Nacional para mostrar o contrato de busca por novos investidores – que nada tem a ver com os contratos que a empresa tem com a Petrobras".

A Astromarítima, segundo o noticiário, tem contratos de fretamento de embarcações no valor de quase meio bilhão de reais. É uma empresa de grande porte que atua desde a década de 80, tendo a Petrobras como um de seus principais clientes. A própria TV Globo deve ter sentido o cheiro do preço que um processo por danos poderia acarretar se não provasse as ilações veiculadas.

Pois a Petrobras tem uma marca e uma imagem de muito mais valor do que a Astromarítima, e nada justifica que não exerça seu direito de resposta. É provável que a própria TV Globo e outros veículos de imprensa ofereçam alguns segundos à Petrobras para o desmentido de informações comprovadamente falsas, sem disputa judicial. Mas isso não seria suficiente para reparar os danos.

A Petrobras deve exigir direito de resposta proporcional aos danos causados à sua marca e à sua imagem. Se os veículos de imprensa não concederem amigavelmente, deve exigir na Justiça. Se isso ocorrer, como processos judiciais às vezes demoram anos, a Petrobras bem que poderia fazer um jornalzinho para distribuir nos postos do tipo "verdades e mentiras", mostrando reportagens falsas publicadas por aí e os fatos reais que as desmentem. Inclusive explicar que o jornal está sendo distribuído porque as TVs, jornais e revistas não deram direito de resposta. É claro que versões para internet adequadas às redes sociais também devem ser produzidas.

Em 2009, quando a empresa foi atacada pela oposição, rebateu com o Blog Fatos e Dados. Desta vez, só tardiamente este blog passou a rebater informações que atingem a empresa e, mesmo assim, de forma mais tímida. Dessa vez, para fazer do limão a limonada, só direitos de resposta exemplares resolvem.

A Petrobras está com uma chance histórica nas mãos de combater o mau jornalismo que a atingiu. Vai perder?

desencanto

Voto nulo, conquistado pela mídia tradicional, virou o fenômeno da eleição

Atual situação não beneficia nenhum candidato em especifico. Esvazia significativamente as intenções de votos na presidenta, mas o mesmo ocorre com a oposição, mantendo o favoritismo de Dilma
por helena sthephanowitz publicado 18/04/2014 11:18
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dilma

Favoritismo continua com a presidenta, mesmo com ela caindo três pontos em relação à pesquisa anterior do Ibope

A pesquisa Ibope divulgada na noite desta quinta-feira (17) confirma que o fenômeno destas eleições estão sendo os votos brancos e nulos. Em primeiro lugar na pesquisa apareceu a presidenta Dilma Rousseff (PT) com 37% das intenções de votos. Em "segundo lugar" vêm os votos brancos e nulos, com 24%, bem acima dos candidatos de oposição. Em terceiro, aparece o senador Aécio Neves (PSDB) com 14%. Em quarto, o ex-governador Eduardo Campos (PSB), com 6%. A soma dos demais candidatos, dos partidos chamados nanicos, é 5%. O quadro permanece praticamente o mesmo quando Campos é trocado por Marina Silva, mudando pouca coisa, dentro da margem de erro.

Observe que votos brancos/nulos não incluem os indecisos, que respondem "ainda não sei em quem votar". Estes somam 13%, à parte dos que respondem com convicção que anularão seu voto.

Até mesmo na pesquisa espontânea, onde o pesquisado não é induzido por uma lista de nomes, os votos em branco/nulos somam 19%, novamente ocupando o segundo lugar atrás apenas de Dilma Rousseff, que tem 23%. Os candidatos de oposição aparecem bem atrás. Aécio com 7%, Marina com 4% e Campos com 2%.

Para se ter uma ideia, nas eleições de 2010, no mês de abril, o Datafolha registrava apenas 7% de intenções de votos brancos/nulos. No primeiro turno estes votos cravaram 8,6% ao apurar as urnas.

O atual fenômeno não beneficia nenhum candidato especificamente. Esvazia significativamente as intenções de votos na presidenta Dilma, mas o mesmo ocorre com a oposição, mantendo o favoritismo da presidenta. Todos os candidatos oposicionistas juntos somam 25% de intenções de votos, bem menos do que os 37% da presidenta, o que ainda lhe garantiria a vitória no primeiro turno com 60% dos votos úteis.

O que levaria um em cada quatro eleitores que comparecem às urnas a anular seu voto?

Certamente um dos motivos é o crescimento do desencanto com a classe política como um todo. A oposição, tanto partidária como midiática, abandonou o confronto de ideias e a disputa por reformas, passando a dedicar-se a criminalizar a política, sobretudo no noticiário. Não se deu conta de que atinge indistintamente quem está no governo e todos os que estão no sistema político, mesmo que esteja na oposição, no momento.

Todos são rebaixados no conceito do eleitor quando o noticiário político só noticia escândalos, alguns até forjados, outros ganhando dimensão maior do que tem de fato, outros que seriam até rotina como ocorre em todas as corporações. Ao mesmo tempo, as emissoras de TV, principalmente, ao manter fora de pauta censuram o debate sobre políticas públicas e reformas que, inclusive, moralizariam a política. Preferem manter o status quo do estado atual das coisas, obstruindo as mudanças pedidas pelo povo com uma pauta de crises forjadas.

Quando as campanhas eleitorais passam a ser dominadas por baixarias e acusações pesadas, como tem ocorrido sistematicamente desde as eleições de 2006, por escolha da oposição, boa parte do eleitorado se desencanta com a política como instrumento de transformação e passa a anular o voto com o correr do tempo.

A oposição consegue até retirar um pouco de votos de quem está no governo, mas não consegue trazer esse eleitor para seu lado, porque o cidadão desencantado acha que seria trocar seis por meia dúzia.

Pelo teor do noticiário e do estado de ânimo da campanha pré-eleitoral da oposição que já está em curso, o fenômeno do voto nulo irá se confirmar em outubro. Se os votos válidos de fato encolherem tanto, quem for eleito sobrevive se mostrar serviço no governo. Mas os partidos que ficarem na oposição sairão menor do que entraram.

O favoritismo continua com a presidenta, mesmo com ela caindo três pontos em relação à pesquisa anterior do Ibope. Isso porque suas intenções de votos têm resistido acima do esperado a um teste de estresse diante de um intenso noticiário negativo, enquanto seus principais adversários tiveram exposição positiva, inclusive com horário partidário na TV, e não subiram. Mesmo se o fundo do poço ainda não tiver chegado, hoje ela ainda tem em torno de 60% de votos úteis, portanto ainda tem até gordura para queimar e ainda vencer no primeiro turno, em tese. E ainda há margem para crescer no decorrer da campanha quando ela terá oportunidade de mostrar sua agenda positiva.

Mas se há tormentas de difícil travessia para oposição até outubro, também há para a presidenta. Mais preocupante do que a queda de três pontos nas intenções de votos é a avaliação de seu governo. Do fim do ano passado para cá a avaliação de ótimo e bom caiu nove pontos de 43% para 34%, enquanto ruim e péssimo subiu dez pontos, de 20% para 30%.

Não aconteceu nenhum fato realmente impactante neste período que justifique esta mudança de quadro, a não ser o intenso bombardeio do noticiário negativo. A principal oposição ao governo Dilma está nos telejornais e neste noticiário negativo replicado nas redes sociais da internet, já que jornais em papel e revistas sozinhos não têm tamanho poder de fogo para derrubar a popularidade em 10%. Não há nenhuma surpresa de que a imprensa oposicionista agiria assim pelo retrospecto de eleições passadas. O desafio governista é mudar essa percepção de parte da população sobre seu governo. O desafio da oposição é não perder para o voto nulo.

Blog da Helena

Aécio busca apoio na dissidência do PMDB do Rio, mas só atrai 18 pessoas

Maioria dos presentes é desconhecida no estado. Apoio veio mais fraco do que o esperado. Aécio precisa de um palanque no Rio, terceiro maior colégio eleitoral do Brasil
por Helena Stephanowitz publicado 16/04/2014 10:17, última modificação 16/04/2014 15:49
aécio neves/senador
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Aécio terá o apoio do presidente do PMDB fluminense, mas palanque é incerto

O pré-candidato às eleições presidenciais Aécio Neves (PSDB-MG), apesar de ter residência no Rio de Janeiro, está com dificuldades para ter um palanque no estado. Com o PSDB fluminense carente há anos de uma liderança boa de voto – tentou lançar Bernardinho no ano passado, mas o técnico de vôlei declinou do convite. Sondou Fernando Gabeira (PV-RJ), que também não demonstrou interesse.

O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) tentou formalizar o apoio, mas Aécio, até o momento, o está enrolando, por vê-lo desgastado e não acreditar que some votos. Os outros presidenciáveis estão mais adiantados. Eduardo Campos conta com a pré-candidatura de Miro Teixeira, provisoriamente no Pros, mas aliado de Marina.

Dilma Rousseff tem o bom problema de ter de administrar o apoio de quatro pré-candidatos de partidos da base aliada – o senador Lindberg Farias (PT), o senador Marcelo Crivella (PRB), o deputado Garotinho (PR) e o governador Pezão (PMDB).

O presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, irado por ter perdido uma vaga no Senado para Lindberg Farias em 2010 e ver o senador petista como forte candidato a governador agora, abriu dissidência entre os peemedebistas – aparentemente consentida – e declarou que apoiará Aécio.

Picciani é da linha de políticos chamados clientelistas na relação com os eleitores, ou seja, sem plataforma política definida perante o eleitorado de opinião. Não é radialista, não disputa voto religioso nem ideológico. Conseguiu eleger dois filhos, um deputado federal, Leonardo Picciani, e outro estadual, Rafael Picciani, bem votados, por meio de campanhas profissionais, caras e dispersas no estado. Há poucos prefeitos e vereadores que podem ser considerados de fato de seu grupo. Nas eleições municipais chegou a apoiar candidatos diferentes dos apoiados pelo então governador de seu partido, Sérgio Cabral, sem muito sucesso.

Sem o governador no palanque é difícil que ele, por si só, consiga atrair para Aécio mais votos do que eleitores de seu filho deputado federal. Apoio não se recusa, mas pode haver um efeito colateral: a rejeição alta no voto do eleitorado mais elitista, caso Aécio se exiba próximo demais de Picciani.

Na segunda-feira (14), Picciani reuniu, no Rio, aliados para um jantar de apoio a Aécio. Na foto – publicada no facebook do peemedebista – contam-se 18 pessoas, excluindo Aécio, o próprio Picciani e o presidente do PSDB fluminense, Luiz Paulo Corrêa da Rocha. Entre os 18, dois são os filhos de Picciani e os demais são desconhecidos no âmbito estadual. O prometido apoio veio mais fraco do que o esperado. Aécio continua precisando de um palanque no Rio, o terceiro maior colégio eleitoral do Brasil.


Episódio Telerj

Reintegração e violência: perdem a Oi, o prefeito e a população do Rio

Como a Oi, o PMDB fluminense e a própria cidade do Rio permitiram a voz da ganância falar mais alto que a superação da pobreza
por Helena Sthephanowitz publicado 14/04/2014 16:01
Vladimir Platonow/Agência Brasil
Desocupação Telerj

Processo de desocupação teve outro dia violento hoje (14)

A reintegração de posse de um terreno da empresa de telefonia Oi, ocupado por sem-teto, contou com emprego de violência policial e com apoio do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB). A ação, um desastre anunciado para todos os envolvidos, tinha tudo para ter um final feliz, e bem diferente.

Essa história começa no dia 6 de julho de 2012, quando o prefeito Paes era candidato à reeleição e inaugurava um conjunto habitacional chamado Bairro Carioca, construído com recursos do programa federal Minha Casa, Minha Vida. O conjunto aproveitou um terreno industrial e prédios desativados de uma antiga oficina de bondes e transformadores, bem localizado, ao lado de uma estação do metrô.

Na solenidade, o prefeito assinou um protocolo de intenções com o então presidente da Oi, Francisco Valim, para adquirir outro terreno com prédios, também desativados, perto dali, para fazer outro conjunto habitacional. É justamente o terreno que acabou ocupado neste mês e resultou em violência social na desocupação.

O prefeito foi reeleito em outubro de 2012, e o protocolo ficou só nas intenções até hoje. Diz o prefeito que não houve acordo no preço que, segundo notícias, seria de R$ 20 milhões à época. Mas o prefeito poderia tomar medidas a bem do interesse público, como decretar a área de interesse social, desapropriar judicialmente e tomar outras medidas cabíveis.

Detalhe curioso: só a conta de telefonia e internet da prefeitura paga à Oi (Telemar) pela prefeitura do Rio em 2013 foi de R$ 24,5 milhões. Em 2012 foram pagos outros R$ 25 milhões.

Outro detalhe é que o terreno é vizinho da favela do Rato Molhado, e próxima à do Jacarezinho, comunidades que receberam Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em janeiro de 2013, o que valorizou imóveis na região. Paradoxalmente, o estado gastou para indiretamente valorizar o terreno desativado da Oi, o que possivelmente fez crescer o interesse da empresa em negociá-lo com o poder público por valores mais altos.

Além disso, as UPPs têm provocado aumentos no custo do aluguel nas próprias comunidades, um efeito colateral que deveria receber maior atenção da prefeitura e do governo do estado. No passado, moradores de favelas moravam lá em condições precárias justamente porque não tinham dinheiro para pagar aluguel. Hoje há um mercado de locação nas comunidades já estabelecidas, sobretudo nas de melhor localização. Desde o cidadão que constrói outro domicílio sobre sua laje, para alugar e aumentar sua renda, até pessoas que são proprietárias de vários imóveis, o que é uma deturpação na própria regularização de lotes.

Com isso, aluguéis que antes giravam em torno de R$ 230 saltaram para R$ 450, R$ 500. Resultado: as famílias de baixa renda acabam despejadas e recorrem a ocupações como estratégia de sobrevivência.

Ocupações não deveriam ser o caminho, mas para isso ser realidade, a prefeitura deveria atender ao déficit habitacional de forma mais rápida e ter políticas reguladoras do uso do solo urbano que equilibrassem o conflito existente entre as necessidades populares de superação da pobreza com o mercado imobiliário.

Se o prefeito tivesse, desde 2012, a mesma disposição para brigar na Justiça pela desapropriação do terreno da Oi, como teve para apoiar a expulsão de famílias pobres, a realidade seria outra, com benefícios para todos.

A cidade ganharia em revitalização da área, dando vida a um conjunto habitacional onde hoje há apenas prédios fechados e um terreno subutilizado. Milhares de famílias ganhariam a casa própria, reduzindo o déficit habitacional e a própria ocorrência de ocupações. E nestes quase dois anos um canteiro de obras estaria gerando mais renda com emprego de mão de obra das próprias comunidades ali.

Se a Oi tivesse um pouco mais de noção de responsabilidade social e cidadania, até por esperteza ela própria se engajaria no projeto, fazendo do limão, limonada. Mesmo que cedesse um pouco no valor do terreno, poderia ter contrapartidas na forma de propaganda institucional positiva, até mesmo associando sua marca ao nome do conjunto habitacional da mesma forma que patrocina casas de espetáculos. É esse tipo de atitude que faz a diferença entre empresas serem amadas ou odiadas.

Perdeu a Oi, ao conquistar uma enorme propaganda negativa para sua marca. É o que dá ficar a cargo da frieza burocrática do departamento jurídico um assunto que – se não uma área de responsabilidade social – seria melhor resolvido pela área de marketing. Provavelmente chegariam à conclusão de que era melhor um "mau" acordo na venda do terreno para a prefeitura, do que uma "boa" demanda na justiça, associando a marca à ganância e exclusão social.

Perdeu o prefeito e seu partido, o PMDB, ao colecionar mais um episódio de tratar problema social como caso de polícia, quando tinha tudo para dar-lhe um desfecho positivo.

E perdeu a cidade do Rio de Janeiro, que luta para revitalizar-se desde que a capital foi transferida para Brasília, e em vez de produzir fatos positivos com as oportunidades, inclusivas geradas pela Copa e Olimpíadas, consegue publicidade negativa por tratar mal sua população mais vulnerável.

É isso que ocorre quando prefeitos e governadores fazem políticas para grandes corporações em alta velocidade, enquanto políticas para erradicar a pobreza andam a passos de tartaruga.

suspeita

Pagamento de sócia da Cemig a doleiro reforça defesa de CPI ampliada

Empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef recebeu depósito de R$ 4,3 milhões de empresa associada à estatal mineira de energia
por Helena Sthephanowitz publicado 11/04/2014 16:02, última modificação 11/04/2014 16:17

Em sintonia com a agenda política oposicionista liderada por Aécio Neves (PSDB-MG) visando a fazer uma CPI exclusivamente sobre a Petrobras, a revista Época desta semana publicou uma reportagem levantando suspeita de que pagamentos à consultoria "de fachada do doleiro Alberto Youssef", seriam para pagar propina a políticos e funcionários públicos.

Em um trecho, diz o texto: "Seguindo o caminho do dinheiro de Youssef, a PF e uma possível CPI chegarão não apenas ao passado da Petrobras, mas também ao presente. Em 19 de setembro de 2012, a Investminas, do empresário Pedro Paulo Leoni Ramos, conhecido como PP, depositou R$ 4,3 milhões na conta da MO Consultoria – empresa de fachada usada pelo doleiro Youssef".

A Investminas Participações não tem nada a ver com a Petrobras, mas tem tudo a ver com a Cemig (estatal mineira de eletricidade). Isso não está na reportagem. É uma Sociedade de Propósito Específico criada para construir e operar pequenas centrais hidrelétricas (PCH). A única atividade empresarial da Investminas até 2012 foi uma sociedade com a Cemig, constituindo a empresa Guanhães Energia SA, conforme atesta uma relatório do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A sociedade na Guanhães Energia era 51% para a Investiminas e 49% para a Cemig.

Com as quatro PCH em sociedade com a Cemig ainda em construção – portanto, ainda sem dar lucros –, a Investminas ganhou ao vender sua participação de 51% para a Light, empresa também controlada pela Cemig, pelo valor de R$ 26,586 milhões.

Segundo o balanço da Cemig, o patrimônio desta participação era R$ 10,357 milhões. O ganho foi de R$ 16,2 milhões. Um ágio de 157%.

Nas notas explicativas do balanço, na página 22 a Cemig justifica essa diferença como sendo o valor pela outorga das PCH, um bem intangível (que não precisaria estar necessariamente contabilizado no balanço, cuja avaliação depende da percepção de mercado). Ou seja, na prática houve uma negociação direta entre as partes sobre este valor.

Essa sociedade com a Cemig foi o único negócio com fins lucrativos realizado pela Investminas. A venda foi finalizada no dia 28 de agosto de 2012. Três semanas depois, no dia 19 de setembro de 2012, a Investminas pagou R$ 4,3 milhões à MO Consultoria, a suposta empresa de fachada do doleiro, segundo a revista.

Se for seguir a pauta da revista Época, que considera o pagamento como dinheiro suspeito de ser propina para políticos e funcionários, o caso da Investminas levanta suspeitas relacionadas à Cemig, e não à Petrobras.

Causa mais estranheza a Cemig em vez de adquirir diretamente da sócia e ficar com 100% da Guanhães, usar outra empresa controlada, a Light, cuja área de atuação é no Rio de Janeiro, para comprar pequenas usinas hidrelétricas situadas em Minas Gerais, sua área de atuação.

Se o alvo da reportagem era a Petrobras acabou acertando a estatal controlada pelo governo de Minas, sob domínio tucano, o que pode voltar-se contra os interesses políticos do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Por isso, enquanto o senador tucano defende uma CPI restrita à Petrobras, a base governista defende uma CPI ampliada para investigar também outros casos, como o cartel do Metrô e a própria Cemig. Ao que parece, não sem razão.

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petrobras

Agripino defende CPI, mas investigação pode chegar a negócios da família

Ligação de Agripino Maia com Petrobras é antiga. Desde a década de 1980 o senador recebia royalties da estatal por ser ter fazenda a 10 quilômetros de Mossoró (RN), onde foram encontrados poços
por Helena Sthephanowitz publicado 10/04/2014 09:24
pedro frança/agência senado
agripino maia

Presidente do DEM, senador José Agripino Maia, está mergulhado na articulação pró-CPI com o tucano Aécio Neves

CPI da Petrobras promete ser daqui em diante o palanque principal da campanha eleitoral do candidato tucano à presidência Aécio Neves e colocará holofote na oposição, que estava esquecida pela mídia. O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), está mergulhado na articulação pró-CPI com Aécio. Aparecem juntos em fotos de jornais e nas imagens dos noticiários de TV. Até aí, nada demais. Todos sabem que o DEM sempre foi um partido linha auxiliar do PSDB.

O problema para Agripino é que as investigações, se levadas a sério, inevitavelmente esbarram nos negócios milionários da Comércio de Combustível para Aviação (Comav), cujo sócio majoritário é o deputado Felipe Maia (DEM-RN), filho do senador, e detém 80% do capital social da empresa.

A Comav tem contratos desde 2001 com a BR Distribuidora, um dos braços da Petrobras para abastecer os aeroportos de Natal e Mossoró. O primeiro contrato foi assinado em fevereiro de 2001, durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, quando o atual ministro do TCU e antigo quadro do PFL (hoje DEM), José Jorge, comandava o Ministério de Minas e Energia.

A CPI também poderia bater nos negócios do sócio de Felipe Maia, Sinval Moreira Dias, filiado ao DEM, que controla os outros 20% da Comav. E se a investigação for além, poderá também investigar a renovação do contrato em 2010. Em 2006, antes da renovação, Felipe Maia declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 3,9 milhões. Depois da renovação, o deputado avaliou sua cota na Comav em R$ 120 mil.

De acordo com uma reportagem de 2006 publicada na revista IstoÉ, a ligação de Agripino Maia com a Petrobras é antiga. Desde a década de 1980, o senador recebia royalties da estatal por ser proprietário da Fazenda São João, localizada a 10 quilômetros de Mossoró (RN), onde foram encontrados poços de petróleo.

No mesmo ano, em entrevista à IstoÉ, Agripino admitiu que recebeu royalties da estatal. Segundo ele, a quantia era insignificante. Mas o imóvel, de 4 mil hectares dos Maia, tem um valor de mercado nada desprezível. Atolada em dívidas com o governo, a fazenda foi desapropriada durante o primeiro mandato do presidente Lula para reforma agrária.

O senador não aceitou a indenização de R$ 4 milhões paga pelo Incra e trava uma briga na Justiça para recuperar o bem. Desde então, os repasses dos royalties foram sustados. "Acho que agora quem recebe é o Incra. Se você quer fazer alguma ilação com a CPI da Petrobras, está gastando sua energia", disse.

Entretanto, graças ao esforço do senador, a Constituição foi alterada para permitir o recebimento de royalties pelos proprietários rurais, como ele próprio, em cujas terras fosse extraído petróleo. Ele também fundou a Associação dos Proprietários de Terras Produtoras de Petróleo (Aspropetro) quando ainda era governador do Rio Grande do Norte, nos anos 1980.

Pesquisas

Datafolha confirma por que noticiário busca a ‘tempestade perfeita’

Desde 2013, quando a campanha eleitoral foi antecipada no noticiário, falava-se que a oposição precisaria de um desastre para ter chances
por Helena Stephanowitz publicado 07/04/2014 12:32, última modificação 07/04/2014 17:47
Ernesto Pletsch/CC
tempestade

A "tempestade perfeita" seria um conjunto de grandes distúrbios para desestabilizar a economia

A expressão "tempestade perfeita" refere-se a um conjunto de grandes distúrbios para desestabilizar a economia. Com o correr do tempo, a inflação manteve-se dentro da meta, o emprego está em alta, a prosperidade das famílias tem sido preservada, as empresas, em geral, estão sólidas e sobrevivendo a contento, a economia apresenta crescimento bastante satisfatório diante da conjuntura adversa internacional, as contas nacionais também estão dentro das metas, e nem o mais fanático oposicionista aposta mais na tal tempestade perfeita na economia.

Nos últimos meses, o foco da oposição virou-se para tentar essa tempestade no noticiário negativo ao governo. Ora há um noticiário exageradamente alarmista sobre o setor elétrico, ora sobre a Petrobras, e como não poderia deixar de ser, como ocorre desde as eleições de 2006, há a clara tentativa de pautar a campanha eleitoral apenas com um noticiário denuncista, o que expõe a fragilidade de propostas da oposição. Pelas próprias virtudes, a oposição não acredita ser capaz de convencer o eleitor. Precisa buscar desconstruir a candidatura governista. É do jogo, apesar de campanhas predominantemente negativas terem levado o PSDB a derrotas em 2006 e 2010.

No sábado (5), foi divulgada pesquisa Datafolha mostrando queda na popularidade e nas intenções de votos da presidenta Dilma Rousseff. Os números não mudaram o quadro, já que a oposição não cresceu e a presidenta continua vencendo no primeiro turno em todos os cenários prováveis. Só a improvável candidatura de Marina Silva pelo PSB no lugar de Eduardo Campos levaria a eleição para o segundo turno, conforme o levantamento

Apesar de a pesquisa ter gerado dúvidas e críticas pertinentes, estatisticamente, dentro da margem de erro, os números estão compatíveis com a pesquisa do Ibope feita uma semana antes. A única grande diferença foi nas intenções de votos de Marina Silva. Enquanto o Ibope apurou queda para 12%, o Datafolha apurou 27%, uma diferença grande demais para apenas duas semanas, mesmo que Marina tenha estrelado na TV a propaganda partidária do PSB nesse intervalo de tempo. Alguém está errado e esse mesmo erro entre os dois institutos apareceu em meses anteriores.

Alguns dados foram até favoráveis à candidatura da presidenta, como a força eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja como substituto imbatível se a tal “tempestade perfeita” no noticiário produzisse resultados danosos sobre a presidenta, seja como o cabo eleitoral que mais influi no voto do eleitor.

Enfim, os números em si ainda não são motivo para desgosto no Palácio do Planalto, servindo apenas de alerta e para correção de rumos, pois se a queda virar tendência, se repetindo nas próximas pesquisas, passa a preocupar.

Motivo maior para preocupação é o questionário que o Datafolha aplicou após perguntar intenções de votos. Algumas perguntas são costumeiras e esperadas, mas outras são uma verdadeira pesquisa de mercado sobre o noticiário negativo à presidenta.

É o caso das perguntas 30 até 34 sobre se o pesquisado tomou conhecimento sobre a refinaria de Pasadena e se acha que ela foi comprada por um preço justo, se foi para beneficiar pessoas, ou mau negócio. Chega ao cúmulo de perguntar qual o grau de responsabilidade de Dilma Rousseff sobre o negócio. Outra pergunta era sobre qual o grau de corrupção que existiria na Petrobras.

A pergunta é tão estranha como seria perguntar qual a responsabilidade de Aécio Neves no “mensalão” tucano e na renúncia de Eduardo Azeredo. Ou qual a responsabilidade do governador Geraldo Alckmin no escândalo das propinas no cartel dos trens.

São perguntas muito específicas para orientar a pauta do noticiário e, no caso da Petrobras, a própria eficiência eleitoral de uma CPI. O que a pesquisa está avaliando é se o assunto pegou ou não pegou. Deve-se bombardear mais ou mudar a pauta?

Da mesma forma há perguntas sobre o grau de responsabilidade do governo federal e estadual no risco de faltar água e energia, o que também parece ser uma aferição da pontaria do noticiário.

Se a pesquisa tivesse mais interesse científico do que mercadológico oposicionista, incluiria perguntas sobre temas bem avaliados no governo federal, como o Minha Casa, Minha Vida e o Mais Médicos.

Esse questionário sinaliza o que vem por aí em termos cobertura noticiosa. Aliás, já está em curso. A tentativa de produzir uma “tempestade perfeita” no noticiário com doses cavalares de notícias negativas em detrimento das positivas ou das negativas que atingem a oposição.

Aliás, há alguma surpresa nisso?

Documento

Nos EUA, a confirmação da mão de Roberto Marinho nos bastidores da ditadura

Em telegrama ao Departamento de Estado norte-americano, embaixador Lincoln Gordon relata interlocução do dono da Globo com cérebros do golpe em decisões sobre sucessão e endurecimento do regime
por Helena Sthephanowitz publicado 05/04/2014 15:25, última modificação 05/04/2014 15:27
LBJ Library/USA
Lincoln Gordon

Embaixador Gordon descreve em detalhes ao Departamento de Estado dos EUA a influência de Marinho

No dia 14 de agosto do 1965, ano seguinte ao golpe, o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, enviou a seus superiores um telegrama então classificado como altamente confidencial – agora já aberto a consulta pública. A correspondência narra encontro mantido na embaixada entre Gordon e Roberto Marinho, o então dono das Organizações Globo. A conversa era sobre a sucessão golpista.

Segundo relato do embaixador, Marinho estava “trabalhando silenciosamente” junto a um grupo composto, entre outras lideranças, pelo general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar; o general Golbery do Couto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI); Luis Vianna, chefe da Casa Civil, pela prorrogação ou renovação do mandato do ditador Castelo Branco.

No início de julho de 1965, a pedido do grupo, Roberto Marinho teve um encontro com Castelo para persuadi-lo a prorrogar ou renovar o mandato. O general mostrou-se resistente à ideia, de acordo com Gordon.

No encontro, o dono da Globo também sondou a disposição de trazer o então embaixador em Washington, Juracy Magalhães, para ser ministro da Justiça. Castelo, aceitou a  indicação, que acabou acontecendo depois das eleições para governador em outubro. O objetivo era ter Magalhães por perto como alternativa a suceder o ditador, e para endurecer o regime, já que o ministro Milton Campos era considerado dócil demais para a pasta, como descreve o telegrama. De fato, Magalhães foi para a Justiça, apertou a censura aos meios de comunicação e pediu a cabeça de jornalistas de esquerda aos donos de jornais.

No dia 31 de julho do mesmo ano houve um novo encontro. Roberto Marinho explica que, se Castelo Branco restaurasse eleições diretas para sua sucessão, os políticos com mais chances seriam os da oposição. E novamente age para persuadir o general-presidente a prorrogar seu mandato ou reeleger-se sem o risco do voto direto. Marinho disse ter saído satisfeito do encontro, pois o ditador foi mais receptivo. Na conversa, o dono da Globo também disse que o grupo que frequentava defendia um emenda constitucional para permitir a reeleição de Castelo com voto indireto, já que a composição do Congresso não oferecia riscos. Debateu também as pretensões do general Costa e Silva à sucessão.

Lincoln Gordon escreveu ainda ao Departamento de Estado de seu país que o sigilo da fonte era essencial, ou seja, era para manter segredo sobre o interlocutor tanto do embaixador quanto do general: Roberto Marinho.

RBA Telegrama 1
E seu relato, Gordon menciona Marinho entre os cérebros da continuidade do golpe. E cita Milton Campos como muito respeitável, mas um "gentleman"

RBA Telegrama 2
Eleições diretas poderiam das margens para "esquerdistas" como o marechal Lott; regime criaria eleição indireta

RBA Telegrama 3
Marinho discutiu com Caslelo Branco a possibilidade de Costa e Silva vir a sucedê-lo

O histórico de apoio das Organizações Globo à ditadura não dá margens para surpresas. A diferença, agora, é confirmação documental.

Gestão tucana na Cemig sacrifica cliente com capitalismo mais selvagem do que Itaú

Não satisfeita com reajuste autorizado por agência reguladora, estatal mineira quer promover aumento que chega a quase 30% na conta de energia. Pensa no acionista, esquece do cidadão
por Helena Sthephanowitz publicado 03/04/2014 12:42
Image Source/Dan Bannister/Folhapress
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No ano passado a Cemig já havia rejeitado a renegociação de tarifas sugerida pelo governo federal

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) – que também é dona da Light, no Rio de Janeiro – tem lucro tão elevado na conta de luz dos mineiros e cariocas que nem sabe o que fazer com tanto dinheiro. Mesmo assim, parece que a empresa achou pouca a dinheirama em caixa e resolveu mexer no bolso do consumidor

Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a proposta  para revisar a tarifa. A proposta apresentada pela Cemig previa um reajuste de 11,23% para consumidores residenciais. Na prática, se fosse aprovado, o consumidor sentiria menos o desconto anunciado pelo governo federal – de 18,14% – passando para, efetivamente, 8,8%.

No entanto, no final de março, a Cemig mudou de ideia e novamente bateu na porta da Aneel. Dessa vez, pleiteando um reajuste dez vezes maior do que o último pedido feito à agência. Se aceito pelo órgão regulador, a conta de energia dos mineiros poderá aumentar 29,74% a partir deste mês. O aumento na conta de luz poderá representar uma elevação de 0,8 ponto percentual na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), na Grande BH, segundo a medição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para comparar, o IPCA-15 deste mês, que mediu os preços coletados entre 14 de fevereiro e 14 de março, ficou em 0,67%, percentual inferior ao impacto do pedido de aumento da conta de luz feito pela estatal mineira. Será que a Cemig quer aumentar o preço da conta de luz porque distribuirá 53% dos lucros aos acionistas?

Ainda para efeito de comparação, o Banco Itaú é 100% privado, não tem monopólio, só tem fins lucrativos, e pagou aos acionistas dividendos de 37% sobre o lucro de 2013. Em anos anteriores o banco vem distribuindo dividendos na faixa dos 29% a 36% sobre o lucro.

A Cemig é estatal mista do governo de Minas, presta um serviço essencial e detém um monopólio natural na região onde atua. Por isso, precisa ter equilíbrio entre lucro e tarifa para não sacrificar o cidadão na hora de pagar a conta de luz.

No entanto, a empresa, sob gestão tucana, distribuirá 53% dos lucros como dividendos, praticando um capitalismo mais selvagem do que o do Banco Itaú. Esfola o cliente na conta de luz para entregar lucros exorbitantes aos acionistas.

Os governos tucanos mineiros apenas ainda não venderam o patrimônio da Cemig. Contudo, da maneira como está, voltaram a gestão totalmente para a lógica do mercado financeiro privado. Dão tudo e até mais do que os acionistas privados pedem, e nada aos cidadãos que pagam a conta, mantendo uma relação desequilibrada.

A opção por privilegiar o lucro para acionistas privados é tão clara que a empresa se recusou a aderir ao programa de renovação antecipada das concessões das hidrelétricas que estão vencendo, o que seria uma troca pela garantia de tarifas mais baixas para a cidadão. Tudo para não reduzir nem um pouquinho o lucro. E a Cemig ainda entrou na Justiça contra o governo federal para tentar prorrogar concessões vencidas de forma a continuar cobrando tarifa elevada do usuário, mesmo que o custo de geração esteja mais baixo.

A Cemig, assim como a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp), todas em estados governados pelo PSDB, não aderiram ao plano de barateamento da conta de luz que começou em 2013.

Com a palavra, o candidato Aécio!

Pensão Vitalícia

A Bolsa-ditadura do senador José Agripino Maia

Atual presidente do DEM recebe pensão desde 1986; de lá para cá, montante chega a mais de R$ 5 milhões
por Helena Sthephanowitz publicado 01/04/2014 16:12, última modificação 01/04/2014 16:44
Moreira Mariz/Senado
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Agripino, paladino da ética, se vê às voltas com uma pensão criada durante um regime ilegal

O cidadão brasileiro comum trabalha durante 35 anos, pelo menos, e contribui todo os meses para a Previdência Social a fim de garantir uma aposentadoria de, no máximo, R$ 3,2 mil. Enquanto isso, alguns políticos trabalham menos tempo e, sem contribuição previdenciária, recebem pensão vitalícia. Essas aposentadorias, equivalentes ao salário de um desembargador, custam milhões por ano aos cofres públicos.

Esse é o caso de Lavoisier Maia Sobrinho, que, ao tomar posse como governador do Rio Grande do Norte, em 1979, nomeou o sobrinho, José Agripino Maia, como prefeito de Natal, capital potiguar. Agripino, hoje, é senador pelo DEM e presidente do partido.

O tio abandonou a vida política, mas os dois são beneficiários de pensões vitalícias pagas pelo estado, como ex-governadores. Isso, com base na Constituição Estadual de 1974, editada no período da ditadura e revogada.

A notícia foi divulgada sexta-feira (28) na página do Ministério Público do Rio Grande do Norte, na internet. Em março de 2011, a Promotoria de Justiça e Defesa do Patrimônio Público de Natal instaurou o inquérito civil nº 012/11 para averiguar a legalidade e compatibilidade – com a Constituição de 1988 – de aposentadorias e pensões especiais recebidas por ex-governadores e dependentes. No último dia 24, o MP-RN impetrou ação civil pública para obrigar o governo estadual a sustar o pagamento de pensão vitalícia.

O senador Agripino Maia e Lavoisier Maia Sobrinho recebem, cada um, R$ 11 mil de aposentadoria por terem sido governadores por apenas quatro anos na época da ditadura. José Agripino foi eleito governador em 1982 pelo voto direto, mas as eleições ainda eram cheias de vícios e fraudes, principalmente onde reinavam as oligarquias. O governo federal ainda era gerido pelo general João Baptista Figueiredo.

O atual presidente do DEM recebe a pensão desde 15 de maio de 1986. Lavoisier Maia recebe o benefício desde 16 de junho de 1986. Ele foi governador de 1979/1983 e deixou a política.

Já Agripino ganha, também, salário no Congresso, assim como todas as regalias inerentes ao cargo de senador – auxílio-moradia, carro oficial, passagens aéreas mensais e verba indenizatória.

O valor total da “bolsa-ditadura” de José Agripino Maia, pago desde que ele se "aposentou" do cargo de  governador, chega a R$ 5,080 milhões com base no provento atual (computando o 13º).

Além de José Agripino Maia e o tio, também recebe a bolsa-ditadura o senador Marco Maciel (DEM/PE), ex-governador do estado de Pernambuco (1979-1982) eleito indiretamente, sem voto popular.

Agora, o ex-prefeito indireto de Natal, Agripino Maia – nomeado pela ditadura  e que agora posa de "ético", "defensor da coisa pública" –  ao lado do candidato à presidência Aécio Neves (PSDB), planejam uma CPI para desgastar o governo. Bem, mas esse é assunto para um outro post...