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A diversidade de Lula Queiroga em "Todo dia é o fim do mundo"

por guibryan1 publicado 05/01/2012 15h36

Capa do novo trabalho do multiinstrumentista e compositor Lula Queiroga (©Reprodução)

Lula Queiroga, recifense de 51 anos, é um dos grandes nomes da música contemporânea pernambucana não é de hoje. Cantor, compositor, poeta, letrista, cineasta, escritor e publicitário brasileiro, ele ganhou destaque como parceiro de Lenine e acaba de lançar o consistente quarto álbum solo e independente "Todo Dia é o Fim do Mundo", em que aposta nos experimentalismos e no choque produzido entre uma sonoridade animada e festiva e uma letra sincera e realista e, por isso mesmo, corrosiva e trágica para muitos.

Esse é o caso da animada "Os Culpados", que conta com vários efeitos, que simulam sons de tiros e da sirene da polícia, para ilustrar a ácida letra: "Passam por debaixo de um país sem fronteira / passam pelo ar diante do seu nariz / narcotrafigrana / tem granada, pó e crack / para encher as bocas desse grande país / e a população procura em vão os culpados".

O álbum começa com a saborosa e sensual "Se não for amor eu cegue (love)", parceria com Lenine, que, de certo modo, abre espaço para o repente moderno "Voo Cego", a qual remete um pouco ao trabalho de Alceu Valença. A faixa-título é um caldeirão de influências, em que é possível encontrar, por exemplo, Arnaldo Antunes e Raul Seixas. Com um vocal coletivo, aqui a alegria contrasta com a letra: "Todo dia é o fim do mundo / Todo dia tem que respirar mais fundo / Todo dia é o fim do mundo / Dia vai e vem um outro em seu lugar / Não se apavore, muita calma nessa hora / Cada passo em falso é pura dinamite".

O samba "Unha & Carne", parceria com Vinicius Sarmento, narra o encontro de uma revendedora de Avon e de um gerente que se conhecem via internet até que partem para a vida real e termina na separação e a briga pela guarda do filho. "O tempo vai passar indiferente / Daqui a pouco os dois vão se esquecer". Está recuperada uma das vertentes mais tradicionais da música brasileira - a crônica social. Abre-se espaço para o rock, com pitadas de funk, "Dias Assim", composta com Lucky Luciano e dedicada a Lula Côrtes, outro importante nome da música pernambucana, parceiro de Zé Ramalho e Alceu Valença, e que faleceu em 26 de março de 2011. 

Uma das canções mais marcantes do álbum é "Dos Anjos", parceria com Lula Oliveira, que conta com um "quintal" sonoro poderoso, produzido pela banda afiada, e mistura a doçura de uma canção romântica com a agressividade roqueira, numa letra extremamente lírica: "E eu que nem acredito em anjos / Bati na porta do céu / Mas se ela quiser me seguir / Eu vou mostrar meu mundo secreto / Vou ensinar a ver estrelas / Do ponto de vista do chão". O rock retorna, numa linhagem bem contemporânea, em "Padrões de Contato". 

Há também dois duetos marcantes, um com Luiza Possi em "Um do Outro", e outro com Isaar, em "Atlantis". Outra participação especial é de Marcelo Jeneci, que toca sanfona e marimba na ótima balada "Poeira de Estrelas", que encerra o álbum e conta também com o piano de Vitor Araújo e o violão 7 cordas de Vinicius Sarmento. "Foi quando você dormiu / profundo / e eu fiquei a vigiar / seu mundo / fiz uma canção / que é só pra mim ; naquela hora / um jeito assim de não deixar / o tempo / ir embora".

Multiinstrumentista e considerado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o melhor compositor do ano, Lula Queiroga reúne a família no álbum e conta com o apoio de ótimos músicos, como Marcelo Lobato no theremin e Lucky Luciano no baixo, entre outros. Também chama atenção o criativo projeto gráfico do designer pernambucano Mateus Alves e a foto da capa de Marcelo Lyra. "Todo Dia é O Fim do Mundo", portanto, só comprova a força desse artista, que, em 2011, teve canções gravadas por, entre outros, Roberta Sá, Mart'nália, Zé Renato, Elba Ramalho, Maria Rita, Teresa Cristina e Pedro Luís.

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