Alto risco

Contaminação pela covid-19 em frigoríficos preocupa trabalhadores

Depois que a China encontrou o novo coronavírus em frango brasileiro, trabalhadores denunciam a falta de medidas de segurança nos frigoríficos

Abr
Um único salão de produção pode ter até 700 pessoas trabalhando, alerta representante dos trabalhadores

São Paulo – A contaminação pelo novo coronavírus se alastra pelos frigoríficos brasileiros e preocupa os trabalhadores e as organizações sindicais do setor. É um grave problema que coloca a vida dos trabalhadores em risco, mostra a reportagem é de Dayane Ponte, no Seu Jornal, na TVT, nesta segunda-feira (17). Nos últimos dias, os frigoríficos brasileiros ganharam destaque internacional. Isso ocorreu após a China dizer que encontrou o novo coronavírus em uma embalagem de frango congelado, importado do Brasil. Frigoríficos nacionais têm registrado alto número de trabalhadores contaminados pela covid-19.

Em uma unidade no Paraná, por exemplo, mais de mil funcionários contraíram a doença. “Nós vimos aumentar exponencialmente a quantidade de infectados nos frigoríficos. Ao ponto de no último final de semana a gente chegar à casa de 5 mil trabalhadores nas plantas frigoríficas”, afirma o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Paraná (FTIA-PR), Ernane Garcia Ferreira. 

“Nós temos plantas aqui que têm 5 mil, 6 mil trabalhadores, tanto nas indústrias limitadas, como nas cooperativas. E isso faz com que em um único salão tenha 700 pessoas trabalhando. E essas pessoas estão passando uma para outra e levam isso para a sociedade”, diz ainda Ferreira.

Sem protocolos de controle

“O país não está tendo as ações devidas. As próprias atitudes que o presidente teve de incentivar as pessoas a não utilizarem máscaras, a irem para aglomerações, isso passou a ter um comportamento na sociedade. Os frigoríficos têm dois caminhos de contaminação. De fora para dentro, e tem lá dentro da produção. Essa situação não havia antes. Agora, ao ir para casa, ele leva para os seus familiares”, afirma o secretário-geral da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da CUT (Contac), José Modelski Júnior.

Os protocolos de controle foram construídos com a participação dos sindicatos e do Ministério Público. Mas muitas empresas do setor não estão cumprindo. No Rio Grande do Sul, são 4.146 casos confirmados e três mortes entre trabalhadores. Esse protocolos têm exigências rígidas em relação a distanciamento, mas veio depois uma portaria do governo federal que afrouxou certas medidas que estavam colocadas pelo MP, explica Modelski.

Confira a reportagem do Seu Jornal