Proteção necessária

Para diretor técnico do Dieese, governo precisa implementar urgentemente a renda básica

Dados do IBGE apontam que há cerca de 50 milhões de trabalhadores na informalidade ou desempregados que precisarão do Estado na crise do coronavírus

EBC
Taxa de informalidade caiu para 40,6%, mas ainda reúne um total de 38 milhões de informais

São Paulo – A taxa de desemprego no Brasil subiu para 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro, totalizando 12,3 milhões de desempregados, em relação ao anterior, segundo dados do IBGE divulgados na última terça-feira (31). Diante este cenário de baixo nível de emprego e elevada taxa de informalidade, mesmo antes do agravamento dos efeitos do coronavírus, a necessidade do pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, já aprovado pela Câmara e pelo Senado e aguardando sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), se mostra ainda mais urgente.

O aumento do desemprego se dá na comparação com o trimestre terminado em novembro (11,2%), que interrompe dois trimestres seguidos de quedas no desemprego. A taxa, contudo, é inferior à registrada no mesmo período do ano passado (12,4%).

Com a pandemia provocada pelo coronavírus, a taxa deve crescer ainda mais daqui a dois e três meses, estima o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior. “Esperamos que o governo Bolsonaro assine logo a medida (para liberar a renda básica) e coloque em prática. O (ministro da Economia) Paulo Guedes já está pedindo mudanças constitucionais para pagar esse benefício, o que é um absurdo, já que o governo deveria fazer esse pagamento imediatamente”, afirmou em sua coluna na Rádio Brasil Atual.

Ainda ontem, em vez de anunciar a liberação imediata do recurso, o ministro da Economia preferiu promover um embate com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), condicionando a implementaçãod a renda básica à aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo Legislativo do que está sendo chamado de “orçamento de guerra”.

O diretor técnico do Dieese chama a atenção para a soma de trabalhadores que estão sem renda durante o isolamento social. A taxa de informalidade caiu para 40,6% no trimestre encerrado em fevereiro, ante de 41,1% no trimestre de setembro a novembro de 2019.

“O dado nos ajuda a olhar o drama dos trabalhadores informais. São 38 milhões de brasileiros nesse setor, que agora estão numa situação difícil para ter alguma renda. Se você somar os desempregados com os informais, são 50 milhões de pessoas que precisam da ajuda do Estado”, alerta Fausto.

O especialista ainda analisa que os dados divulgados ajudarão a entender os impactos do coronavírus na geração de empregos. “Será possível pegar os números deste semestre que se encerra em fevereiro, ou seja, no momento exato antes de entrarmos na pandemia. Estamos falando sobre as consequências da pandemia para a economia, onde já havia uma crise de emprego”, explicou.


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