Caixa atende bancários e coloca 70% dos empregados em home office

Contraf-CUT enviou um ofício para a Caixa e o Banco do Brasil, cobrando medidas que zelassem pela saúde dos funcionários e clientes

Marcelo Camargo/Agência Brasil
'Estamos fazendo algo que o governo federal não faz, que é garantir a vida dos trabalhadores bancários e, ao mesmo tempo, seus salários', afirma Juvandia Moreira

São Paulo – A Caixa Econômica Federal autorizou, neste domingo (22), que 70% dos empregados da rede de agências façam o trabalho em home office. A medida foi tomada após reivindicações do movimento sindical bancário visando prevenir o avanço da pandemia do coronavírus.

Na última sexta-feira (20), a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou um ofício para a Caixa e o Banco do Brasil, cobrando medidas que zelassem pela saúde dos funcionários e clientes.

“Como o governo age de maneira atabalhoada, tem criado uma corrida muito grande nas agências, com as pessoas indo atrás da linha de crédito, do pagamento para informais. Então, pedimos que os bancos tomassem uma medida efetiva, se não haveria um contagio geral entre clientes e bancários”, explicou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual.

No começo da crise do Covid-19, o sindicato pediu que os bancos liberassem as pessoas que fazem parte do grupo de risco. A partir disso, o comunicado da Caixa determina que devem ser colocados em home office gestantes e lactantes, bancários com mais de 60 anos de idade, portadores de doenças (sem necessidade de comprovação) como diabetes, cardiovasculares, hipertensão, doenças pulmonares, doenças imunodepressivas, empregados que estão em tratamento de câncer e pessoas com deficiência.

“Estamos fazendo algo que o governo federal não faz, que é garantir a vida dos trabalhadores bancários e, ao mesmo tempo, seus salários”, afirma a presidenta da Contraf-CUT.

Apesar de comemorar a medida, Juvandia se diz preocupada com a medida provisória (MP) publicada pelo presidente Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira (23). O texto permite que contratos de trabalho e salários sejam suspensos por até quatro meses durante o período de calamidade pública.

“A medida editada pelo governo, hoje, vai prejudicar a gente, porque possibilita o empregador fazer o que quiser sem negociar com o sindicato. Os salários poderão ser suspensos, sem negociação sindical”, lamentou.