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Exploração

Perfil de ciclista entregador aponta para a necessidade de regulamentação

Insegurança e vida corrida acompanham aumento da demanda por entrega de comida. Por trás dessa comodidade estão os jovens da periferia que buscam sobreviver ao desemprego
Publicado por Tiago Pereira, da RBA
11:42
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Ronny Santos/Folhapress

"Nossa vida é facilitada pela entrega da comida, mas por trás existe a exploração", destaca Bonduki

São Paulo – Por trás da comodidade da entrega rápida de comida, o perfil dos ciclistas entregadores de aplicativo revela uma nova categoria de trabalhadores altamente explorados e sem direitos. A atividade cresce como alternativa ao desemprego, já que não há processo seletivo e cada um faz a sua própria jornada. Na ciclovia da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul de São Paulo, por exemplo, o número de ciclistas com bolsas térmicas, de aplicativos como Ifood, Rappi, Uber Eats e afins, cresceu mais de cinco vezes entre 2018 e 2019, segundo pesquisa da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike).

Divulgado em agosto, o levantamento revela que eles trabalham em média 9 horas e 24 minutos por dia. A maioria (57%) labuta sete dias por semana. São homens, geralmente moradores na periferia, jovens (50% tem menos de 22 anos). A maioria é de negros ou pardos (71%), com ensino médio completo (53%). Fazem, em média, nove entregas por dia, e recebem R$ 936 por mês.

Para o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), a exploração dos ciclistas é uma faceta triste da realidade das grandes cidades, e chama a atenção para a necessidade de regulamentação da profissão. No quadro Cotidiano na Metrópole, da Rádio USP, ele aponta ainda o esvaziamento dos restaurantes como espaços de sociabilidade.

“A gente tem essa comodidade, como consumidor, mas por trás disso tem um trabalhador profundamente explorado”, pontua o arquiteto. “É um problema muito sério que estão sofrendo esses entregadores ciclistas. A gente precisa regulamentar essa situação. A nossa vida é facilitada pela entrega da comida, mas existe a exploração do trabalhador que vive disso.”