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nesta sexta

Com empregos ameaçados, trabalhadores fazem reunião com direção da Embraer

Representantes de três sindicatos metalúrgicos do Vale do Paraíba cobram a direção sobre o futuro dos 18 mil trabalhadores após acordo de fusão com a norte-americana Boeing
por Tiago Pereira, da RBA publicado 12/07/2018 11h14, última modificação 12/07/2018 11h33
Representantes de três sindicatos metalúrgicos do Vale do Paraíba cobram a direção sobre o futuro dos 18 mil trabalhadores após acordo de fusão com a norte-americana Boeing
Reprodução/SMSJC
Embraer

Antes mesmo de concretizada a fusão, Embraer já teria começado a demitir trabalhadores

São Paulo – Representantes dos sindicatos de metalúrgicos de São José dos Campos, Botucatu e Araraquara – cidades do interior paulista – se reúnem nesta sexta-feira (13) com o presidente da EmbraerPaulo Cesar de Souza e Silva, para discutirem as consequências da fusão com a norte-americana Boeing para os trabalhadores. 

Pelo acordo selado na semana passada, a Embraer vendeu 80% da sua divisão de aviação comercial por cerca de R$ 15 bilhões. Além dos 20% restantes na divisão comercial, a brasileira mantém as áreas de defesa e jatos executivos. 

A promessa do governo Temer, e da própria empresa, é que os empregos não serão afetados, pois os aviões comerciais continuariam a ser produzidos no Brasil. A realidade, contudo, parece ser outra, segundo os trabalhadores, e as demissões já teriam começado.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Hebert Carlos, ao menos dez trabalhadores teriam sido demitidos nesta quarta-feira (11). Os números não são precisos, pois, após a dita "reforma" trabalhista do governo Temer, as demissões não são mais homologadas no sindicato.

Ele prevê mais cortes até a concretização da fusão, que ainda deve levar alguns meses, aos moldes do que costuma ocorrer durante privatizações de estatais, que abrem programas de demissões voluntárias (PDVs) para reduzir o quadro de funcionários e evitar para a nova empresa custos trabalhistas dos desligamentos. 

"Queremos saber como vai ficar a situação dos trabalhadores, se haverá demissões, PDV. Não há nenhuma situação diferente na fábrica, sem diminuição de produção, nada que justifique essas demissões. Dos que temos contato mais direto, cerca de dez pessoas teriam sido demitidas", diz Herbert.

Com o desmembramento da empresa, o dirigente prevê também impactos negativos no setor de defesa, área estratégica para o país, que perderá recursos para investimentos, na medida em que o setor de aviação comercial responde por até 90% dos lucros da empresa.

"Não vai haver transferência de tecnologia, nem dinheiro para investir na aviação de defesa. Com o tempo, vai falir. É uma contagem regressiva. Daqui a uns anos vão alegar que, por falta de receita, vão fechar esse setor", afirma o representante dos trabalhadores.

Quanto à notícia de que a empresa de aviação JetBlue desistiu da compra de 60 jatos Embraer, optando pela concorrente Airbus, que recentemente adquiriu a canadense Bombardier, Hebert diz não haver ligação com a fusão da brasileira com a Boeing, mas faz um alerta. 

"Já havia rumores na fábrica que a JetBlue realizaria a encomenda com a Bombardier. O que podemos afirmar é que a Jetblue é uma companhia americana, mas não tem aviões da Boeing na sua frota. Só compram da Airbus. Uma coisa a se pensar é que, quando a Embraer se junta com a Boeing, pode abrir certos mercados, mas deve fechar outros."