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contra a agenda do golpe

Com apoio de centrais, servidores públicos mobilizam-se contra privatizações

Ato em São Paulo nesta 6ª feira marcou posição contra o desmonte do Estado e convocou funcionários públicos e trabalhadores do setor privado para novos protestos no dia 27, quando servidores realizam greve
por Gabriel Valery, da RBA publicado 15/09/2017 19h06
Ato em São Paulo nesta 6ª feira marcou posição contra o desmonte do Estado e convocou funcionários públicos e trabalhadores do setor privado para novos protestos no dia 27, quando servidores realizam greve
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Atos de servidores após assembleia de professores: adesão à agenda de lutas das centrais

São Paulo – “Entendemos que é envolvendo o conjunto dos servidores, todas as categorias, que vamos conseguir fazer frente às políticas de destruição do Estado e das carreiras dos servidores”, afirmou o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, em ato unificado de diferentes centrais em defesa dos servidores públicos de São Paulo. O encontro ocorreu às 17h, na Praça da República, região central da capital.

Antes do ato, que contou com a participação da CUT, CTB, força Sindical, Nova Central, Intersindical, Pública, além de diferentes sindicatos, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) realizou uma assembleia para definir o calendário de lutas da categoria, que decidiu aderir às mobilizações das demais centrais, além de marcar uma grande mobilização para o dia do professor, 15 de outubro, na Avenida Paulista.

“Teremos dias marcantes com datas de defesa da educação e dos servidores. No dia 15, teremos a presença de artistas e movimentos sociais, todos aqueles que defendem a causa da educação, na Paulista”, afirmou a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, a Bebel.

Também ficou confirmada a participação de todas as centrais nos atos do dia 27, quando será realizada uma paralisação dos servidores públicos de São Paulo, data que faz parte da agenda de lutas do mês, acertada pelas centrais. “No dia 27, temos claro que os ataques de todas as reformas é sobre o funcionalismo público. É perfil do PSDB, do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria o neoliberalismo e o enxugamento da máquina com a privatização dos serviços públicos. Vamos mostrar que São Paulo não é patrimônio deles, é social”, completou Bebel.

Izzo explicou que o motivo de uma agenda de lutas conjunta é o contexto da política nacional. “Temos uma situação de desmonte do Estado no Brasil. Seja na esfera nacional, nos estados e nos municípios. Esse desmonte significa a privatização dos setores essenciais do Estado. Esse desmonte significa o fim da carreira dos servidores. Esse desmonte significa a possibilidade do fim do concurso público e as terceirizações.”

A agenda, como explica o presidente da central em São Paulo, propõe “a realização entre os dias 2 e 13 de outubro de audiências públicas e aulas públicas em toda a cidade. De 16 a 20, panfletagem nos locais de trabalho e também com a população, orientando sobre o desmonte, mostrando que isso significa a precarização no atendimento de políticas públicas para a população de São Paulo. E no dia 27, o dia de paralisação estadual do serviço público”.

Conjuntura desafiadora

“Os eixos de reivindicação são: contra a reforma da Previdência; combate à terceirização; luta contra a aplicação da reforma trabalhista; defesa do serviço e do servidor público; pela preservação dos empregos e salários; contra os pacotes de privatizações dos governos municipais, estaduais e do governo federal”, completou Izzo.

Também presente, o membro da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro fez uma análise do momento e dos desafios dos trabalhadores e dos movimentos sociais. “Às vezes bate até uma desesperança na classe trabalhadora. Mas é preciso ter muita paciência neste momento histórico. Não é que a classe trabalhadora não esteja indignada, ela está, mas nós estamos sofrendo derrotas, é preciso reconhecer. Essas derrotas nos afetam, entretanto, vocês, nós, todas as entidades, somos uma espécie de estopim, um isqueiro, que temos que continuar riscando. Uma hora dessas pega fogo. E tem que pegar fogo”, disse.

“Como temos paciência e didática nas escolas para ensinar e repetir permanentemente as lições, é preciso ter essa paciência com a classe trabalhadora, para todos os dias, em todos os espaços, discutir, disputar, para que possamos fazer lutas de massas. Temos que falar com mais gente. Estaremos juntos no dia 27 e no dia 15”, completou a liderança do MST.

Para o dirigente da Pública José Gozze, outubro “tem que ser o mês em defesa do serviço público”. “O que estão fazendo é destruir o servidor, destruindo cada pedaço do serviço público. Temos que encher o movimento no dia 27. E temos também de mostrar aos nossos amigos, nossos vizinhos, aos companheiros do futebol e do churrasco, que a destruição do serviço público é contra cada um dos brasileiros. Para nós, servidores, teremos pela primeira vez um grande dia do servidor, no dia 28, porque no dia antes, estaremos na luta”, completou.