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Com ministro do Trabalho, 1º de Maio da CUT comemora conquistas e vê desafios

por Tadeu Breda, da Rede Brasil Atual publicado , última modificação 02/05/2012 12h06

Cobranças aos bancos e a necessidade de criar empregos de qualidade foram alguns dos desafios colocados adiante (Foto: Roberto Parizotti. CUT-SP)

São Paulo – A comemoração do 1° de Maio promovida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) lotou o Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo. De acordo com a organização, cerca de 120 mil pessoas assistiram aos shows de Elba Ramalho, Renato Borguetti, Paula Fernandes, Belo e Pixote, entre outros artistas, que por volta das 17 horas cederam espaço no palco para o discurso de dirigentes sindicais, políticos e membros do governo federal — entre eles o novo ministro do Trabalho e Emprego, Brizola Neto.

"Tenho muito orgulho de estar chegando ao Ministério do Trabalho com o apoio dos representantes dos trabalhadores", disse Brizola Neto, que foi oficializado no cargo na segunda-feira (30) pela presidenta Dilma Rousseff. "Dez anos atrás, vivíamos num país sem esperanças. Hoje, podemos comemorar, de fato, o 1° de Maio."

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que os trabalhadores brasileiros são os maiores responsáveis pelo desenvolvimento do Brasil, pela valorização dos salários e aumento do consumo interno. E aproveitou para celebrar a redução dos juros bancários. "Os bancos estão ganhando muito às custas do trabalhador. É inconcebível que cobrem juros tão escorchantes. Precisam devolver à população os lucros que vêm obtendo com o dinheiro da própria população", avaliou.

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, classificou o 1° de Maio da CUT como uma "grande celebração" das recentes conquistas dos trabalhadores -- como o pleno emprego e o aumento da renda. "Mas há muita coisa pra fazer ainda", ressalvou, lembrando que os governos municipais podem melhorar a vida do trabalhador "dialogando com as categorias" e corrigindo as deficiências que ainda existem nas áreas da saúde e educação.

O presidente da CUT, Artur Henrique, comemorou o crescimento no número de trabalhadores com carteira assinada, mas disse que as centrais sindicais não estão de olho apenas na quantidade dos novos postos de trabalho. "Queremos discutir também a qualidade dos empregos que estão sendo gerados", destacou. "Não basta que o Brasil seja a sexta economia do mundo: queremos o fim do trabalho infantil, o fim do trabalho escravo e qualidade de vida para os trabalhadores."

Na plateia, a juventude deu o tom, atraída por bandas, cantores e cantoras que ocupam o topo das paradas de sucesso. "Gostei da força que estão dando pra gente trabalhar", disse Nedir Estevão Pereira, operário da construção civil. "Hoje em dia está mais fácil arrumar emprego, mas precisa aumentar o salário. A gente ganha muito pouco", criticou.

Wesley Ribeiro, que trabalha em um açougue, concorda que hoje em dia está mais fácil inserir-se no mercado de trabalho. "Basta a pessoa ter dedicação e correr atrás", sugere. O pensamento do acabador de granito Wellington da Silva Brito é semelhante. "Eu vejo muita gente desempregada aí porque não quer trabalhar." Mas Wellington ficou com a pulga atrás da orelha quando ouviu os dirigentes da CUT falando em redução da jornada de trabalho. "Assim as empresas vão ter que abrir novos turnos e vão à falência", prevê.

Os aposentados também marcaram presença no Vale do Anhangabaú. "Moro há 50 anos em São Paulo e é a primeira vez que venho", conta Maria das Neves Fernandes, que há cinco anos recebe benefício do INSS. "A gente vem não só pelas músicas, mas pra saber mais o que está acontecendo e o que o trabalhador e o aposentado podem fazer pra melhorar sua situação."